domingo, outubro 25, 2009

NESTA EDIÇÃO:

Nunca um governo teve tantas oportunidades de corrigir rumos e resolver problemas no Brasil, quanto o atual. Mas, também, jamais alguém jogou fora tantas oportunidades excelentes, conduzido por uma teimosia de preocupar-se apenas em assenhorear-se do poder, deixando o dever de governar em segundo plano, como Lula tem feito.

É triste, lamentável mas é verdadeiro. O caos da saúde pública é um exemplo aterrador do quanto um governo é capaz de deixar de fazer. Durante grande parte de seu governo, Lula arrecadou a famigerada CPMF e qual foi o resultado? Zero, foram mais de R$ 150 bilhões de reais jogados no lixo. Agora, quer ressuscitar com outro nome, alegando falta de recursos. Não, não faltam recursos. Falta política de saúde, falta competência de gestão pública, falta projetos de prioridades, enfim, competência de administração.

A infraestrutura é aquela coisa que todos sabemos. Está na nossa frente, salta aos nossos olhos.

Sobre a educação, apesar da propaganda maciça, visitem o interior do país e vocês se depararão com o horror dos horrores.

Só que saúde, educação e infraestrutura não produzem tantas vítimas quanta a política de INSEGURANÇA pública deste desgoverno. E digo política de insegurança porque, é a partir de ações estúpidas paridas no seio do governo Lula que ela se agiganta. Querem ver? No que acaba, por exemplo, a política de apadrinhamento de Lula para o MST? Financiar o terror no campo. O número de mortes e o número de invasões ilegais em propriedades produtivas, só tem crescido. Onde foram parar os cinco “excepcionais” planos de segurança lançados por este governo ? Em uma escalada da violência jamais vista. O Rio de Janeiro que o diga.

Dentre os artigos há um escrito por Jorge Serrão nos informando que a Rede Record, sob investigação da Polícia Federal, acabas de comprar parte do Banco Renner. Pu seja, o recado é a de que o crime compensa. A lembrar, Edir Macedo e seu império, são abençoados diretos de Lula. E Arlindo Montenegro retrata aspectos interessantes da violência carioca.

E a Revista Veja desta semana nos informa de mais uma outra onda de violência totalmente patrocinada pelo governo federal e diretamente pelo presidente da República, que é a luta sem limite entre centrais sindicais.

E, como não poderia de ser, temos a tal história dos pacs. Não fosse o fato de que muito dos tais pacs são apropriação indébita e não declarada de projetos e programas de governantes anteriores a Lula, agora ele quer por que quer colocar-se acima da lei. Quando seu partido esteve na oposição, todo o regimental de regulamentos ambientais foi patrocinado pelo PT. É um terror. São tantos os obstáculos, entraves, leis superpostas e departamentos de controle, fiscalização e licenciamento, que seguramente 10% de qualquer empreendimento industrial é consumido com tanta burocracia. Mas vá lá, é preciso preservar mesmo, mas não com a volúpia (diria até terrorismo) como temos visto e com a proposital morosidade para análises dos estudos de impactos e concessões de licenças.

Já no poder, Lula achou que os entraves que no governo alheio ele tanto apoiou, agora se tornavam desnecessários. Como sua ministra não mudava a política, ele tanta fez que conseguiu mudar a ministra. Em seu lugar um holofote de coletinho. Nada mal.

Da mesma forma,o próprio Lula foi lembrado dias atrás, de sua participação, quando da elaboração da Constituição de 1988, na construção dos parâmetros que delimitam a ação do Tribunal de Contas da União. Agora, no poder, com interesse voltado apenas ao poder, Lula esquece tudo e pressiona por mudanças no regime de funcionamento do TCU. Interessante, não é mesmo?

Parece que o presidente não consegue mesmo viver subordinado ao império das leis. Goste ou não, isto é sintomático de governantes ditatoriais, em regimes autoritários onde a lei se submete aos caprichos do mandatário. Muito já se disse que Lula, no fundo, adoraria conter em si, o poder que Chávez ostenta na Venezuela. Se não o tem não é porque não quer, é porque não pode. Ainda, pelo menos...

Na edição de hoje, vamos dar um salto. O tema sobre os “movimentos sociais” terão sua sequência na segunda-feira, 26.10, para nos centremos no tema “violência”.

Vamos apresentar reportagens sobre o gangsterismo entre as centrais sindicais, que tem o patrocínio da caneta com que Lula assinou a lei que as regulamentou. Além da bolada despejada sem nenhum esforço para os sindicalistas, ele ainda tornou a cobrança do imposto simplesmente compulsória além de desobrigar as centrais da OBRIGATORIA prestação de contas. É bom lembrar que sendo IMPOSTO SINDICAL, sua arrecadação pertence ao Estado e, neste sentido, deve ser fiscalizada sua aplicação. Mas que foi disse que esta gente é democrata, é transparente é obediente ao regime das leis?

