segunda-feira, dezembro 21, 2009

A dificuldade em ser honesto no Brasil

Adelson Elias Vasconcellos

O jornalista Carlos Alberto Sardenberg, jornalista de economia da rede Globo e do Portal G1, cujos artigos temos publicado com frequência, vem colecionando uma série de casos estranhos: muito estranhos. É do que ele trata no artigo abaixo.

Não é de hoje que a burocracia pública, aquelas repartições esquisitas onde existe muita gente e se trabalho pouco, onde o contribuinte que paga os salários dos “servidores” é feito de palhaço e idiota o tempo todo, é, quiçá, um dos maiores entraves à atividade empresarial do país. Repartição pública nunca combinará com bom senso e muito menos com racionalidade. Há uma felicidade de parte de muitos servidores em espezinhar o contribuinte, uma enorme sede de lhe impor uma dificuldade atrás da outra. Quando não ocorre de que, o contribuinte cansado de idas e vindas e bancar o palhaço, é “cortejado” a soltar um “estímulo” extra, para ver o seu problema imediatamente resolvido. A velha máxima do criando dificuldade para vender facilidade. Aliás, isto vale um estudo sério: quando se tenta descobrir as razões para a devassidão existente no Estado brasileiro, poucos se atentam para este detalhe: foram justamente as reparetições públicas, com a sua péssima qualidade de serviços, que foram criando os famosos jeitinhos, mediante, claro, remuneração compensatória, que disseminaram esta maldição que parece não ter fim.

Pois bem, retornando ao ponto, o jornalista Sardenberg vem catando e selecionando alguns destes causos e, em seus artigos, vem divulgando aquilo que eu chamaria de “a essência dos males que afligem o país”.

Mas também podemos apontar outras razões: primeiro, o servidor que ali é colocado, não tem a menor consciência do seu papel. Ele ali chegou, e vou começar por aí, por uma de duas razões, ou por apadrihamento, e assim não se vê compromissado com coisa alguma, a não ser, lógico, em “servir” ao padrinho, ou por concurso, e no mais das vezes, ele prestou concurso para ter apenas a garantia do emprego. Acha que, por ter ingressado pela porta da frente, trabalhando ou não, servindo ou não, bem ou mal, com chuva ou com sol, o dele está garantido no fim de mes. Assim, que os contribuintes que, afinal, são quem lhe paga o salário, que se lixem! Esta consciência, acreditem, está incrustada em mais de 70% dos servidores públicos.

Depois, porque há uma filosofia vesga dentro do serviço público que é o cidadão quem tem provar que é honesto, que é bom pagador de impostos, de taxas, que tem sua documentação em dia, que está vivo no papel e não morto apesar da presença física não poder ser ginorado mas eles ignoram. Enfim, que somos nós quem devemos correr atrásl Até aí mais ou menos, mas peraí: pagamos impostos para que mesmo? Não é para sermos servidos? E servidor é para fazer o que, por acaso não seria para servir o cidadão, que no fundo, é quem é o seu patrão?

Portanto, de alguma forma que a gente deveria se dedicar em descobrir, deve haver algum meio para PUNIR o mau servidor. Ah, diriam algum, isto existe: mediante denúncia, abre-se um procedimento admiinistrativo. Só que regra geral, o tal “inquérito” é apenas fumaça, e sempre acaba “arquivado”, sem punição nenhuma. E o camarada volta, ou é transferido para outra repartição, onde continuará sendo um péssimo servidor, quando não muito, um cretino se servindo de sua má educação, desonestidade e ignorância plena.

Não é à toa que somos um dos piores países do mundo no ranking daqueles em que é mais fácil de se fazer negócios. Para se ter uma idéia mínima, enquanto na Nova Zelândia voce consome apenas 24 horas para abrir uma nova empresa, aqui não fica por menos de 6 meses para o empresário ter tudo regularizado. E, assim mesmo, se correr tudo bem. E este é apaenas um dos componentes do custo Brasil. No artigo de hoje, totalmente dedicado a divulgação destes “causos”, publicado no Estadão, Sardenberg apresentou 6 pérolas de situações surreais. Acreditem: não exceções. Devem haver milhares de situações semelhantes em todo o país.

Em tempos em que se flala tanto em inclusão, em recuoperação da cidadania, em direitos e liberdades, acredito que, além da educação maciça porque deve passar o povo brasileiro, fazer com que os servidores públicos tenham, no mínimo, mais respeito para com os contribuintes, e trabalhe com um pouco mais de educação e interesse, já resolveria muitos dos problemas que nos afligem.

Porque pior do que pagar muito imposto e não ter nenhum rertorno, é você ser tratado como lixo nos balcões e guichês de atendimento das repartições e serviços públicos. Você se sente o último dos cidadãos. Acho que que um dia quem procurar um atendimento nas repartições, deverá portar no peito um cartaz do tipo “ATENÇÃO SERVIDOR PÚBLICO: O IMPOSTO QUE ME TOMAM, PAGA O TEU SALÁRIO. PORTANTO, TRATE-ME COM RESPEITO E EDUCAÇÃO. ESTA É A TUA OBRIGAÇÃO. NÃO ME ROUBE, COM A SUA IGNORÂNCIA, A MINHA CIDADANIA”.

Ou adotarmos procedimento idêntico ao que se assiste em alguns municípios: tempo fixo e pré-determinado para a rede bancária atender as pessoas. Acima deste limite, MULTA. E quanto maior a reincidência, maior a multa. Que depois, os governos se reembolsem no salário de servidor, descontando-lhe cada centavo que o seu descaso custou aos cofres públicos. Pode não resolver, mas já seria um bom começo.