quinta-feira, maio 07, 2020

CALA A BOCA, CAPITÃO!!!!!

Comentando a Notícia


Tentei pesquisar a origem da expressão “cala boca já morreu” mas não fui feliz. Sei, contudo, que se trata de uma expressão bastante antiga e usual. Quando garoto, adolescente (faz tempo, hein?) esta expressão era bastante empregada. Isto é pelos anos 60/70 do século passado quando o Brasil vivia o tacão da ditadura militar, onde se censurava o ruído causado por alguém mascando chiclete. Quem quer que divergisse era logo taxado de comunista ou subversivo e ia trancafiado, torturado, às vezes morto nos porões dos quartéis (vide Vladimir Herzog).

Mas nas rodinhas da garotada alguém sair-se com esta expressão “cala boca já morreu, quem manda em mim sou eu”. Afinal, as reações dos adolescentes de ontem e hoje são as mesmas em termos de rebeldia. 

Na medida que o país retornava ao regime democrático e com ele a sociedade retomava suas liberdades e garantias, a expressão pouco a pouco foi caindo em desuso. Voltou a ser lembrada, mais recentemente, pela ministra do STF, Carmem Lúcia, ao proferir uma palestra, em 2015, sob o tema Imprensa. E nesta semana, diante da ação ensandecida e tresloucada do presidente Bolsonaro ao mandar, por três vezes, os jornalistas que o aguardavam na saída do Alvorada, vociferar um “oca”  de forma agressiva e desequilibrada. 

Ora, quem mais do que o senhor Bolsonaro tem que calar a boca?  Só que, no dia do pedido de demissão de Sérgio Moro, do Ministério  da Justiça e Segurança Pública, em seu discurso de despedida, o ex-ministro alinhou uma série de acusações contra o presidente, pela manhã, Bolsonaro à tarde, desviando-se das acusações e tentando chamar Moro de mentiroso além de desqualificá-lo o quanto pode, ele se auto incriminou confirmando boa parte das acusações, principalmente quando afirmou que precisava, no comando da Policia Federal, “alguém de sua confiança, com quem pudesse interagir, telefonar, e receber relatórios confidenciais”. Não precisava acrescentar mais nada. 

Nesta terça-feira, para rebater a mensagem que Moro enviara para o |Jornal Nacional, em que Bolsonaro remete a Moro um link de O Antagonista sobre políticos estarem sendo investigados sobre manifestações antidemocráticas, e afirmar “Mais um motivo para troca”, não só Bolsonaro confirmou a acusação que o ex-ministro lhe dirigira, como deixou à mostra seu repúdio à ação de repressão ao garimpo ilegal quando foram incendiados máquinas e equipamentos dos criminosos.

Além disto, e apesar de  números demonstrarem o contrário, o senhor presidente ainda insiste em minimizar a pandemia, insistir em acabar com as medidas restritivas que evitam o aumento do contágio, sempre que pode, este senhor mente descaradamente, distorce os fatos para que se encaixem em seu discurso genocida. 

Sempre que pode, Bolsonaro sai chutando as canelas da imprensa, dos ministros do STF e da turma do Congresso, sempre de maneira grosseira, intempestiva, destemperada e desequilibrada. 

Como se nota pelos atos e palavras deste escroto, quem precisa colocar-se em frente ao próprio espelho é Bolsonaro, para dirigir-se a si mesmo a e berrar “CALA BOCA CAPITÃO”. 

Combate à pandemia – 

Foi preciso morrerem 9.146 mortes e 135.106 pessoas infectadas pelo coronavírus (fora as milhares de subnotificações) e o sistema de saúde colapsar com serviços funerários esgotarem sua capacidade de sepultamento, para o senhor Bolsonaro finalmente acordar. Segundo o anúncio do ministro da Saúde na coletiva desta quarta-feira, o governo prepara uma campanha publicitaria de esclarecimento da população sobre a pandemia do covid-19. O preço que o país está pagando pelo descaso e irresponsabilidade do presidente tem sido alto demais. Bolsonaro com sua ação desastrada, não só agravou a pandemia, mas com as crises políticas sucessivas desviou da sociedade daquilo que seria maias prioritário: combater o vírus. 

Mas isto só ainda é insuficiente: enquanto prefeitos e governadores não imporem multas pesadas e até detenção quando for o caso, a população brasileira não vai tomar consciência do seu papel quanto ao isolamento. Tem muita gente festeira e irresponsável pouco se lixando para o contágio ser universal.  
Outra Ação indispensável: tornar obrigatório em todo o território nacional o uso de máscaras. Vai entrar no transporte público sem máscara? Simplesmente ser impedido de entrar. Andando nas ruas sem a máscara? Multa e detenção. Ou levamos a sério ou ainda vamos lamentar o crescente número de infectados e óbitos.

Claro que muito político, jornalista e jurista se posicionará contra. Em países de primeiro mundo isto foi praticado e poucos reclamaram e os resultados positivos apareceram. Está na hora do Brasil deixar de bonzinho com o vírus e agir de forma drástica para combate-lo. Isto é trabalho de cada um e de todos. 

É política de guerra. Não tem outo jeito, ou faltará espaço nos cemitérios. Nos hospitais quase já não há mais.

Os reais (e escusos) interesses na PF do Rio-

 Quatro investigações e informações contidas em inquéritos da PF, no Rio,  se relacionam com filhos ou pessoas próximas ao presidente, como o deputado Hélio Lopes e Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Um quinto caso envolveu o desejo do presidente de mudar o delegado da Receita Federal no Porto de Itaguaí.

Quando a estupidez faz morada -  

Nem bem fechou-se 24 horas do Brasil ter batido o recorde de mortes em um único  dia e eis Bolsonaro, com ministros e empresários, dirigindo-se  ao STF, em audiência fora da agenda com o ministro Dias Toffoli, para pressionar aquela instância para que o Judiciário decidisse em favor da flexibilização da quarentena. Isto é uma patifaria descomunal. E mais: na tal comitiva, cadê a presença do ministro da Saúde?

Ora, contágios e mortes estão em linha ascendente, e Bolsonaro resolve manter seu discurso genocida de liberar geral? Convenhamos, este senhor perdeu o juízo e joga no lixo toda a condição para continuar governando o Brasil.  É intolerável o senhor Bolsonaro querer transferir para o Judiciário uma responsabilidade exclusivamente sua. 

Por sorte, Toffoli foi inteligentíssimo ao cobrar do governo “qual é o plano?”. Bolsonaro e empresários simplesmente chegaram de mãos vazias: eles não têm plano nenhum e cabe à Presidência coordenar com governadores e prefeitos um plano de ação.  E um detalhe: ao contrário do que apregoa o presidente, a economia não está parada. Muitos setores da indústria, dos transportes, do agronegócio, da produção e do comércio estão em atividade plena.

Reajuste sem propósito – 

Não é que o Congresso resolveu aprovar um socorro de R$ 120 bilhões para estados e municípios colocando um bônus cafajeste de liberar reajustes para até 70% dos servidores. Ou seja querem dinheiro de graça, sem contrapartida? Canalhice suprema.

Bolsonaro diz que vai vetar a pedido do Paulo Guedes. Detalhe: segundo se comenta no Congresso, (Major Olímpio, líder do governo), quem autorizou o reajuste foi o próprio Bolsonaro. Ou seja, trata-se mesmo de um escroto.

Um recado para Bolsonaro: sem pessoas vivas e sãs não haverá economia pra desfrutar. Questões econômicas depois é possível recuperar, vidas não. E se você, seu escroto não quer ajudar a combater o vírus, pare de incentivar a morte e a doença.