Já noutra direção, veremos outro patrocínio governamental para a violência, dinheiro que financia o regime de terror que o MST, que um dia foi um movimento social, impõem ao campo.

E, claro, o quanto o PAC fajuto de Lula está colaborando para a atual onda de violência no Rio de Janeiro.

Por fim, muito embora não tenha ligação direta com a violência, ainda seguem a excelente entrevista do economista Paulo Renato de Souza com um diagnóstico sobre a educação no Brasil, e a demonstração inequívoca do espírito autoritário de um presidente que não respeita os limites que as leis do país lhe impõem.

Estando há um ano das eleições presidenciais, é bom que o eleitor faça uma reflexão desde já que Brasil ele prefere escolher, o da civilidade e do progresso, ou aquele onde a mentira que dá assento a toda forma de violência reina absoluta sobre todas as incompetências, e pairando e reinando absoluta ao regime democrático de direito.

Fica claro, portanto, que a onda de violência em todas direções que vai tomando conta do país, tem a sua verdadeira raiz num governo que a subsidia, que não investe em seu combate, não controla nossas fronteiras porteiras abertas para o contrabando de armas e drogas, vindas dos países amigos e parceiros de Lula, os quais, em troca, além das fronteiras livres, encontram o caixa do BNDES livre para o assalto de seus projetos caudilhescos.

E, por falar em BNDES, não é que seu presidente,Luciano Coutinho, resolveu conceder uma entrevista ao Estadão, afirmando que “Governo deve segurar gastos públicos para manter crescimento(...)”, mas, temendo a reação e, principalmente a reação do chefe, se apressou-se em complementar com um “(...) vê a ideia como parte de uma nova agenda para o País, mas ressalva que se trata de uma opinião pessoal...” E,noutra entrevista ao mesmo Estadão, Carlos Lessa, ex-presidente domesmo BNDES, falando sobre a violência resolveu enxergar causas no neoliberalismo e na globalizãçaão para a violência. Há uma coleção tão imensa de absurdos que a entrevista acaba se tornando uma peça muito mais cômica do que qualquer outra coisa. Contudo, em dado instante, ele acaba se traindo. Vejam: “O Brasil, que gasta este ano R$ 180 bilhões em dívida pública, aplica migalhas em generalizar a cidadania real.”

Há ainda outras respostas interessantes como estas:
(...)
“O que existe é uma juventude migrando para o exterior. O que existe são meninas engravidando em busca do Bolsa-Família. A ideologia neoliberal e a exaltação da globalização colocaram em pauta para a juventude temas transnacionais e cancelaram a ideia do Brasil como um país do futuro e com futuro”.


“Lula, em lugar de liberar R$ 100 milhões para a segurança, deveria investir nos metrôs de superfície do Rio e no metrô de São Paulo. Aliás, seria melhor do que propor o ridículo e caro "brinquedo" do trem-bala. “


“Preferia a classe média andando pelas ruas para protestar contra os juros hiperelevados e o crescimento medíocre do emprego e da renda. Aliás, o mercado interno dos ilícitos - drogas, motéis, bordéis, estacionamentos irregulares, produtos piratas, entre outros - tem seu sustentáculo na classe média que tem emprego e renda”.(...)

Sobre esta entrevista nós ainda retonaremos para comentá-la. Para quem desejar acessá-la na íntegra, clique aqui.

Um governo que anda de braços com a escória da política nacional e mundial, e não poupa munição contra governos legítimos e democráticos, não transmite outro recado senão o de que, para ele, a violência combina com a sua incompetência, e tudo somado junto, o conduz para a tomada do poder, e a privatização do Estado para o partido central dos trambiqueiros.

Depois, basta editar um filme de propaganda mentirosa e inseri-la nos meios de comunicação. A insistência em vender um país que não existe (ou um estado, como na Bahia de Jacques Wagner), ressaltando um paraíso aos olhos do povo, basta para subir alguns pontos na popularidade domistificador.

Menos mal que ainda há gente (aqueles vinte por cento que não engolem Lula nem amarrados), que conseguem separar a propaganda mentirosa da realidade do dia a dia, como no filme sobre o governo da Bahia. Claro que não tem nem a mesma qualidade de produção muito menos a beleza do país imaginário do governo federal. Mas vale a pena assisti-lo para poder achar um pouco de graça sobre a nossa dura realidade.




Leia nesta edição:

* O bonde do MC Beltrame
* Amigo Judas
* Lula e o desconforto das leis
* Em boca fechada não entra mosca
* Sindicatos: o gangsterismo explícito nas entidades de classe
* Qual Estado para qual democracia?
* Tempo de trapaça
* Os "Judas" da caravana da ministra
* Educação: um diagnóstico perfeito dos nossos problemas
* A explosão da barbárie
* Manual bananeiro do desconforto
* O Pão nosso de cada dia
* O céu é o limite?
*Governo deve segurar gastos públicos para manter crescimento, diz Coutinho