O Globo
Vice-presidente, chefe de gabinete e ministros saem do governo favorecidos
JUAN MABROMATA / AFP
No ano passado, estourava o escândalo Ciccone, em que o vice-presidente
Amado Boudou foi acusado de ter aceito 70% das ações da empresa que
imprime a moeda do país em troca de sua influência para salvar a
companhia que estava à beira da falência, além da injeção de
novos recursos. Este suborno teria ocorrido em 2010, quando
Boudou ainda era ministro da Economia de Cristina
BUENOS AIRES - Entre os principais nomes do kirchnerismo listados pelo "Clarín" por multiplicação de patrimônio, dois são alvo de investigações por suspeita de enriquecimento ilícito. O vice-presidente Amado Boudou chegou ao governo em 2007 como diretor-executivo da Anses, a agência de previdência social argentina. Rapidamente assumiu o Ministério da Economia e, em 2011, foi eleito vice de Cristina.
Nos últimos três anos, se tornou alvo de diversas investigações que avaliam possíveis fraudes e conflitos de interesses em negociações nas quais o vice-presidente se envolveu, e foi acusado por sua ex-mulher, Daniela Andriuolo, de ter falsificado documentos durante o processo de partilha de bens do casal após seu divórcio. No período analisado pelo diário, o patrimônio de Boudou teria passado de US$ 83.744 para cerca de US$ 228 mil, mas a Justiça argentina acredita que muitos de seus bens não estariam registrados em seu nome.
Confira outros.
Ricardo Echegaray. À frente da Administração da Receita Pública Federal (Afip) desde 2008. Chegou com US$ 14.300 e deixa o cargo com US$ 747.110, um aumento de 5.124%.
Sergio Berni. Atual Secretário de Segurança, chegou à equipe do governo em 2003 com patrimônio declarado de US$ 23.300 e deixa o cargo com US$ 715.155, um aumento de 2.966%.
Héctor Icazuriaga. Comandou a Secretaria de Inteligência do Estado entre 2003 e 2013. Chegou ao cargo com US$ 7.640, e sai com US$ 125.574, um aumento de 1.543%.
Aníbal Fernández. Em 2003 assumiu o cargo de ministro do Interior, e atualmente é chefe de Gabinete de Cristina. Seu patrimônio era de US$ 70.215, e ele sai com US$ 350.208, um aumento de 398%.
Juan Manzur. Ministro da Saúde entre 2009 e fevereiro de 2015. Chegou ao cargo com US$ 516.369 e sai com US$ 2.381.823, um aumento de 361%.
Carlos Tomada. Ministro do Trabalho desde 2003. Chegou ao cargo com US$ 14.421, e sai com US$ 62.734, um aumento de 335%.
Alicia Kirchner. Ministra do Desenvolvimento Social desde 2003, irmã de Néstor Kirchner e futura governadora da província de Santa Cruz. Chegou ao cargo com um patrimônio declarado de US$ 16.623, e sai com US$ 65.750, um aumento de 290%.
