Laryssa Borges e Ana Clara Costa
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Com 275 dias de atraso, presidente corta 8 pastas, 3.000 cargos comissionados e adota medidas populistas para tentar frear o impeachment na Câmara
(Pedro Ladeira/Folhapress)
SOBREVIDA – A presidente Dilma Rousseff anuncia o novo ministério:
último movimento para não perder a cadeira
Depois de dez meses de resistência, a presidente Dilma Rousseff cedeu e reformulou seu governo para tentar frear o processo de impeachment que germina na Câmara dos Deputados. A partir de segunda-feira, a engrenagem da máquina pública passa a ser regida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo PMDB, considerado o fiador de sua permanência na cadeira.
Nesta sexta-feira, Dilma cortou oito das 39 pastas, menos do que o esperado, e o que não lhe tira a primazia de estar cercada por um dos maiores ministérios do planeta - Barack Obama administra a maior economia do mundo auxiliado por 22 secretários. O efeito positivo da desidratação ministerial deve ser o fim de 3.000 cargos comissionados em Brasília. O restante das medidas tem mais caráter populista do que reflexo significativo no Orçamento: os salários dos ministros e da própria Dilma - 30.934,70 reais - serão reduzidos em 10% e os voos em primeira classe estão suspensos.
No xadrez político, a operação anti-impeachment entregou sete pastas, com orçamentos robustos em ano pré-eleitoral, ao PMDB. É o maior quinhão já concedido ao partido desde que Lula assumiu o poder em 2003. O PMDB não só ganhou terreno, mas indicou dois deputados pouco conhecidos para comandar a Saúde e Ciência e Tecnologia, pastas dotadas de programas de alta capilaridade nas bases eleitorais e emendas parlamentares prontas para serem liberadas a granel. No próximo ano, uma parte significativa da bancada peemedebista deve ir às urnas tentar um mandato de prefeito ou se empenhará para eleger aliados nos rincões do país. O afago à bancada de deputados é uma tentativa sem máscara de manter ao menos dois terços dos 60 parlamentares tutelados ante o desejo do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de fazer o impeachment correr e tirar Dilma do cargo até o final do ano.
No caso do PT, engana-se quem pensa que o partido perdeu força. Além de despachar o desafeto Aloizio Mercadante do Palácio do Planalto - foi realocado na Educação -, Lula instalou um dos seus melhores amigos na chefia da Casa Civil, Jaques Wagner, e um nome fisiológico na nova Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. Este último já foi presidente do PT, tem raiz no sindicalismo e interlocução com os movimentos sociais, atributos considerados cruciais por Lula num ano marcado por protestos nas ruas contra Dilma e a dilapidação da imagem do PT. Ou seja, a regência do governo ficará nas mãos de Lula.
Após 275 dias de resistência, Dilma fez o que não queria e montou um governo provisório para enfrentar os piores dias de crise política e econômica que ainda vão chegar.
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Confira as
mudanças no primeiro escalão presidencial
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Jaques Wagner
(PT)
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deixa Defesa e assume Casa
Civil
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Aldo Rebelo
(PCdoB)
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assume Defesa e deixa Ciência
e Tecnologia
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Miguel
Rosseto (PT)
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deixa Secretaria-Geral e
assume Trabalho e Previdência (unificados)
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Aloizio
Mercadante (PT)
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deixa Casa Civil e volta à Educação
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Nilma Lino
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assume Cidadania (fusão das Secretarias da Igualdade
Racial, Direitos Humanos e Mulheres)
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Ricardo
Berzoini (PT)
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assume Governo (fusão das Secretarias Geral da
Presidência e Relações Institucionais)
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Helder
Barbalho (PMDB)
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deixa Pesca e assume Portos
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Ministros novos e
demitidos
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Marcelo Castro (PMDB) assume
Saúde
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Celso Pansera (PMDB) assume
Ciência e Tecnologia
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André Figueiredo (PDT) assume
Comunicações
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Renato Janine Ribeiro demitido
da Educação
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Arthur Chioro (PT) demitido da
Saúde
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Edinho Araújo (PMDB) demitido
dos Portos
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Pepe Vargas (PT) demitido os
Direitos Humanos
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Guilherme Afif Domingos (PSD)
deixa Micro e Pequena Empresa (anexada a Desenvolvimento e Indústria)
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Eleonora Menicucci (PT) -
demitida de Políticas para as Mulheres
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Carlos Gabas - deixa a
Previdência Social (anexado ao Trabalho)
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Manoel Dias (PDT) - demitido
do Trabalho
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Mangabeira Unger (PMDB) -
deixa a Secretaria de Assuntos Estratégicos (extinta)
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Ministérios
inalterados
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Gilberto Kassab (PSD)
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Cidades
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Joaquim Levy
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Fazenda
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Nelson Barbosa
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Planejamento
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Edinho Silva (PT)
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Comunicação Social
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Mauro Vieira
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Itamaraty
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Patrus Ananias (PT)
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Desenvolvimento Agrário
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Kátia Abreu (PMDB)
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Agricultura
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Eduardo Braga (PMDB)
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Minas e Energia
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Juca Ferreira (PT)
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Cultura
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José Eduardo Cardozo (PT)
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Justiça
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Tereza Campello (PT)
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Desenvolvimento Social
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Henrique Eduardo Alves (PMDB)
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Turismo
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Armando Monteiro (PTB)
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Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior
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George Hilton (PRB)
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Esportes
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Gilberto Occhi (PP)
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Integração Nacional
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Antônio Carlos Rodrigues (PR)
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Transportes
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Izabella Teixeira
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Meio Ambiente
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Luís Inácio Adams
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Advocacia Geral da União
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Alexandre Tombini
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Banco Central
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Valdir Simão
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Controladoria Geral da União
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General José Elito
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Segurança Institucional
(secretaria perde status de ministério)
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Eliseu Padilha (PMDB)
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Aviação Civil
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