quarta-feira, julho 04, 2012

Petróleo também prejudica balança comercial


Mauro Zafalon
Folha de São Paulo 

Depois de segurar, ao lado da soja, o saldo comercial nos primeiros meses do ano, o petróleo agora contribui para o deficit da balança brasileira.

A receita obtida com os embarques de petróleo --terceiro item mais relevante na pauta exportadora de commodities-- caiu 37% em junho em relação a igual mês de 2011, pela média diária.

O curioso é que a retração nas cotações internacionais contribuiu pouco para esse resultado --o Brent acumula queda de 13% em 12 meses.

Enquanto o preço médio dos embarques brasileiros caiu 5% no mês passado, o volume exportado foi 34% menor do que há um ano.

Estoques formados em alguns importadores no primeiro semestre explicam, em parte, a retração no volume de vendas, segundo o analista Marcel Carneiro, que cobre o setor na Lafis Consultoria.

O temor de que as restrições ao Irã afetassem a oferta de petróleo levou algumas nações a antecipar compras, devido ao receio de escassez do produto. É o caso, por exemplo, dos EUA, que registraram em junho o maior nível de estoques desde 1990.

Ao mesmo tempo, as previsões de crescimento da economia mundial foram se deteriorando por causa da crise na Europa e de seus efeitos sobre a economia chinesa. Tais revisões resultaram em menor demanda e em menores preços para o petróleo.

Essas cotações mais baixas, por sua vez, podem ter desestimulado novos embarques da Petrobras, que calcula, com base nos preços externos, se a exportação será rentável ou não.

"Ela pode segurar e vender o petróleo em um momento mais atrativo", diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

No acumulado do ano, no entanto, o petróleo ainda contribui positivamente para o saldo da balança, com aumento de 3,6% na receita. Em volume, há queda de 6%.

Estimulada pelas altas cotações no mercado externo, a soja mantém crescimento dos embarques, com alta de 22% na receita em junho. No ano, o ganho é de 34%.

Entre as maiores quedas, destaca-se o minério de ferro. Também influenciadas pelo cenário macroeconômico, as exportações caíram 17% em junho e 20% no semestre.*