Adelson Elias Vasconcellos
Muitos analistas desavisados estranham que Lula não tenha conseguido transferir votos para os seus “protegidos”. Ontem, enquanto votava em São Bernardo do Campo, ele declarou que os pobres já não votam a mando dos formadores de opinião. Pois é, se ele refletisse sobre o que acabara de dizer e com o comportamento dele próprio em algumas campanhas das quais chegou a subir nos palanques, talvez aprendesse a lição que ficou: a de que o povo brasileiro para votar não precisa de cabresto, mesmo que este cabresto tenha 80% de popularidade...
O PT ganhou, conforme Sebastião Nery afirmou em sua coluna aqui transcrita, onde já iria ganhar. Onde precisou pechinchar votos e de onde esperava retumbantes vitórias teve que amargar derrotas. Assim como Lula, também Aécio Neves viu seu “encanto” diminuído pelo resultado de Belo Horizonte. Tanto o petista quanto o tucano tentaram impor nas eleições municipais uma antecipação do peito de 2010. E, por isso mesmo, amargaram dissabores.
Prefeitos, não importando de que partido, que fizeram boas administrações, foram reeleitos, alguns com mais facilidades do que outros. E isto demonstra que o brasileiro não está muito ligado em questões partidárias. Para ele importa mais os benefícios que esta ou aquela administração pública lhes tenha proporcionado. E nas eleições municipais o senso de julgamento do eleitor é mais acurado, ele está mais próximo dos vereadores e percebe a mão omissa ou obreira dos prefeitos. Assim, pouco lhe importa se o escolhido é figurinha carimbada. Se o prefeito cuidou bem de sua cidade, se atacou problemas emergentes com rapidez e eficiência, mesmo que não tenha resolvido tudo, ainda assim merecerá a simpatia do eleitor. A política municipal deixa muito pouco espaço para mistificadores, ao contrário das eleições em nível federal e estadual. Quanto mais alto o nível do poder, maior a distância do eleitor sobre a ação dos políticos. E, nesse caso, a falta de informações mais acuradas, o cidadão acaba considerando outros aspectos.
Mas se pudesse arrancar uma frase conclusiva destas eleições municipais, diria que a vitória foi muito mais da oposição que, apesar de todas as artimanhas e o despudorado uso da máquina federal, não foi sufocada como pretendia o governo Lula, para abrir uma larga avenida para ele impor seu sucessor ou sucessora, independentemente do pensamento do povo. Creio que Lula deverá repensar sua estratégia para 2010. Quem sabe amoitar o terreno para retornar em grande estilo em 2014. E isto significaria “plantar” e deixar armadas algumas bombas relógios para estourarem no colo de quem lhe suceder que, muito provavelmente, será um oposicionista !
E, com o PSDB e DEM mostrando competência para resistir, quem acabou vencedor, de fato, foi a democracia brasileira. Estas “alianças” absurdas, de consenso, onde se esmaga a oposição, onde a máquina pública tenta “comprar” a consciência do eleitor, tudo isso não foram suficientes para impedir que o eleitor agisse com independência. O que ele quer é uma política limpa, saudável, feita por gente que de fato exerça seu mandato olhos postos no bem público. Se assim é, então, podemos afirmar que o Brasil está encontrando seu rumo. Devagar, mas vai indo. E reparem num aspecto interessante: enquanto esteve na oposição, a palavra mais proclamada pelos petistas era a tal da "ética pública". Há quanto vocês não ouvem nada sequer parecido vindo de um petista ? Pois é, oposição ao governo dos outros é refresco...
Quem sabe nas próximas eleições, em âmbito estadual e federal , o eleitor acabe convencido que “certos” favores com que os coronéis políticos tentam lhes comprar a consciência, quem acaba pagando a conta e suportando o inevitável prejuízo é o próprio eleitor. E se esta for a tendência, talvez o norte e nordeste deixem de ser currais eleitorais de gente ordinária e irresponsável que, usam a política não como uma missão de trabalho público, e sim como o caminho mais curto para seu enriquecimento ilícito.
Várias vezes alertamos aqui que, as eleições de 2008, eram encaradas por Lula e petistas como um momento estratégico para ampliar seu poder e garantir 2010. Enumeramos muitas das medidas adotadas pelo Planalto mirando justamente a ampliação deste poder. E, com base no resultado que se viu, vê-se que, primeiro eles esqueceram como o eleitor encara as eleições municipais que sempre foi descolada das demais eleições. E, segundo, que Lula até pode muito, mas não tudo. Talvez, doravante, ele se sinta menos Deus e respeite mais a vontade dos brasileiros, até daqueles que com ele não concordam e, principalmente, aprenda a conviver com real espírito públicoe aceita melhor os que lhe são contrários. Em suma, aprenda a ser um pouquinho mais democrático. A pátria agradece penhorada ! Mas querem saber: falta ao distinto a grandeza de caráter para tanto. Portanto, mais certo é que, onde houver segundo turno, e em capitais importantes para o jogo político, Lula tente colocar seu peso político além da máquina e recursos públicos para "emplacar" seus protegidos e afilhados. A lição fica mas acho que não foi desta vez que ele aprendeu. Pena !
