domingo, julho 15, 2012

Sindicato sinaliza que greve nas universidades deve continuar


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Luciene Cruz - Agência Brasil

Proposta do governo será levada a assembleias, mas presidente da associação dos docentes afirma que ela não contempla as reivindicações dos professores das instituições de ensino superior

Foto: Marcello Casal Jr/Agencia Brasil

Brasília – Os representantes das instituições federais de ensino ficaram insatisfeitos com a proposta apresentada pelo governo. Segundo a presidenta da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), Marinalva Oliveira, a oferta governamental não atende às reivindicações da categoria.
“A proposta do jeito que está não contempla nossas reivindicações, que é a reestruturação da carreira, considerando uma carreira atrativa para todos os níveis. Do jeito que está não contempla desde o professor graduado até o professor com doutorado. Atende apenas a uma minoria”, reclamou.

Para Marinalva, a proposta beneficia um percentual pequeno dos docentes universitários. “A tabela mostra a desestruturação da categoria, que atinge poucos professores. Seria beneficiado quem está no topo da carreira. Quem está na base continua com dificuldade de progressão salarial”, disse.

A próxima reunião entre representantes da categoria grevista e do governo federal está agendada para dia 23 de julho. Até lá, a greve, que dura 57 dias, continua. Segundo dados da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes) e do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), a paralisação atinge 57 das 59 universidades federais, além de 34 dos 38 institutos federais de educação tecnológica.

“Hoje estamos com quase 100% da base em greve. Vamos levar a proposta às nossas bases, realizar assembleias para que retornemos ao governo com nossa contraproposta. Esperamos que o diálogo possa acontecer”, disse. O mesmo vai ocorrer entre os grevistas do Sinasefe, que também se demonstraram “frustrados” após a reunião.

“A proposta deixa a gente muito frustrado, não discute a precarização da educação brasileira e não apresenta nada aos técnicos administrativos. Estamos muito insatisfeitos, vamos desenvolver o trabalho democrático de ir para as bases com a proposta e discutir com a nossa categoria, para dar retorno ao governo e dizer o que não nos agrada nessa proposta”, disse o coordenador-geral do Sinasefe, Davi Lobão.

Para o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Amaro Lins, a aceitação da proposta do governo pelos grevistas é apenas questão de tempo. “Acredito que quando as propostas forem analisadas, (os professores) vão reconhecer que esse foi um dos maiores avanços que tivemos até hoje em termos de carreira do docente. Estou convencido que eles vão gostar da proposta e propor imediatamente o retorno das atividades do ano letivo e garantir que estudantes não tenham prejuízo”, declarou aos jornalistas.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A esta altura nem é a proposta do governo que importa refletir: é o fato absurdo de se levar praticamente dois meses com professores em greve e, os mais prejudicados, alunos sem aulas,  para que nosso governo sentasse para negociar e abrir a discussão em torno de propostas  para por fim ao movimento grevista. DOIS MESES, senhor Mercadante? Não é um pouquinho demais? Alguém se preocupou ou se preocupa com o tamanho do prejuízo que estes milhares de alunos sofrerão em sua formação? E ainda querem dizer que Educação no Brasil é prioridade de governo? Os fatos não desmentem o governo ruim na área mais estratégica e vital para o desenvolvimento de qualquer país. Vergonhoso!!!