quinta-feira, maio 07, 2015

Procurador-Geral quer incriminar Eduardo Cunha de qualquer jeito

Carlos Newton
Tribuna da Internet


Para destruir Cunha, Janot mistura formato ‘Word’ com ‘PDF’

Os sites dos jornais divulgaram segunda-feira que o procurador-geral da República Rodrigo Janot considerou “despropositada” a versão do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de que houve fraude no setor de informática da casa legislativa. Conforme a Folha e o Globo revelaram na semana passada, os arquivos de computador de dois requerimentos protocolados pela então deputada federal Solange Almeida (PMDB-RJ) indicaram Eduardo Cunha como “autor”.

Os requerimentos pediam que a Câmara solicitasse informações ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao Ministério de Minas e Energia sobre os contratos fechados entre as empresas Mitsui e Petrobras. De acordo com depoimento prestado por um dos delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, o objetivo dos requerimentos, segundo ele feitos a pedido do lobista Fernando Soares, era pressionar o empresário Julio Camargo a pagar propina no esquema da Petrobras.

Cunha negou participação na formulação dos requerimentos e disse que suspeitava de fraude no setor de informática, pois haveria discrepância entre a data do protocolo dos requerimentos e as datas registradas nos arquivos de computador.

JANOT REFORÇA A DENÚNCIA
Nas contrarrazões encaminhadas ao ministro-relator Teori Zavascki, em resposta a um recurso em que os advogados de Cunha pedem o trancamento do inquérito no Supremo, afirmou o procurador-geral Janot:.

“Embora o investigado tenha levantado por meio da imprensa a hipótese de fraude (…), esta versão se mostra completamente despropositada, pois, em verdade, a data que consta no arquivo é posterior à data em que o requerimento foi protocolizado porque aquela data diz respeito à data em que o arquivo em formato ‘Word’ – em que foi apresentado o requerimento da deputada Solange Almeida – foi convertido em formato ‘PDF’ para divulgação na internet. Neste sentido, é bastante evidente que a conversão somente poderia ocorrer após a sua apresentação à Comissão, não havendo nisto qualquer indício de fraude“, escreveu Janot, acrescentando que o procedimento é rotina “bastante comum” na Câmara.

Os jornais festejaram a argumentação de Janot e aumentaram o tom das denúncias contra Cunha, sem mencionar o principal argumento de defesa apresentado pelo presidente da Câmara, que na semana passada enviou a todos os integrantes da CPI da Petrobras documentos para se defender de sua vinculação aos requerimentos suspeitos de terem sido feitos para achacar a Mitsui.

A DEFESA DE CUNHA
Na quarta-feira, Cunha mostrou aos membros da CPI que os registros no gabinete dele foram feitos um mês depois dos registros no gabinete da então deputada Solange Almeida, fato que muda bastante a questão, mas os jornais, no afã de destruírem Cunha, não publicaram este importantíssimo detalhe.

Agora, é o procurador-geral da República que investe contra Eduardo Cunha, com uma argumentação tresloucada que ganha destaque no noticiário. Na tentativa de justificar a diferença de datas, Janot usa uma justificativa patética, de quem não sabe nada de informática, pois mistura arquivos em formato ‘Word’ com transcrição em ‘PDF’, quando não é disso que se trata e qualquer transcrição de formato pode ser feita de imediato, não é preciso esperar um mês.

PROCURADOR DISTRAÍDO
Estranhamente, o procurador Janot não percebeu que a data de registro da proposta no computador de Cunha, em que ele é tido como “autor” do requerimento, é muito posterior à data do requerimento apresentado oficialmente à Mesa pela deputada Solange Almeida.

A este respeito, Cunha se defende com um argumento plausível. Afirma que, se fosse o autor do documento, o registro em seu computador teria de ser anterior à apresentação do requerimento pela deputada. Este é o fato, extremamente óbvio,  que não pode ser negado, pois fatos ou existem ou não existem. É com base neste argumento que o presidente da Câmara assinala que pode ter havido fraude, e esta hipótese não deve mesmo ser descartada numa investigação policial, que deveria ser urgentemente feita.

BIOGRAFIA NO LIXO
Diante de tudo isso, fica evidente que o deputado Eduardo Cunha está incomodando o establishment. Por isso, querem destruí-lo de qualquer maneira, e com apoio integral do procurador-geral da República.

O pior é que, para cumprir a espinhosa missão, Rodrigo Janot está tomando atitudes que  jogam no lixo sua biografia trajetória, que está próxima do fim e daqui a pouco poderá ser arquivada em formato ‘Word’ ou em ‘PDF’, digamos assim, para falar a mesma linguagem do douto comandante do Ministério Público Federal..

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

O comportamento do senhor Janot é, para dizer o mínimo, muito estranho. Quer dizer, nesta república petista de trambiqueiros, acaba nem sendo tão estranho assim. Eduardo Cunha sempre foi odiado por Dilma, e o deputado tem agido na presidência  da Câmara com uma desenvoltura e independência que o governo petista não estava acostumado. 

Assim, Janot, para agradar sua nomeação, pôs na cabeça que Eduardo Cunha é culpado de alguma coisa, qualquer coisa, que ele, Janot, não conseguiu saber ainda qual é, mas tenta achar chifre em cabeça de cavalo para ver se constrange o deputado e este se mostre mais “acessível” aos interesses do Planalto.