João Pedro Caleiro
Exame.com
Puxado por Alimentação e Bebidas e Transportes, IPCA teve a maior alta desde janeiro de 2016 e acumulado anual já se aproxima do centro da meta
(Diego Vara/Reuters)
Prateleiras vazias em supermercado de Porto Alegre
São Paulo – A inflação no Brasil foi de 1,26% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta sexta-feira (06).
Foi a maior alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde janeiro de 2016 (1,27%), assim como a mais alta para o mês de junho desde 1995, quando ficou em 2,26%.
A taxa veio acima da previsão do mercado financeiro de 1,15%, de acordo com o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (02), mas na linha dos 1,26% previstos em levantamento da Reuters.
Com isso, o acumulado da taxa nos últimos 12 meses está em 4,39%, já próximo da meta do governo de 4,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima (teto de 6%) ou para baixo (piso de 3%).
Grupos
Alimentação e Bebidas, de longe o grupo com maior peso no índice, acelerou de 0,32% em maio para 2,03% em junho e contribuiu sozinho com 0,50 ponto percentual na taxa final.
As principais altas foram do leite longa vida (de 2,65% em maio para 15,63% em junho) e do frango inteiro (de -0,99% em maio para 8,02% em junho).
“A alta em junho foi reflexo da paralisação dos caminhoneiros ocorrida no final de maio”, diz o comunicado do IBGE.
A dificuldade de abastecimento leva a uma queda na oferta de produtos. Se houver estabilidade ou alta na demanda, a tendência é que os preços subam.
Outro grupo impactado foi o de Transportes. A gasolina subiu 5% no mês e contribuiu, sozinha, com 0,22 ponto percentual para a taxa final. Já o etanol subiu 4,22% e teve contribuição de 0,04 p.p.
Juntos, os dois itens responderam por mais de um quinto da taxa mensal. Transportes também teve quedas de preços em itens como óleo diesel (-5,66%) e passagens aéreas (-2,05%), mas com peso menor.
O grupo Habitação também disparou, de 0,83% em maio para 2,48% em junho. O principal responsável neste caso foi uma alta de 7,93% na energia elétrica, já que as contas em junho tiveram bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adicionou R$ 0,05 por kwh consumido.
Mas também houve impacto de uma alta de 2,37% no gás encanado após reajuste de 1,87% nas tarifas no Rio de Janeiro e de 3,35% nas tarifas em São Paulo.
O gás de botijão teve alta de 4,08% e 0,05 p.p. de impacto e a taxa de água e esgoto subiu 1,10% influenciada por reajustes em Curitiba, Salvador, São Paulo e Recife.
Dos nove grupos monitorados pelo IBGE, só Vestuário teve deflação em junho (-0,16%) enquanto Comunicação ficou estável.
|
Grupo
|
Variação maio, em %
|
Variação junho, em %
|
|
Índice Geral
|
0,40
|
1,26
|
|
Alimentação e
Bebidas
|
0,32
|
2,03
|
|
Habitação
|
0,83
|
2,48
|
|
Artigos de
Residência
|
-0,06
|
0,34
|
|
Vestuário
|
0,58
|
-0,16
|
|
Transportes
|
0,40
|
1,58
|
|
Saúde e cuidados
pessoais
|
0,57
|
0,37
|
|
Despesas pessoais
|
0,11
|
0,33
|
|
Educação
|
0,06
|
0,02
|
|
Comunicação
|
0,16
|
0,00
|
|
Grupo
|
Impacto maio, em p.p.
|
Impacto junho, em p.p.
|
|
Índice Geral
|
0,40
|
1,26
|
|
Alimentação e
Bebidas
|
0,08
|
0,50
|
|
Habitação
|
0,13
|
0,39
|
|
Artigos de
Residência
|
0,00
|
0,01
|
|
Vestuário
|
0,03
|
-0,01
|
|
Transportes
|
0,07
|
0,29
|
|
Saúde e cuidados
pessoais
|
0,07
|
0,04
|
|
Despesas pessoais
|
0,01
|
0,04
|
|
Educação
|
0,00
|
0,00
|
|
Comunicação
|
0,01
|
0,01
|
