quarta-feira, agosto 11, 2010

ENQUANTO ISSO...

BNDES precisa de mais transparência e competição, diz 'Economist'

BBC Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento, o BNDES, precisa de mais transparência e competição, afirma revista britânica The Economist que chega às bancas nesta sexta-feira.

Em uma análise sobre o banco às vésperas das eleições, a Economist comenta críticas e sucessos, afirmando que apesar dos méritos, o BNDES corre o risco de crescer demais.

“A taxa de novos empréstimos do BNDES é agora muito maior do que a do Banco Mundial. Os empréstimos brutos chegaram a R$ 137 bilhões em 2009, o dobro de 2007. Suas conexões políticas também são impressionantes”, afirma a publicação.

Essas conexões políticas explicariam parte das críticas, afirma a revista, lembrando que o banco está envolvido na campanha eleitoral para outubro.

Mas a principal razão seriam as mudanças nos financiamentos do banco durante o ápice da recessão.

“O governo usou o BNDES para injetar dinheiro na economia durante a crise financeira, com resultados dramáticos. Entre setembro de 2008 e janeiro de 2010, o crédito de bancos privados cresceu menos de 10%. O crédito dos bancos públicos aumentou em 50%, e o BNDES responde por metade deste aumento”, afirma a reportagem.

Segundo a revista, os críticos levantam três pontos principais: em primeiro lugar, o banco cresceu demais e neste ano deve financiar 40% de todos os investimentos em infraestrutura e manufatura no Brasil.

Além disso, seus empréstimos são subsidiados e as contas “turvas”. “Ninguém sabe ao certo o valor do subsídio, mas, como um guia, o BNDES empresta a uma taxa de 6%, muito abaixo dos títulos do governo com prazo de dez anos, que garantem uma taxa de 12%.”

Em terceiro lugar, os críticos afirmam que o BNDES empresta para as “pessoas erradas”, entre elas a Petrobras e grandes empresas privadas, criando “favoritos” do governo.

O Banco nega as críticas, mas, segundo a Economist, há dois pontos que não podem ser evitados:

“Em primeiro lugar, o BNDES parece ter aumentado seus empréstimos por muito tempo. Entre 2001 e 2008, ele agiu como contra-peso para o ciclo do crédito. Mas este padrão mudou dramaticamente. Mesmo com a recuperação econômica, os empréstimos do BNDES continuam a subir.”

Em segundo lugar, afirma a revista, o BNDES está prejudicando o desenvolvimento do setor financeiro.

“No momento, o sistema bancário do Brasil é peculiar: bancos comerciais emprestam ao governo e oferecem crédito aos consumidores, mas não sontrolam muitas dívidas de empresas, que na sua maioria se financiam a si próprias com seus lucros.”

E o BNDES corre praticamente sozinho no setor de empréstimos a longo prazo para empresas, diz a Economist.

Mas enquanto empresas como Petrobras, Vale e JBS continuarem recebendo empréstimos subsidiados do banco, o setor privado não tem por que oferecer este serviço, afirma a reportagem.


Enquanto isso...

Doze grupos ficam com 57% de repasses do BNDES

Ricardo Balthazar, Folha de S. Paulo

Maior financiador a longo prazo do país favorece Petrobras, Eletrobras e dez grupos privados, que concentram crédito de R$ 95 bilhões desde 2008

Juro do BNDES é inferior ao do mercado; banco argumenta que grandes empresas concentram maiores investimentos

As chaves do cofre bilionário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estão nas mãos de dois gigantes estatais e um punhado de grupos privados que nos últimos anos se associaram a projetos de interesse do governo.

Levantamento feito pela Folha com base nas operações divulgadas pelo banco revela que a Petrobras, a Eletrobras e dez grupos privados ficaram com 57% dos R$ 168 bilhões destinados a transações contratadas de 2008 até junho deste ano.

Entre os mais favorecidos pela instituição estão as três maiores construtoras do país, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht, que controlam investimentos em diversos outros setores da economia, a mineradora Vale, o grupo Votorantim e o frigorífico JBS.

Além dos repasses que receberam diretamente do banco, alguns grupos foram beneficiados também como sócios de empreendimentos na área de infraestrutura e de companhias de outros grupos que conseguiram empréstimos da instituição.