Francisco Carlos de Assis e Beatriz Bulla
Agência Estado
Brasil cresceu 6% em termos anualizados, enquanto a China expandiu 6,9%; ministro da Fazenda destacou que investimentos mostram crescimento com qualidade
SÃO PAULO - Ao comentar o resultado da economia brasileira no segundo trimestre, ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou que o Brasil só cresceu menos que a China.
O PIB brasileiro expandiu 1,5% no segundo trimestre na comparação com o primeiro trimestre do ano, segundo o IBGE. No número anualizado, o Brasil cresceu 6%, enquanto a China expandiu 6,9%.
Segundo Mantega, o cenário internacional teve ligeira melhora, que vai se firmar em 2014. "O fundo do poço foi superado no mundo todo". Isso implica em crescimento maior do comércio internacional, na visão do ministro.
"Nossa trajetória para 2013 é uma trajetória de crescimento moderado, vamos continuar com esse crescimento moderado até o final do ano. Claro que isso não é uma reta, não é linear", afirmou. "O que interessa é a trajetória, e a trajetória é ascendente".
Mantega destacou que o melhor resultado do lado da demanda foi o dos investimentos, que mantêm trajetória de avanço do primeiro trimestre. "Os investimentos mostram que a economia está crescendo com qualidade", disse. Sobre o consumo das famílias, o ministro disse que o resultado trimestral de 0,3% pode ser considerado "moderado".
Guido Mantega afirmou que o Brasil está na "rota da recuperação econômica". "As medidas que o governo vem tomando nos últimos anos têm resultado positivo", disse, mencionando a redução taxa de juros, de tributos e de custos. Segundo ele, tudo isso se traduz em um dinamismo melhor da economia brasileira.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A notícia sobre o PIB do segundo trimestre fez Mantega delirar e esquecer de ler os jornais do dia. Cito três exemplos de países que, além da China, cresceram mais do que o Brasil. Indonésia, Peru e Chile.
Mas dois gigantes da economia empurraram o PIB para cima: a agropecuária, prá variar, e a construção civil, que elevou o nível da indústria.
O resto, andou prá baixo. Porém, no terceiro trimestre, sabe-se que o resultado não será a maravilha que o ministro Mantega está projetando. Primeiro, que a agropecuária antecipou safras. Seu resultado não tão elevado. E a construção civil sofreu uma puxada de freio. Até o consumo das famílias, que vinha sustentando um crescimento mesmo que medíocre, teve queda por conta da inflação e das dívidas.
Assim, toda a euforia do Mantega deveria ter sido menor. O comportamento instável da economia brasileira não autoriza ninguém a prever alimentar esperanças de que agora vai. Não vai, porque não vai. Ponto.