quarta-feira, maio 27, 2020

O perigo é acharem que o vídeo era a única prova. Não era!

Comentando a Notícia

Bolsonaristas de todos os matizes, ministros e mesmo Bolsonaro comemoram a exibição do vídeo da reunião ministerial patética de 22.04.2020, cujo sigilo foi levantado pelo ministro Celso de Mello, na sexta feira, 22/05, por entenderam que nele não se encontrou a tal “bala de prata” que os mesmos personagens temiam. É aí que mora o perigo.

Este inquérito, por tudo quanto já se sabe, não se restringe apenas ao tal vídeo. A interferência na PF fica indicada em alguns trechos, mas o que o consagra são os atos anteriores à reunião praticados por Bolsonaro, e os que seguiram. 

Bolsonaro acusara que tentou mas não conseguiu mudar agentes da ponta de sua segurança,. Mentiu. A imprensa pesquisou e mostrou que Bolsonaro fizera mudanças na sua segurança, via GSI, sem problema algum antes de 22.04.  E só conseguiu mudar tanto a Direção Geral da PF quanto o superintendente do Rio de Janeiro a partir da demissão de Sérgio Moro. Mais|: o ex-ministro exibiu mensagens de texto, as quais repassou como provas à PF, em que Bolsonaro o pressiona a “mais uma razão para troca”, a partir de um link do site O Antagonista, comunicando investigação de deputados de sua base parlamentar.   

Além disso, no dia da demissão de Moro, ao discursar à tarde, Bolsonaro evidenciou seu desejo de receber informações confidenciais da Polícia Federal, afirmação que ele próprio já havia feito na reunião ministerial. 

Seguindo, tem-se o propósito presidencial de praticar mudança na PF apenas na Direção Geral e na superintendência, seu domicílio e de seus filhos. Sabe-se da interferência em operação de busca e apreensão que seria feita na residência de Flávio, seu filho, e que de repente foi suspensa. Sabe-se do vazamento ao próprio Flávio de outra operação que ligava Flávio, Queiroz e as rachadinhas. O mesmo Flávio já impetrou 11 ações judiciais tentando suspender as investigações.  A justiça até agora indeferiu tudo.

Portanto, antes de soltarem rojões e saírem para comemorar o não aparecimento da tal “bala de prata” é melhor aguardar o andamento do inquérito. 

Não se sabe quais outras evidências foram apresentadas e que permanecem em segredo neste inquérito. 

A acusação da tentativa de interferência política na Polícia Federal, por tudo que já se sabe está mais do que comprovada. Porém, atrevo-me a dizer que esta acusação de “interferência” acabará se tornando a menor das preocupações que Bolsonaro deve observar. 

A interferência um crime ainda mais grave que é a de obstrução de justiça, no caso, as investigações que estavam em curso contra Flávio Bolsonaro. E, como se viu, foram maias de uma ação de obstrução. E isto, para um presidente da República, representa crime de responsabilidade passível de processo de impeachment   . 

Mesmo que o presidente da Câmara de Deputados, o deputado Maia, a quem cabe acatar os pedidos de impedimento que são protocolados no Congresso – já são mais de 30 pedidos - diga que não  há clima no momento para abertura de tal processo ( e não há mesmo, a prioridade é o combate à pandemia do covid-19), a partir da exibição pública do vídeo da reunião ministerial de 22.04, a pressão política pelo afastamento de Bolsona da presidência tende a crescer carregando consigo movimentação cada vez mais intensa da sociedade civil. 

Não pensem que a nota estúpida redigido pelo Gen. Augusto Heleno se restringia apenas a uma possível apreensão do celular do presidente, nota esta aprovada pelo Ministro da Defesa neste sábado.  Hoje, no Planalto, até mesmo dentre a ala militar do Ministério, existe um forte clima de apreensão do cenário que lentamente vai se desenhando contra a permanência do presidente no comando do país. A reunião não é, de fato, a temida bala de prata, mas é rastilho de pólvora suficiente para iniciar um incêndio de grandes proporções no ambiente político.  Daí a ameaça de “consequências imprevisíveis na estabilidade nacional” feita pelo chefe do Gabinete da Segurança Institucional.

