Ana Clara Costa
Veja online
Ministro sinalizou que razão do rebaixamento da nota de crédito é política e voltou a defender mais impostos, sem detalhar quais serão elevados
(Pedro Ladeira/Folhapress)
O ministro da Fazenda Joaquim Levy durante entrevista para explicar
as consequências da perda do grau de investimento do Brasil
anunciada pela agência Standard & Poor's
O ministro da Fazenda Joaquim Levy fez uma apologia clara à elevação de impostos como forma de tentar reverter o déficit orçamentário de 30,5 bilhões de reais previsto para o ano que vem. A apresentação do texto orçamentário com previsão de déficit e a falta de clareza sobre qual caminho percorrer para restabelecer o equilíbrio fiscal fizeram com que agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixasse a nota de crédito do Brasil na noite de quarta-feira, o que tirou do país o selo de bom pagador a investidores estrangeiros.
Levy avaliou que o Brasil não pode ser vítima de "miopia", e deve enxergar o aumento de impostos como "esforço adicional" com o objetivo de garantir que o país seja um porto seguro para investidores. O ministro negou-se, contudo, a detalhar quais impostos serão elevados. "Se a gente tiver de pagar um pouquinho de imposto para o Brasil ser reconhecido como um país forte, por que não fazermos? Eu tenho conversado com empresários e eles entendem o esforço", afirmou.
O ministro também deu mostras de que se exime da culpa pelo rebaixamento, sobretudo depois que a Standard & Poor's afirmou, em coletiva nesta quinta-feira, que confia na seriedade de seu trabalho e atribuiu parte culpa pelo rebaixamento à desarticulação política. Levy evitou culpar o Congresso diretamente, mas sinalizou que o esforço para recuperar o equilíbrio fiscal é "de todos". Levy disse ainda que tem certeza que a presidente Dilma vai "liderar" a votação do orçamento no Congresso, que já deverá conter novas previsões de cortes.
Na noite de quarta-feira, em entrevista ao Jornal da Globo, Levy também fez aceno à responsabilidade do Congresso, o que deu origem a declarações nada satisfeitas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que afirmou que o Congresso executou seu papel ao votar as medidas do ajuste fiscal.
