Germano Oliveira
Revista ISTOÉ
Foto: Reprodução/Twitter
Acompanhando o relato do repórter Juliano Dipp, da Rádio Bandeirantes, que está acompanhando a tragédia baiana, hoje logo cedo, mostrando que famílias foram acordadas na madrugada desta quarta-feira com mensagens de som das prefeituras locais pedindo para que todos deixassem suas casas, pois barragens de romperam e tudo iria por água abaixo, ficamos chocados. Ele mostrou relatos de gente que tudo perdeu com as chuvas descomunais. