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Gustavo Porto, Estadão Conteúdo
A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou ainda que o índice de preços "vai ficar dentro das bandas (2,5% a 6,5%) com certeza"
Elza fiúza/ABr
"A presidente Dilma já reduziu tarifa de energia, já desonerou a
cesta básica e, por isso, temos convicção de que a inflação vai ceder"
São Paulo - A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, descarta a possibilidade de a inflação convergir para o centro da meta (4,5%) neste ano, mas afirma que o índice de preços "vai ficar dentro das bandas (2,5% a 6,5%) com certeza". Após encontro com prefeitos do ABC, em Santo André, a ministra falou que tem convicção de que a inflação vai recuar e que o próprio mercado avalia que o indicador irá voltar para a meta.
"De qualquer maneira, apesar da confiança, o governo está atento a qualquer movimento. A presidente Dilma já reduziu tarifa de energia, já desonerou a cesta básica e, por isso, temos convicção de que a inflação vai ceder", afirmou a jornalistas nesta sexta-feira, 26.
O IPCA, indicador oficial da inflação, acumulou alta de 6,59% em março no acumulado de 12 meses. Acima, portanto, do teto de 6,5% estipulado pelo sistema de metas inflacionárias do governo.
Na reunião com os prefeitos, a ministra recebeu um projeto de mobilidade urbana para a região do ABC, cujos recursos destinados somam R$ 7,8 bilhões. Segundo ela, a proposta será discutida entre técnicos do governo e do consórcio intermunicipal do Grande ABC antes de ser encaminhado à presidente Dilma Rousseff, o que deve ocorrer até a metade do ano.
Miriam, que integra o Conselho de Administração da Petrobras, também informou que na reunião desta manhã do colegiado não foi discutido um aumento de preço dos combustíveis.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quando a ministra afirma que a inflação ,"vai ficar dentro das bandas (2,5% a 6,5%) com certeza", está, claro, incluindo a margem de erro! Haja erro!!!
Há determinadas situações em que a presença das autoridades é importantes para dar uma espécie de “acalmada”. Determinadas setores da população, até por terem pouco ou praticamente nenhum acesso a informações, tomam conhecimento delas por “ouvir dizer” certos fatos, ás vezes de forma distorcida, e acabam gerando certo pânico. Daí que a presença das autoridades trazendo esclarecimentos é saudável para tranquilizar, tipo mostrar que o bicho não é tão feio quanto parece.
No Brasil, destes estranhos tempos em que alguns acham a coisa mais normal do mundo uma comissão do Congresso, a de Constituição e Justiça, e em plena democracia, aprovar um projeto de modificação da Constituição, praticamente eliminando um dos poderes, verdadeiro golpe de Estado, as coisas parecem acontecer de modo diferente.
Por exemplo, há poucos dias informamos aqui que, diante do crescimento do número de casos da dengue, o ministro Alexandre Padilha, da Saúde, veio a público para nos acalmar, dizendo que os casos iriam aumentar muito mais... Não é sensacional?
Agora temos novo caso, parecido com aquele. Diante da inflação que teima em ficar assustando a população, eis que a senhora Miriam Belchior, ministra do Planejamento, por certo cheia de boas intenções, veio a público para nos tranquilizar e dizer que, apesar da inflação ter por meta 4,5% para 2013, ela ficará acima disto, dentro do mesmo espírito com que o ministro Pimentel, da Indústria e Comércio afirmara no dia anterior que não há jeito da inflação ser inferior a 5%, nem neste nem no próximo ano.
Sei que a intenção tanto do Padilha, no caso da dengue, quanto de Miriam Belchior e Fernando Pimentel, no caso da inflação, eram as melhores possíveis: queriam nos tranquilizar para que não nos assustássemos diante do inevitável.
Mas, poxa, não dava para terem calibrado melhor o discurso? Imaginem alguém chegando na emergência de um hospital com febre alta e o atendente, querendo acalmá-lo lhe avisa que aqueles 41° não são nada: a febre ainda vai ficar pior! Caramba, que gente esquisita esta do governo Dilma!!!
