quinta-feira, julho 31, 2014

Cristina Kirchner dilapidou reservas. Agora elas fazem falta

Míriam Leitão  
O Globo

A Argentina, por erros de gestão de política econômica, se fragilizou para este momento. Em 2010, a presidente Cristina Kirchner resolveu usar as reservas para financiar internamente o governo. Isso a fez perder dólares continuamente nos últimos anos, e, desta forma, ela chega ao momento de uma negociação difícil, e de um calote, sem ter divisas suficientes em caixa. Veja a impressionante queda das reservas desde então, neste gráfico extraído do Banco Central argentino.

Essa política suicida foi adotada pelo governo de Cristina Kirchner daquela forma dramática que ela escolheu governar. Determinou que o BC liberasse parte das reservas e o então presidente do Banco Central, Martín Redrado, se recusou. Ela, por um decreto, o destituiu do cargo, mas como o Banco Central era independente, Redrado conseguiu na Justiça uma liminar para permanecer no cargo. O governo mandou integrantes da Polícia Federal impedir que ele entrasse no prédio. Ele divulgou uma nota chamando a atenção para os riscos e disse que “seria uma irresponsabilidade de minha parte aceitar pressões para o uso das reservas que são de todos os argentinos”.

De lá para cá, o nível de divisas caiu pela metade. Agora, elas farão falta quando o país terá mais dificuldades de acesso a recursos externos. Esse é um dos vários exemplos de erros cometidos pelo atual governo argentino e que levaram o país à situação em que está.

A Argentina tem sido um inesgotável reservatório do que não fazer em matéria de política econômica.