O Globo / Agências Internacionais
Relatório do organismo aponta para queda nos pedidos de asilo, mas prevê aumento do desemprego
- PAU BARRENA / AFP
Após desembarcar do navio Datillo, da guarda costeira italiana,
migrante em cadeira de rodas recebe atendimento da equipe
de voluntários no porto de Valência
PARIS - A chegada dos refugiados representa grandes desafios para os países de recepção, sobretudo no que envolve a integração destas pessoas ao mercado de trabalho, destacou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ao divulgar o relatório "Perspectivas das Migrações Internacionais 2017" nesta quarta-feira. Lançado em um momento em que a imigração está pautando políticas na Europa e nos Estados Unidos, o documento indica que os 34 países da OCDE receberam 1,64 milhão de solicitações de asilo em 2017, uma queda de 25% na comparação com o ano anterior (1,23 milhão).
"Estamos nos afastando do auge da crise de refugiados e estamos entrando em uma fase complexa, na qual a integração destas pessoas é a prioridade", afirma no relatório Stefano Scarpetta, diretor de Assuntos Sociais da OCDE.
De acordo com o organismo com sede em Paris, a entrada dos refugiados nos países membros da OCDE poderia aumentar a população ativa em 0,4% até o fim de 2020. Mas a organização também prevê um aumento do desemprego de "algo ao redor de 6% até 2020".
Na Suécia ou Áustria, que também registram um importante fluxo de refugiados, o impacto será maior nas categorias da população com nível de educação baixo, que enfrentarão uma concorrência crescente dos migrantes e refugiados.
"Como a integração leva tempo, a chegada de novos refugiados pode contribuir para aumentar, ao menos a curto prazo, o número de pessoas desempregadas", indica Scarpetta. "No entanto, os dados históricos mostram que a médio e longo prazo o impacto dos refugiados no mercado de trabalho é limitado e que, se existe um efeito, este é positivo", afirmou a OCDE.
Em um relatório mais amplo sobre tendências de imigração, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse que o maior êxodo foi, pelo terceiro ano seguido, de Afeganistão, Síria e Iraque.
KARPOV / AFP
Migrantes a bordo do navio Aquarius que ficaram sem destino
até a Espanha aceitar acolhê-los -
EUA SUPERAM ALEMANHA
Apesar da queda no número geral, houve mudança na configuração do fluxo migratório global. A lista de países da OCDE com mais pedidos de asilo em 2017 foi liderada pelos Estados Unidos, que superaram a Alemanha, que estava em primeiro lugar desde 2013, anunciou a organização, que pediu a Washington para não ignorar a inquietação sobre a questão migratória.
As solicitações de asilo aumentaram 26% nos Estados Unidos no ano passado, a 330.000 no total. O dado, também compartilhado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) na terça-feira, foi divulgado no momento em que aumenta a indignação com as medidas de separação de famílias sem documentos na fronteira com o México.
O presidente americano Donald Trump afirmou esta semana que seu país "não será um campo de imigrantes e não será um complexo para manter refugiados", antes de citar a crise migratória na Europa para justificar suas polêmicas medidas de tolerância zero.
Quase 40% das pessoas que pedem refúgio nos Estados Unidos são salvadorenhos, venezuelanos e guatemaltecos, destacou o organismo, enquanto a Europa registra a chegada principalmente de refugiados sírios, afegãos e iraquianos.
LEILA MACOR / AFP
Migrantes aguardam atendimento de voluntários
em centro humanitário em McAllen, Texas
A União Europeia está gravemente dividida sobre o tema e tem enfrentado dificuldades para revisar suas regras de asilo, focando, ao invés disso, em reforçar suas fronteiras e impedir novas entradas. Solicitações para Estados membros do bloco caíram quase pela metade.
A Alemanha registrou uma queda de 73% dos pedidos de asilo na comparação com o recorde registrado em 2016, com 198.000 solicitações. Itália (127.000), Turquia (124.000) e França (91.000) aparecem em seguida.O relatório também mostra que a Espanha, terceira via de entrada pelo mar na União Europeia, registrou um aumento de 6,6% nos pedidos de asilo em 2016.
As solicitações de venezuelanos, que fogem da crise aguda em seu país, dispararam e passaram de 585 em 2015 a 3.960 em 2016 e a mais de 10.600 em 2017.


