sexta-feira, novembro 16, 2012

Indigência moral


Adelson Elias Vasconcellos

Eles se deliciam sobre a perenização das misérias morais, institucionais e de desenvolvimento humano que vão implantando país afora, nestes longos 10 anos de poder


Constrangedor e patético  é o mínimo que se pode qualificar o discurso intempestivo do ministro Dias Toffoli no STF, acerca de penas alternativas. Jamais o tenham por ingênuo, porque suas declarações  além de oportunistas, foram maquiavelicamente arquitetadas.  Ele só se deu conta das más condições prisionais após Dirceu ser condenado a 10 anos e 10 meses de prisão. Só agora ele descobriu aquilo que o Brasil e o mundo já reclamam faz tempo sobre as condições imundas e de abandono dos presídios brasileiros.

Na verdade, Toffoli rasga a fantasia e mostra sua verdadeira face. E ela surge ali, no exato instante em que mostra toda a sua hipocrisia em seu manifesto totalitário. Revela-se o esquema denunciado há tempo de  assalto ao poder, da estúpida imbecilização das instituições, do pensamento e da vontade da maioria do povo brasileiro. O PT, e seus agentes cafajestes, exibe sua verdadeira essência. Seu verdadeiro projeto. Sua luta maior. Toffoli, a exemplo de Lewandowski, é capacho destes esquemas, ambos são delinquentes destes projetos, são submissos bate paus desta marcha rumo ao totalitarismo. O PT acusa nos outros aquilo que ele cumpre como verdadeira religião: não é a Justiça que criminaliza a política como alegam seus agentes cafajestes. É a política em seu grau de maior degradação quem tenta criminalizar a justiça e  submeter o Judiciário ao seu projeto de poder corrompido.

Podemos afirmar que, ao contrário do que o PT tenta mentir para o País, foi Lula, com as indicações de Lewandowski e, principalmente, de Dias Toffoli, quem  pretendia aparelhar o STF, submetendo as decisões da nossa Corte Máxima aos caprichos do partido e ao seu projeto de poder. Assim, é fácil constatar até pelas manifestações destas duas indicações, o quanto o PT quer subverter a ordem democrática, tentando, a exemplo do que já fez e faz no Congresso, aliciar os membros do Judiciário, através do STF, roubando-lhe a liberdade e a independência para julgar de acordo com a lei. O manual golpista que os petistas tentam impor ao país, segue religiosamente os princípios já adotados na Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, Nicarágua. Ainda não conseguiram dobrar a maioria do colegiado da nossa Suprema Corte mas, na medida  que vão implementando sua hegemonia política, franjas do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e as demais instituições e órgãos de controle do Estado vão sendo manipuladas, aparelhadas para terminarem se tornando meros despachantes obedientes dos desatinos populistas e totalitários do petismo.

Reparem a cretinice de um Ministro que deveria ser da Justiça  e sua declaração estúpida em relação ao sistema prisional brasileiro. Declaração lastimável só comparada na história aquela do ex-presidente Figueredo, o último dos ditadores militares,  em relação ao salário mínimo. Não se estranha tanto que a estupidez de pensamento de um petista seja coincidente com a de um ditador!!!!

Ora, o PT governa o país lá se vão 10 anos. Não teria sido possível que, em tamanho espaço de tempo, se corrigissem as falhas e as carência dos presídios nacionais? Mais: o ministro esqueceu que sua função é justamente investir no sistema. Tal esquecimento se verifica quando, enquanto as  despesas de seu ministério cresceram, os investimentos em segurança ficaram praticamente estagnados. Ora, senhor Cardozo, a culpa é de quem pelas prisões brasileiras se encontrarem no estado em que se encontram?

O ministro José Eduardo Cardozo ao afirmar “... que prefere morrer a cumprir pena de prisão nos presídios medievais brasileiros...”, bem que poderia aproveitar para explicar porque em 2012 o governo Dilma mobilizou apenas R$ 20,9 mil dos R$ 27,6 milhões previstos pelo Orçamento para construir o quinto presídio federal de segurança máxima. Usou apenas 0,001% dos recursos!!!???

