sexta-feira, outubro 29, 2010

TCU impõe multa milionária a ex-diretor dos Correios

Josias de Souza, Folha.com

Em decisão tomada nesta quarta (27), o TCU condenou Antonio Osório, ex-diretor de Administração dos Correios, a pagar multa de R$ 1,5 milhão.

No mesmo acórdão, Maurício Marinho, ex-servidor que cuidava do setor de compras da estatal, foi multado em R$ 35 mil.

Deve-se a condenação a irregularidades detectadas numa compra de equipamentos de informática. Negócio de R$ 91 milhões.

A coisa aconteceu em 2003, ano inaugural da gestão Lula. Segundo o TCU, Osório e Marinho beneficiaram duas empresas: Novadata e Positivo.

Como? Permitiram que os fornecedores reajustassem os contratos em R$ 5,5 milhões.

Os advogados dos acusados atribuíram o tônico contratual à variação do câmbio. Relator do processo, o ministro Wal¬¬ton Alencar não engoliu.

Para ele, a flutuação da taxa de câmbio é um risco que as empresas devem assumir, não os Correios. Que buscassem outras formas de proteção.

Afora a multa, Osório foi condenado a ressarcir às arcas da Viúva, com correção monetária, o prejuízo de R$ 5,5 milhões.

Neste caso, o ex-diretor vai ratear a cifra com Novadata e Positivo, as logomarcas que se beneficiaram do malfeito.

O caso leva certo constrangimento à campanha de José Serra. Osório e Marinho representavam nos Correios o PTB de Roberto Jefferson, hoje coligado a Serra.

A panela dos Correios explodiu em 2005, depois que Marinho foi pilhado em vídeo recebendo propina.

Sem saber que estava sendo filmado, o ex-servidor contou que o PTB mandava e, sobretudo, de$mandava nos Correios.

O episódio ficou pendurado nas manchetes por várias semanas. Sentindo-se isolado, Jefferson levou os lábios ao trombone.

Em entrevista à repórter Renata Lo Prete, o então deputado destampou o caldeirão em que fervilhava o mensalão. O resto é história já manjada.

O tempo passou, o assédio aos Correios não. O penúltimo escândalo foi protagonizado por Israel Guerra, o filho de Erenice Guerra.

Descobriu-se que o rebento da ex-braço direito de Dilma Rousseff cavava “taxas de $ucesso" ao redor dos cofres dos Correios.