Marcela Mattos
Veja online
O ministro-chefe Gilberto Carvalho negou mal estar com o Vaticano e disse que posição do governo neste momento é de "respeito"
Alessandro Bianchi / EFE
O papa Bento XVI durante missa de Quarta-Feira de Cinzas,
abrindo o período da Quaresma
Depois de um silêncio de dois dias sobre a renúncia do papa Bento XVI, o governo brasileiro se manifestou nesta quarta-feira, pela primeira vez, quanto à decisão do pontífice, anunciada na segunda-feira. Quem se manifestou não foi a presidente Dilma, mas o ministro-chefe da secretaria-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Ele afirmou que a posição do governo é, acima de tudo, de respeito e de solidariedade à Igreja neste momento.
“Quero atestar que a nossa posição frente a essa decisão é acima de tudo de respeito, de reverência, de um respeito muito forte para que ele possa continuar contribuindo para a Igreja na vida que está escolhendo”, disse Carvalho. “O governo tem uma gratidão ao o que Bento XVI vem desempenhando desde 2005.”
Ao ressaltar que os representantes brasileiros não se apressaram em fazer um grande pronunciamento porque “as atitudes são mais importantes”, Carvalho descartou que exista uma relação fria entre o governo e o papa ou a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em 2010, a CNBB divulgou carta poucos dias antes das eleições na qual pediu para que os fieis não votassem na candidata, que havia se posicionado a favor da legalização do aborto no passado e vinha mudando o discurso ao longo da campanha. A manifestação da CNBB seguiu orientação do próprio papa Bento XVI, que havia dito a um grupo de bispos brasileiros em visita ao Vaticano que eles deveriam ajudar os fieis a usar o voto para a promoção do bem comum.
Carvalho classifica o episódio como superado e afirma que a presidente, após eleita, jamais se manifestou sobre ele. “A CNBB sabe o respeito que Dilma tem pela presença da Igreja no Brasil. Não houve nenhum desconforto”, garantiu. O ministro também comparou o comportamento brasileiro ao de outros países da América Latina, que, segundo ele, também não se manifestaram.
Nacionalidade -
Nesta quarta-feira, Carvalho participou da cerimônia de lançamento da Campanha da Fraternidade 2013, na CNBB, em Brasília. Na ocasião, o secretário-geral da entidade, Dom Leonardo Steiner, disse que não tem preferência pela nacionalidade do novo papa. Ele ressaltou que é mais importante, neste momento, a chegada de um pontífice que consiga tratar de questões como o meio ambiente, a pobreza e as relações em busca de uma nova economia. “Se é europeu, da América Latina, da Ásia ou África, não importa. Se ele nos ajudar nesses pontos, exercerá um grande trabalho”, ponderou.
