Andrea Murta, Folha.com
WASHINGTON - Aqui em Washington, a vitória foi de José Serra, com cerca de 49,8% dos votos válidos, seguido por Marina Silva, com 23,8%, e em terceiro lugar Dilma Rousseff, com 20,3%.
Foram computados 2.740 votos, pouco menos da metade dos mais de 5.700 eleitores registrados.
Compareci ao Consulado do Brasil em Washington à tarde para ver a votação. Havia bastante movimento nas 15 seções, que não tiveram nenhum distúrbio durante o dia.
Conversei com alguns dos eleitores e o que muitos me relataram é que a escolha se deve mais a presidentes anteriores do que aos candidatos atuais. Isso é ainda mais verdadeiro para os que estão fora do Brasil há muito tempo _votam pela memória que têm dos partidos, não necessariamente em Dilma ou Serra.
A professora Adriana, 37, disse que votou em Dilma porque "ela é do partido do Lula". Já a autônoma Fátima, 48, preferiu Serra justamente porque "é contra o PT". Ela diz ter saído do Brasil quando Lula foi eleito e que, "se Dilma ganhar, aí é que eu não volto mesmo".
Desde a última eleição, o número de eleitores cadastrados em Washington mais do que dobrou. Podem votar ali brasileiros residentes também em Maryland, Virgínia, Virgínia Ocidental, Ohio, Kentucky e Delaware.
Só lembrando: não é preciso ser legal nos Estados Unidos para transferir o título.
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Na imprensa local, a eleição brasileira repercutiu no domingo no "New York Times", no "Miami Herald" e no site da CNN. As histórias se concentram em Dilma Rousseff, retratada como herdeira do presidente Lula. Destacam que ela pode ser primeira mulher presidente do Brasil e lembram seu passado guerrilheiro. Também dizem que o eleitorado esteve um pouco apático durante a campanha e lembram que nem os escândalos recentes tiraram o favoritismo de Dilma.
O site da CNN trazia ainda um vídeo com trechos do debate entre os candidatos organizado pela Folha. A rede dizia que brasileiros e investidores ainda precisam ser convencidos de que Dilma tem a força política para liderar a reforma fiscal e os grandes projetos de infraestrutura que são necessários para manter o crescimento econômico daqui pra frente.