quarta-feira, setembro 24, 2014

Oi fica de fora do leilão de 4G, que terá participação de TIM, Claro e Telefônica

Mônica Tavares
O Globo

Companhia diz que tem outra faixa para atender a clientes no serviço móvel de quarta geração

Marcelo Piu/20-02-2013 
Loja da Oi no Rio 

BRASÍLIA - A Oi informou por meio de fato relevante que não irá participar do leilão da frequência de 700 MHz, frequência de 4ª geração de celular, que será realizado no dia 30 de setembro. Será a única das grandes operadoras a ficar de fora: Claro, TIM, Telefônica e Algar entregaram os documentos de habilitação, os depósitos de garantia e as propostas de preço para a licitação.

A Algar controla a CTBC, que opera nos estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e atende somente a empresas no Paraná, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A Sercomtel, que presta serviço nos municípios de Londrina e Tamarana (PR), foi outra operadora que não apresentou proposta. E também não houve nenhum interesse de empresa estrangeira como era a expectativa do governo.

Segundo o fato relevante da Oi, por considerar que a faixa a ser leiloada só poderá ser utilizada em 2019, a companhia decidiu manter a "sua estratégia de investimento em projetos estruturantes de rede que atendam aos objetivos de melhoria do nível de qualidade e percepção dos serviços prestados aos seus clientes no acesso fixo e móvel e reforçar os investimentos em aumento de cobertura e capacidade da rede móvel e na expansão de banda larga e TV paga".

A empresa alegou que já tem frequências suficientes para para prestar o serviço aos seus clientes e atender o seu mercado. No 4G, lembra que possui a faixa de 2,5GHz que servirá os clientes e atenderá às obrigações de cobertura até 2017 e que pode, no futuro, utilizar a faixa de 1,8GHz.

O edital do leilão foi aprovado pela diretoria da Anatel no dia 21 de agosto. O preço mínimo das outorgas é de R$ 7,7 bilhões, para as empresas que são novatas no mercado brasileiro. Mas o valor mínimo de desembolso no leilão será de R$ 11,8 bilhões, porque as companhias de telecomunicações terão que pagar, além do valor das outorgas, R$ 3,6 bilhões.

Esses recursos são para cobrir os custos das empresas de telecomunicações com o ressarcimento de 1.100 radiodifusores com a mudança de faixa que ocupam atualmente. Eles também vão garantir o acesso da população à TV digital, porque serão destinados a distribuição de conversores com interatividade e uma antena para as 14 milhões de famílias inscritas do Bolsa Família.

FUSÃO COM A PORTUGAL TELECOM
A empresa está em um conturbado processo de fusão com a Portugal Telecom. A crise entre as duas companhias começou após a PT ter comprado sem avisar, há quatro meses, € 897 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões) em papéis da dívida da RioForte, empresa do Grupo Espírito Santo, que passa por dificuldades financeiras e é dono de 10% da PT. Os títulos venceram há duas semanas e não foram pagos. A RioForte está em processo de recuperação judicial, assim como outras empresas do grupo português.

Com isso, segundo o texto final do memorando de entendimento, a fatia da PT na CorpCo, empresa resultante da fusão, caiu de 37,3% para 25,6%. A participação da companhia portuguesa vai crescer conforme a PT pague a dívida, já que foi feita uma “permuta” de ações que correspondem ao valor do débito. A PT terá um prazo de seis anos para pagar. A CorpCo, por sua vez, só deve ser criada em março de 2015, seis meses depois do previsto inicialmente.

MAIS ENDIVIDAMENTO
A Oi fechou o segundo trimestre com aumento de 52,8% no endividamento: no fim de junho, a dívida da líquida da companhia somou R$ 46,239 bilhões, o maior volume da história da companhia. Além de absorver os passivos da operadora portuguesa, de R$ 21,2 bilhões, a companhia carioca já contabilizou em seu balanço o calote da RioForte. Com o calote, o caixa disponível da companhia foi afetado em R$ 2,7 bilhões, somando R$ 5,9 bilhões.

Dessa forma, a companhia apresentou prejuízo entre abril e junho de R$ 221 milhões, uma alta de 77,8% em relação às perdas de R$ 124 milhões do mesmo período do ano passado.

Mas a dívida líquida da companhia deve apresentar melhora nos próximos dois trimestres. A companhia informou que espera a entrada de R$ 1,2 bilhão até o fim do ano com a venda de torres. A operadora lembrou ainda que está avaliando a venda de outros ativos, como imóveis, de forma de gerar caixa para a empresa.