Nonato Viegas
Revista ÉPOCA
Há processos com mais de 400 dias parados com Nildson da Cruz. Em todo o Tribunal, são 2.600 na mesma situação
(Foto: Marcelo Piu/Agência O Globo)
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
Há, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, 2.600 processos que extrapolam o prazo de 100 dias sem movimentação, segundo levantamento da própria Corte. Desse total, 68% estão sobre as mesas de apenas dois desembargadores: Nildson Araújo da Cruz, da 6ª Câmara Criminal, e Mônica Feldman de Mattos, da 27ª Câmara Civil do Consumidor. Cruz acumula 1.010 processos. Alguns deles, com mais de 400 dias sem movimentação. Já a desembargadora Mônica, segundo o levantamento, acumula 768 ações paradas.
Questionado pela EXPRESSO, o desembargador Nildson da Cruz respondeu, via assessoria de imprensa, que “vem sofrendo há um ano com sérios problemas de saúde decorrentes de hérnias que comprimem o seu nervo ciático. Ele trabalhou durante as suas férias para despachar os autos”. O comunicado afirma, ainda, que “os julgamentos na 6ª Câmara Criminal, presidida pelo desembargador, são feitos de forma meticulosa e estudada, envolvendo muitas vezes processos volumosos e complexos”. Para encerrar, o desembargador informa que “não há reclamações nem pedidos de redistribuição das ações por parte dos advogados”.
Sobre a desembargadora Mônica Feldman de Mattos, o TJ-RJ afirma que “a magistrada integra uma das Câmaras Cíveis do Consumidor, que, pela natureza da matéria, recebe um volume de ações muito superior ao das Câmaras Cíveis não especializadas” e que a “desembargadora trabalha de segunda a sexta-feira, chegando ao Tribunal pela manhã e saindo à noite, com extrema dedicação ao seu trabalho, sendo certo que, tendo trabalhado durante todo o período de suas férias neste mês de junho, logrou significativa redução de seu acervo, o que restará atestado na próxima estatística a ser aferida”.
