Adelson Elias Vasconcellos.
Hoje Lula concedeu uma daquelas entrevistas que bem caracterizam este homem público: sem princípios morais, sem escrúpulos nenhum, atolado de mentiras e mistificações, denotando, deste modo, o sem caráter (ou mau caráter, como queiram) que ele nunca deixou de ser.
No arquivo todo, o que não faltam são artigos pedindo que a oposição fizesse uma coisa inerente e indispensável na democracia: o-p-o-s-i-ç-ã-o.
Tivesse agido com um pouco mais de ação política, e certamente aqueles 6 e poucos por cento de diferença entre Dilma, a eleita, e Serra, o derrotado, teria virado fumaça.
Num eleitorado de 135 milhões, em nada menos do que 10 unidades federativas, e das mais importantes em termos de PIB, representando cerca de 53% da população brasileira, escolheram ficar com o PSDB e o DEM. Seriam eles menos brasileiros por conta de suas escolhas? Estaria mais da metade da população brasileira apostando no contra, sabotando o senhor Lula e sua candidata eleita? É evidente que não, e quem assim se expressa é um compulsivo vigarista.
Pois bem, na entrevista de hoje, Lula acusou as oposições de terem atuado de forma raivosa durante seus quase oito anos de governo. Só se for raiva contra elas mesmas, a se ver pela sua mansuetude. E duvido que outro presidente neste século, além de Lula, possa contar com uma oposição tão sem atuação. Do que Lula reclamou, da CPMF? Então me provem que, apenas com os votos da oposição, seria possível derrubar sua prorrogação? O espaço está franqueado a quem desejá-lo fazer.
Se alguém neste país, quando oposição, foi de fato raivoso, sabotou TODOS os governos pós 85, este alguém foi Lula. Se há um partido que se negou a atuar em favor do país e em nome do povo brasileiro, quando oposição, este partido tem um único nome: PT.
Que o senhor Lula queira amaciar o caminho para Dilma com a oposição, vá lá: não faz mais nada do que sua obrigação. Não pode, porém, é mentir descaradamente, tentando impor uma falsidade.
Já provei aqui algumas verdades esquecidas por Lula quanto à CPMF: ele e seu partido, quando oposição, sempre votaram contra. Já no poder, Lula desfrutou da bufunfa durante cinco longos anos, arrecadando perto de R$ 160 bilhões de reais. Em todos os anos em que esteve contando com a dinheirama da CPMF, aponte-me em que momento a saúde pública brasileira sofreu alguma melhora? NUNCA. Até pelo contrário: o processo de degradação do serviço de saúde vem numa constante desde Lula assumiu. Ao tentar jogar a culpa da não prorrogação da CPMF para a oposição, Lula está fazendo aquele seu estilo esquisito de transferir a responsabilidade que era sua, para as costas dos outros, preferencialmente, para a turma que lhe foi oposição, sem nunca ter assumido este papel em toda a sua essência..
Nunca se espere de um canalha assumido um momento de correção ou de consciência bondosa. E se a oposição espera que, com Lula fora do Planalto, sua atuação ficará mais fácil, engane-se a vontade: Lula jamais abdicará do papel que entende lhe caber por direito, direito que somente ele lhe confere, o de agir sem ser contrariado. Não admite opositores, não aceita contraditório, odeia a democracia, sataniza a oposição, e não deixa de trajar o manto da hipocrisia e do tirano irresponsável.
Quanto à oposição, já começa com o pé errado. Já deveria ter agendado uma reunião de suas lideranças, traçar planos, desenhar um projeto alternativo para o país e divulgá-lo para a sociedade, estabelecer que não repetirá, doravante, os mesmos erros que comete há oito anos, e que não condescenderá com o governo em momento algum. Dilma não precisa da oposição para aprovar o que bem entender. Tem ampla maioria parlamentar, no Senado e na Câmara, para a recriação da CPMF, por exemplo, que ela e Lula já sinalizam no horizonte próximo. Que paguem o preço político junto à sociedade por suas políticas e projetos. Não pode é a oposição cair nesta armadilha, porque lá adiante, Lula, Dilma e PT não vacilarão em empurrar para PDSB e DEM as culpas pelo retorno da fatídica e execrável contribuição.
Querem mudar a Previdência? Pois que chamem os aposentados por suas associações e falem diretamente aos interessados, não precisam da cumplicidade da oposição para isso. Querem reforma tributária e política, como instrumentos de aprimoramento do Estado, então que levem ao Congresso suas propostas e tentem lá, junto com suas lideranças, verem aprovados seus projetos. Não precisam reunir a oposição e lhe pedir votos. Tampouco a oposição deve buscar parcerias neste sentido para se mostrar “oposição responsável e construtiva”. Não se constrói absolutamente nada com parceiros que a querem destruir e esmagar.
E que fique claro: a oposição deve honrar os votos que recebeu nas urnas, foram mais de 40 milhões de brasileiros que disseram "NÃO" para Dilma e para Lula. Portanto, por representarem tão enorme contingente de eleitores, saibam também dizer “não” ao governo.
É para seu eleitorado maciço , mesmo que minoritário, que as oposições devem voltar seu discurso e seu diálogo. Deve interagir com a sociedade, não com o governo. Para o bem do país, esta reaproximação com a sociedade, principalmente com o eleitorado que conquistou, é indispensável e fundamental. Lula, Dilma e o PT já têm seu público cativo. Portanto, que paguem sozinhos o preço político do que fizerem daqui prá frente. De preferência, sem vigarices.
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