O Globo
Pagamento de propina seria feito por meio de empresas de fachada
RIO - O esquema revelado pela revista “Época” inclui a parceria entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em uma série de empresas de fachada offshore. Segundo a revista, a investigação da Polícia Federal mostra que, no ano passado, os dois mantinham quatro contas conjuntas: no UBS Luxemburgo, no Lombard Odier, na Suíça, no Itaú em país não identificado e no banco RBC, nas Ilhas Cayman. A existência de contas conjuntas entre Costa e Youssef foi revelada pelo GLOBO semana passada.
De acordo com a revista, há indícios de pagamento de algumas das principais empresas que vendem combustível para a Petrobras, como Glencore e Trafigura. Procurada, a Trafigura disse que não comentaria o assunto. A Glencore não foi localizada. Os pagamentos teriam persistido mesmo após a saída de Costa da Petrobras, em 2012.
‘Banco do esquema’
Desdobramentos do caso mostram que o pagamento de propina não se limitaria a empresas estrangeiras. Segundo reportagem da revista “Veja”, empresários eram obrigados a pagar de R$ 300 mil a R$ 500 mil para fazer negócios com a estatal. Os recursos, segundo a revista, seriam divididos entre intermediários, diretores da empresa e políticos.
Entre os documentos apreendidos na casa de Paulo Roberto Costa, a “Época” teve acesso a uma planilha com pagamentos de grandes empreiteiras à MO Consultoria, empresa de fachada de Alberto Youssef, que está preso em Curitiba. Na lista, segundo a “Época”, estariam identificadas transferências de companhias como Camargo Corrêa, Sanko, OAS, Galvão Engenharia e Jaraguá Equipamentos à MO Consultoria. A Polícia Federal teria considerado essas transferências como “pagamento com suspeita de ilicitude”. Representantes das empresas não foram encontrados ontem para comentar as denúncias.
De acordo com a revista, os pagamentos foram feitos enquanto Paulo Roberto Costa ocupava a diretoria de Abastecimento da estatal. O ex-diretor era responsável por fechar acordos e renegociar contratos com as empresas responsáveis pela construção de alguns dos principais projetos da Petrobras, como a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Orçada inicialmente em US$ 2,5 bilhões, a refinaria deve custar US$ 18,5 bilhões, como informou a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster ao GLOBO no fim do mês passado.
A Sanko, em resposta à “Época”, afirmou que as datas e valores dos contratos são confidenciais e que a MO foi contratada para serviços técnicos. A empresa também disse que não tem relação comercial diretamente com a Petrobras nem com estatais.
A reportagem diz que, além de Youssef, o genro de Paulo Roberto, Humberto Sampaio de Mesquista, também participaria da operação. Segundo a “Época”, os dois montaram uma “espécie de banco do esquema”, ao providenciar empresas de fachada para receber as propinas no Brasil e em paraísos fiscais.