quarta-feira, janeiro 06, 2010

A fraqueza de um governante festeiro

Adelson Elias Vasconcellos

Pela ordem, desde o Natal, tivemos:

a) ataque a mais de 70 brasileiros, no Suriname, incluindo-se na selvageria abuso sexual a cerca de 20 brasileiras;

b) Chuvas torrenciais em São Paulo e Minas Gerais, causando além de prejuízos materiais sem conta, milhares de desabrigados e dezenas de mortes;

c) No Ano Novo, a tragédia em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, contabilizando-se mais de 70 mortes:

d) Hoje, no Rio Grande do Sul, nova tragédia em que, além das enchentes e os danos que elas provocaram, a queda de uma ponte no interior gaúcho prevendo-se que tenham morrido cerca de 20 pessoas.

Convenham, é um cardápio prá lá de indigesto, com tanta dor e sofrimento, e em tão curto período de tempo.

Em São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul, mesmo que estivessem distantes no momento dos acontecimentos, os governadores destes estados se apressaram em retornar e se descolarem até o encontro da população atingida e com uma postura comum entre eles: nenhum jogou a responsabilidade no colo dos "governos anteriores". Fizeram e estão o que lhes compete: agir para minorar tanta perda, tanto sofrimento. Isto TAMBÉM é governar.

Já no Rio de Janeiro, Cabral bem próximo, demorou mais de um dia para deixar a preguiça de lado e ir de encontro ao local das tragédias. E quando chegou, saiu batendo e acusando todo mundo, menos assumir sua quota de responsabilidade.

A pergunta que me faço desde o ataque no Suriname é: e onde está Lula que, de novo, se esconde da dor que aflige a população brasileira, e sem lhe dirigir uma miserável palavra de consolo?

O silencio presidencial nem é inédito. Tem sido a marca registrada de seu comportamento omisso e débil, quanto o assunto é solidariedade para com os brasileiros atingidos ou por de pura selvageria e xenofobia, caso do Suriname, ou pelas intempéries da natureza, no caso das chuvas no Sudeste.

O Norte e Nordeste, no início de 2009, ficaram semanas após semanas debaixo d’água, desabrigando cerca de 700 mil pessoas conforme noticiamos aqui. Santa Catarina, há cerca de um ano, foi atingida por chuvas e ventos que provocaram dezenas de mortes. Num curtíssimo espaço de tempo, a aviação comercial brasileira contabilizou mais de 350 mortes. Em nenhum destes fatídicos acontecimentos, foi possível perceber a presença solidária do presidente da república.

Lula, como se vê, é o homem da festa, do palanque, das solenidades de lançamentos de engodos travestidos de programas de governo. Mas é o mais covarde dos nossos presidentes por fugir da dor e sofrimento que o povo que governa tem sofrido.

Aliás, parte deste sofrimentlo fica explicado pelo relatório do Contas  Abertas (post anterior), em que se comprova que, em 2009, o governo Lula só conseguiu gastar 21% do total previso na prevenção de desastres. E não é a primeira vez que este "fenômeno" acontece: já vimos aqui que, em anos anteriores, o governo federal sempre fica muito aquém em gastos destinados à melhor proteção do povo brasilseiro contra desastres. Portanto, o silêncio é o sinal claro da omissão.

Tal atitude é, sem dúvida alguma, comprovação de uma das mais deslavadas debilidades de um homem público. Lula, definitivamente, entrou na história, mas pela porta dos fundos, para não ser visto e ser cobrado de sua omissão e covardia diante do sofrimento do povo brasileiro. Nesta hora, não é dinheiro que as pessoas desejam receber: elas pedem conforto, solidariedade, a presença firme do governante a lhes transmitir a confiança e a segurança que lhes falta, para superarem o mau momento. Neste ponto, Lula continua sendo o mais fraco dentre todos os nossos governantes.