Ricardo Setti, Veja online
(Foto: Clovis Deangelo)
Covas em sorteio público para a entrega de casas populares em 1998
... às mães de família
Tudo bem, vivam os direitos das mulheres.
A medida provisória (que deve se tornar lei) anunciada no Dia Internacional da Mulher, pela presidente Dilma é positiva.
A MP estabelece que, em caso de financiamentos para famílias com renda de até três salários mínimos, quando houver divórcio ou dissolução da união civil estável, a propriedade ficará com a mulher. A única exceção prevista é para os raros casos em que o casal tiver filhos e a guarda for exclusiva do pai. No caso da guarda ser compartilhada, o imóvel também fica com a mulher.
Só que o falecido governador de São Paulo Mario Covas (PSDB), que governou de 1995 até sua morte, fez isso muito antes, e de forma muito mais simples e mais radical: as chaves e as escrituras das unidades residenciais construídas pelo Estado por meio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) já eram entregues, nas cerimônias de sorteios públicos de casas e apartamentos, às mães de família.
Um homem pragmático, Covas costumava dizer: “Homem abandona a mulher e os filhos e vai embora. Mulher, não”.
E pronto.
Mais uma boa ideia de tucanos que o lulo-petismo imita ou adota — como fez com o criticadíssimo Plano Real, de 1994, como fez com os fundamentos econômicos do governo FHC, como fez com as antes demonizadas privatizações, como fez com a rede de proteção social de FHC, redenominada Bolsa Família — e por aí vai.
