sexta-feira, outubro 18, 2013

Pelegos deixam rombo de 37 milhões na ASSEFAZ; Mantega faz que não vê

Jorge Oliveira
Diário do Poder

Brasília – Quase 100 mil beneficiários da Assefaz podem ficar sem o plano de saúde. Ocupado por pelegos sindicais que engrossam a corrente de apoio a Dilma para reeleição presidencial, a fundação dos funcionários do Ministério da Fazenda saiu de um resultado positivo de quase 90 milhões em 2011 de reais para um prejuízo de 37,2  milhões em 2012 depois que o sindicalista Hélio Bernardes, militante do PTB, o partido do mensalão, assumiu o controle da entidade. Pesa sobre ele no Ministério Público denúncias de nepotismo, favorecimento político e gestão temerária, um caos administrativo que ameaça todos os associados.
 
O  abacaxi já chegou à mesa do ministro Guido Mantega, que ainda não começou a descascar. O Ministério Público procura os responsáveis pelos desmandos, já que Mantega não se pronuncia sobre o assunto. É incrível como um ministro que tem a obrigação de gerar a sétima economia do mundo faz corpo mole para um problema que põe em risco a vida de quase 100 mil pessoas que dependem desse plano de saúde. Ou é incompetência ou incapacidade mesmo para gerenciar um problema social como esse a um palmo do seu nariz.
 
Hélio Bernardes deixou o cargo em setembro sem responder pelo rombo dos quase 40 milhões de reais. No rastro dos desmanados consta a compra por 3 milhões de reais de um software de gestão que emperrou a máquina administrativa da fundação. A partir daí, o programa deixou de emitir cobranças e atrasou o pagamento dos fornecedores. A pane no sistema pode levar à falência do plano de saúde e provocar pânico no atendimento dos associados.
 
Comprar software é o caminho mais curto para se chegar à corrupção no governo petista.  O Protheus, o programa,  foi adquirido por Hélio Bernardes quando esteve à frente da Assefaz.  Bernardes chegou ao comando da fundação apenas por ocupar a diretoria de Assuntos Parlamentares do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal, entidade que deveria dar exemplo de honestidade e correção de gestão. Alheio a administração pública, Bernardes bagunçou o sistema da entidade social que agora está ameaçada de extinção.
 
Os técnicos da Assefaz provaram que a compra do Protheus era dispensável, depois que voltaram a reutilizar o programa antigo desenvolvido de graça por eles.  Os hospitais e os médicos credenciados, com medo de calote, estão se afastando da fundação que ainda continua com problemas para pagar os prestadores de serviço hospitalar e fazer cobranças dos associados.
 
Ao politizar a fundação, Mantega não se preocupou com a qualidade do serviço nem com a capacidade de gerenciamento de quem iria administrar a Assefaz. Para trabalhar à reeleição da Dilma, os ministérios e outros órgãos diretos e indiretos do governo estão sendo loteados e entregues a pessoas desqualificadas. O currículo para preencher cargos importantes é pertencer a um partido de apoio ao PT. E quando se é sindicalista da fábrica petista não precisa nem de currículo. A carta de apresentação é a folha corrida.