Muitos analistas desavisados estranham que Lula não tenha conseguido transferir votos para os seus “protegidos”. Ontem, enquanto votava em São Bernardo do Campo, ele declarou que os pobres já não votam a mando dos formadores de opinião. Pois é, se ele refletisse sobre o que acabara de dizer e com o comportamento dele próprio em algumas campanhas das quais chegou a subir nos palanques, talvez aprendesse a lição que ficou: a de que o povo brasileiro para votar não precisa de cabresto, mesmo que este cabresto tenha 80% de popularidade...
O PT ganhou, conforme Sebastião Nery afirmou em sua coluna aqui transcrita, onde já iria ganhar. Onde precisou pechinchar votos e de onde esperava retumbantes vitórias teve que amargar derrotas. Assim como Lula, também Aécio Neves viu seu “encanto” diminuído pelo resultado de Belo Horizonte. Tanto o petista quanto o tucano tentaram impor nas eleições municipais uma antecipação do peito de 2010. E, por isso mesmo, amargaram dissabores.
Prefeitos, não importando de que partido, que fizeram boas administrações, foram reeleitos, alguns com mais facilidades do que outros. E isto demonstra que o brasileiro não está muito ligado em questões partidárias. Para ele importa mais os benefícios que esta ou aquela administração pública lhes tenha proporcionado. E nas eleições municipais o senso de julgamento do eleitor é mais acurado, ele está mais próximo dos vereadores e percebe a mão omissa ou obreira dos prefeitos. Assim, pouco lhe importa se o escolhido é figurinha carimbada. Se o prefeito cuidou bem de sua cidade, se atacou problemas emergentes com rapidez e eficiência, mesmo que não tenha resolvido tudo, ainda assim merecerá a simpatia do eleitor. A política municipal deixa muito pouco espaço para mistificadores, ao contrário das eleições em nível federal e estadual. Quanto mais alto o nível do poder, maior a distância do eleitor sobre a ação dos políticos. E, nesse caso, a falta de informações mais acuradas, o cidadão acaba considerando outros aspectos.
Mas se pudesse arrancar uma frase conclusiva destas eleições municipais, diria que a vitória foi muito mais da oposição que, apesar de todas as artimanhas e o despudorado uso da máquina federal, não foi sufocada como pretendia o governo Lula, para abrir uma larga avenida para ele impor seu sucessor ou sucessora, independentemente do pensamento do povo. Creio que Lula deverá repensar sua estratégia para 2010. Quem sabe amoitar o terreno para retornar em grande estilo em 2014. E isto significaria “plantar” e deixar armadas algumas bombas relógios para estourarem no colo de quem lhe suceder que, muito provavelmente, será um oposicionista !
E, com o PSDB e DEM mostrando competência para resistir, quem acabou vencedor, de fato, foi a democracia brasileira. Estas “alianças” absurdas, de consenso, onde se esmaga a oposição, onde a máquina pública tenta “comprar” a consciência do eleitor, tudo isso não foram suficientes para impedir que o eleitor agisse com independência. O que ele quer é uma política limpa, saudável, feita por gente que de fato exerça seu mandato olhos postos no bem público. Se assim é, então, podemos afirmar que o Brasil está encontrando seu rumo. Devagar, mas vai indo. E reparem num aspecto interessante: enquanto esteve na oposição, a palavra mais proclamada pelos petistas era a tal da "ética pública". Há quanto vocês não ouvem nada sequer parecido vindo de um petista ? Pois é, oposição ao governo dos outros é refresco...
Quem sabe nas próximas eleições, em âmbito estadual e federal , o eleitor acabe convencido que “certos” favores com que os coronéis políticos tentam lhes comprar a consciência, quem acaba pagando a conta e suportando o inevitável prejuízo é o próprio eleitor. E se esta for a tendência, talvez o norte e nordeste deixem de ser currais eleitorais de gente ordinária e irresponsável que, usam a política não como uma missão de trabalho público, e sim como o caminho mais curto para seu enriquecimento ilícito.
Várias vezes alertamos aqui que, as eleições de 2008, eram encaradas por Lula e petistas como um momento estratégico para ampliar seu poder e garantir 2010. Enumeramos muitas das medidas adotadas pelo Planalto mirando justamente a ampliação deste poder. E, com base no resultado que se viu, vê-se que, primeiro eles esqueceram como o eleitor encara as eleições municipais que sempre foi descolada das demais eleições. E, segundo, que Lula até pode muito, mas não tudo. Talvez, doravante, ele se sinta menos Deus e respeite mais a vontade dos brasileiros, até daqueles que com ele não concordam e, principalmente, aprenda a conviver com real espírito públicoe aceita melhor os que lhe são contrários. Em suma, aprenda a ser um pouquinho mais democrático. A pátria agradece penhorada ! Mas querem saber: falta ao distinto a grandeza de caráter para tanto. Portanto, mais certo é que, onde houver segundo turno, e em capitais importantes para o jogo político, Lula tente colocar seu peso político além da máquina e recursos públicos para "emplacar" seus protegidos e afilhados. A lição fica mas acho que não foi desta vez que ele aprendeu. Pena !