sábado, julho 21, 2012

O confisco sobre os salários


Comentando a Notícia

O texto a seguir, de Renato Biazzi, pode ser revelador para alguns, mas se encaixa dentro de uma das críticas que temos feito ao governo petista. Pouco a pouco, a sociedade brasileira, pelo menos uma parte dela, vai se dando conta do processo de confisco de salários que vem sendo feito desde 2003 pelos governos petistas.

Vale lembrar que quando assumiu em janeiro de 2003, a faixa de isenção do imposto de renda na fonte sobre o trabalho assalariado ia até 5 salários mínimos. Hoje, esta faixa de isenção caiu miseravelmente para 2,87 salários mínimos no final do segundo mandato de Lula e , com Dilma, este confisco já é aplicado sobre 2,63 salários mínimos. 

Assim, cada vez que o governo aumenta o salário mínimo, em percentuais superiores ao da correção da tabela do imposto de rena na fonte, ele empurra mais e mais trabalhadores para a faixa de confisco. E isto vem acontecendo, sistematicamente, desde 2003. Sacanagem suprema.

Um detalhe: segundo o tributarista Raul Haidar  (ver artigo nesta edição mais abaixo), esta é uma cobrança ilegal. Releiam este trecho irreparável de seu artigo a respeito: 

“A ilegalidade da cobrança do imposto de renda na fonte está evidente, ante a falta de atualização dos limites da tabela de retenção e também das deduções.”

“Há vários anos a tabela de retenção não sofre a correção que reflete os índices da inflação. O valor do limite de isenção deveria estar hoje em cerca de R$ 3.500,00. De igual forma, deveriam ser corrigidos todos os demais valores em reais que são citados na legislação do imposto.”

É bom que o país comece a despertar para o desgoverno que o Brasil vem sofrendo desde que esta gente assumiu o poder.  Não é a toa que a contribuição do imposto de renda sobre os trabalhadores venha aumentando sua participação, ano a ano, na arrecadação federal. E se autoproclamam como “partido dos trabalhadores”, ou o governo do social. Arre!!!

Segue o texto do Renato Biazzi.

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Correções diferentes entre salários e tabela do IR penalizam trabalhadores

A arrecadação de impostos caminha para bater um novo recorde este ano, e com a contribuição pesada do Imposto de Renda dos trabalhadores.


A arrecadação de impostos caminha para bater um novo recorde este ano, e com a contribuição pesada do Imposto de Renda dos trabalhadores.

O consumo é a grande aposta do governo para manter a economia aquecida. Em um ano, a renda do trabalhador com carteira assinada aumentou quase 10%, segundo o IBGE.

Mas para boa parcela dos assalariados fica difícil perceber no bolso esse aumento. Primeiro porque a inflação no período corroeu parte dos rendimentos. E, para quem tem imposto de renda descontado na fonte, houve mais um problema: a mordida do Leão este ano está sendo maior. No Centro de São Paulo, o Impostômetro já superou R$ 800 bilhões em impostos arrecadados.

“Só esse ano, não acabou o ano ainda, está 800 bilhões! Imagine quando chegar em dezembro, ‘tá’ louco, aí chega nos trilhões”, exclama o motoboy Adriano Adauto.

A marca chegou 11 dias mais cedo que no ano passado, e o Leão contribui muito para isso, porque a tabela do IR não acompanhou nem a inflação, nem os aumentos dos salários.

Um trabalhador que em 2011 ganhava R$ 2.347,85 por mês estava no limite da faixa de 7,5% de desconto na fonte. Com a dedução, pagava R$ 58 de IR por mês. Se ele, por exemplo, conseguiu reajuste na média dos trabalhadores, mudou de faixa. Com o novo salário, de R$ 2.573, passou a ser tributado em 15%. Mesmo com a dedução, agora recolhe quase R$ 80 por mês de imposto; 35% a mais.

“É uma ilusão. Você tem um ganho real que, na verdade, fica para o Leão. Por isso que a arrecadação fica tão robusta, por isso que você chega no final do semestre com 800 bilhões de arrecadação. Grande parte disso é contribuinte pessoa física, o assalariado, a classe média que paga esse imposto de renda”, explica.