Bolsonaro conviveu o ambiente do Congresso por cerca de 30 anos. Ele sensibilidade suficiente, em razão deste convívio, para sentir quando o cerco começa  se fechar em torno de si. Não por outra razão, o presidente apressou-se em selar aliança com o Centrão, abraçando a velha política que ele tanto criticou durante a campanha, para conquistar votos suficientes pra impedir a aprovação de um processo de impedimento. 

Collor caiu por conta de um Fiat Elba. Dilma caiu por conta de malabarismos contábeis nas contas públicas transgredindo os limites impostos por lei.  Bolsonaro, quiçá, poderá despencar por crimes muito mais graves.

Seria de bom tamanho, como forma de se precaver, que o presidente desse um parada nas suas agressões e ataques aos demais poderes e adotasse uma postura, por longo, de paz e amor. Se continuar e insistir em exalar ódio, rancor, agressões e ataques estúpidos tanto ao Judiciário quanto ao Legislativo Federal, se teimar em agredir, dia após dia, órgãos de imprensa que apenas fazem seu trabalho de informar, se permanecer abrindo guerra contra governadores e prefeitos se opondo ao combate que  eles estão travando para combater à pandemia, insistir com ofensas até com termos chulos, rapidamente verá sua aprovação popular despencar para índices bastante baixos.

E sua tropa de milicianos – que se dizem militantes e não passam de fscistóides -   é bom que recolham suas armas e manifestações estúpidas, mais palha na fogueira estão jogando. O clima ficou muito ruim, mas pode piorar muito mais. Não pensem que as vítimas da pandemia que já perderam mais 22 mil familiares, além dos que assistem o sofrimento   de cerca de 350 mil infectados, diante da nenhuma ação de Bolsonaro, além de sua teimosia em minimizar a pandemia,  estão batendo palmas de louvor. Seu sentimento de revolta e repulsa é imenso.  Joguem, ainda,  neste caldeirão os milhares de beneficiários do tal auxílio emergencial que, ou padecem nas portas da Caixa em filas quilométricas ou ainda aguardam  a aprovação do benefício,  como combustível para desaprovação completa da atuação presidencial. 

O cerco se fecha rapidamente. Mais um ou dois meses (assim esperamos) a pandemia tende a sumir ou reduzir drasticamente seus efeitos danosos, O depois, caso Bolsonaro não mude de atitudes, poderá trazer todo este clima de desaprovação e até de revolta contra o presidente, e é bom não contar com  a fidelidade do Centrão. Basta pequena mudança na direção dos ventos, e eles não hesitarão em saltar para fora do barco. 

Para encerrar: a grande recolta de Bolsonaro contra instituiçõrs e imprensa, é que ele descobriu que não tem o pode que imaginava ter. A Constituição de 1988, apesar de seus muitos defeitos, teve a grande virtude de fracionar o poder. Não o colocou de forma absoluta nas mãos de um único indivíduo. Gost ou não, Bolsonaro precisa seguir as leis, negociar aprovação de projetos com o Congresso que mudar, recusar desaprovar porque sua função, em última análise não é apenas aprovar leis. Maas cabe-lhe também fiscalizar o Poder Executivo. 

Como Bolsonaro não consegue, apesar de queree, reinar de forma absoluta tal qual os generais presidentes da ditsdura, isto o deixa irritado, fora de s Em suma: aos poucos Bolsonaro está descobrindo o que é DEMOCRACIA. Por ela foi eleito, mas nunca soube quais as regras do jogo. 

Operação da PF contra as fake news –

 O blog ainda voltará a esta matéria. Mas, FINALMENTE, a PF resolveu por um ponto final na bandidagem do “gabinete de ódio” e suas ações de difamação através de fake News. Interessante é que, ontem, os bolsonaristas comemoraram a ação da mesma PF contra o governador do Rio de Janeiro. E hoje, se insurgiram contra a mesma PF. Pimenta no fió alheio é refresco, né? Detalhe: Bolsonaro vaia dar parabéns à PF hoje, como ele fez ontem? Fala aí, Bolsonaro!!!