O Estado de São Paulo
Líder opositor venezuelano publicou vídeo nas redes sociais convocando população às ruas contra líder chavista
O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, afirmou nesta terça-feira, 30, que militares o apoiam em movimento para acabar com a "usurpação do poder" no país e convocou todos para as ruas do país para pressionar o presidente Nicolás Maduro.
Leopoldo López, outra figura-chave da oposição Venezuela, também está nas ruas ao lado de Guaidó. López cumpria prisão domiciliar e disse ter sido solto após os soldados que vigiavam sua casa deixarem de reconhecer a liderança do chavista.
Veja imagens ao vivo da Venezuela, transmitidas por um canal opositor a Maduro:
Em entrevista à Rádio Eldorado, o deputado opositor venezuelano Richard Blanco, que acompanha o líder opositor Juan Guaidó em Caracas, sugeriu que militares cubanos, russos, o movimento xiita libanês Hezbollah e a guerrilha colombiana Exército de Libertação Nacional (ELN) estão em Caracas e apoiam Nicolás Maduro.
Blanco afirma que muitos militares venezuelanos apoiam a convocação de Guaidó, que mobiliza a população a tomar as ruas do país em 1º de Maio, mas ele não sabe precisar, no entanto, quantos mudaram de lado e desertaram.
O líder opositor Juan Guaidó anunciou em um pronunciamento diante da Base Aérea de La Carlota, uma das mais importantes da Venezuela, que obteve o apoio dos militares para "pôr um fim à usurpação", em referência a derrubada do presidente Nicolás Maduro.
Ele estava acompanhado de seu padrinho político, Leopoldo López, que fugiu da prisão domiciliar com auxílio de agentes do Sebin, o serviço secreto venezuelano.
López e Guaidó convocaram manifestações de rua para respaldar sua movimentação contra o governo. Pelo menos 3 mil pessoas se dirigiram aos arredores da base e foram reprimidos por soldados leais a Maduro. Houve confronto e blindados chavistas arremeteram contra a multidão.
O ministro da Defesa Vladimir Padrino disse que a tentativa de golpe foi debelada em todos os regimentos militares. O homem forte do chavismo, Diosdado Cabello, convocou militantes chavistas e milícias civis armadas a defender o Palácio de Miraflores. Algumas centenas de pessoas apareceram.
Há relatos de que o principal general que teria se aliado a Guaidó seria José Ornellas Ferreira, chefe de gabinete das Forças Armadas, além de alguns agentes do Sebin. Se isso for confirmado, representaria um ganho importante para Guaidó, que até agora reuniu apoio de soldados de baixa patente e alguns oficiais da reserva e adidos militares.
Os Estados Unidos e países sul-americanos, entre eles o Brasil, apoiaram a iniciativa de Guaidó. México e Bolívia criticaram a medida.
Há registros de protestos nas cidades de Maracaibo e San Cristóbal, no oeste da Venezuela, além de Caracas segundo a agência France Presse. Em virtude da falta de luz crônica em parte do país, é difícil obter relatos sobre cidades mais afastadas do interior.