Dos R$ 238 milhões para presídios estaduais, o Ministério da Justiça só empenhou (não gastou, necessariamente) R$119 milhões, em 2012, segundo aponta a ONG Contas Abertas.

Por sua assessoria, o ministro da Justiça celebra gastos de R$ 270 milhões, em 2011, para “novas vagas” em vinte projetos estaduais.

O Fundo Penitenciário (Fupen), do Ministério da Justiça, acumulou R$ 1,3 bilhão desde sua criação, há 18 anos. Dinheiro jamais utilizado. O Fupen foi criado pela Lei Complementar 79, de 1994, e reserva 3% das loterias federais para investimentos no sistema penitenciário.

Retorno a Toffoli. Vejam mais abaixo reportagem do Globo: o mesmo ministro que queria absolver os petistas e critica as penas a que foram condenados, adotou postura completamente diferente em relação  ao deputado Natan Donadon, do PMDB-RO, quando atuou como revisor na ação que julgava o deputado por crime de peculato, em outubro de 2010. Naquela oportunidade, Toffolli não entendeu como “medieval” a pena de 13 anos, 4 meses e 10 dias aplicada ao deputado. No processo, a ministra Carmem Lúcia atuou como relatora e sua dosimetria era maior do que a aplicada por Dias Toffolli, cuja pena acabou prevalecendo. 

Mas por que, então, dois pesos e duas medidas? Simples, Donadon não era do PT, ao contrário de Dirceu, Genoíno e Delúbio Soares. Só por isso. Não é a toa que Toffolli foi reprovado em dois concursos para juiz de 1º grau. Com tamanha falta de critério em relação ao que seja “justiça”, o Judiciário, com sua reprovação,  acabou no lucro. Infelizmente para o STF, mas lamentavelmente mais ainda para o Brasil, Toffoli, advogado petista de carteirinha, que não teve a hombridade  de declarar-se impedido no julgamento do Mensalão do seu partido, acabou conduzido por Lula ao STF, justamente para cuidar dos interesses escusos do PT e seus dirigentes. Por enquanto, a tática resultou infrutífera, mas não estamos longe do dia em que dupla Toffoli e Lewandowski haverá de provar o seu valor e que no peito de cada um bate e vibra um coração petista!

Lewandowski, e até falamos muito deste senhor, deixou bem clara a ideologia que lhe vai na alma. Sua atuação como revisor do mensalão, creio,  não deixou dúvida sobre suas escolhas... 

Quanto ao ministro da Justiça perdeu excelente oportunidade de ficar de boca fechada. Criticar um sistema pelo qual ele já responsável há dois anos e seu partido comanda o ministério responsável  há dez, sem sequer investir um mínimo decente para a melhoria deste mesmo sistema, é um descalabro.  E olhe que o que não faltou foram verbas, programas de segurança, havendo no caminho até um tal de Pronasci – herdado de Tarso Genro, lembram da figura? - que, ao que parece, está mais para Promorto, do que qualquer outra coisa. 

Fica claro a falta de postura, de vergonha na cara, de competência e até de respeito ao povo brasileiro,     saber que no poder circula gente da laia de um Eduardo Cardozo, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski. Infelizmente, estes três cavaleiros da indigência moral não estão sozinhos. O governo petista está lotado deles e em todos os poderes, não só no Executivo. Representam o caminho do atraso pelo qual o partido optou governar o Brasil. E, em qualquer setor deste governo medíocre, não é preciso muito esforço para identificar os retrocessos, a ruindade gerencial, a perda total de valores morais, o total descomprometimento para com o  desenvolvimento do país em nível de civilização. Quanto mais atraso, quanto mais analfabetismo, quanto mais estupidez, quanto mais mensalões e mensalinhos, quanto mais aparelhamentos, mentiras e mistificações, mais eles se deliciam sobre a perenização das misérias morais, institucionais e de desenvolvimento humano que vão implantando país afora, nestes longos 10 anos de poder. 

Por enquanto nossas instituições têm resistido ao assalto de toda esta estupidez criminosa. Mas até quando?   Como bem declarou o jornalista Carlos Brickmann, “...O PT nasceu dizendo que era diferente dos outros partidos. Hoje luta para provar que é igual!...”. Infelizmente, nem igual ele consegue ser: é muito pior!!!!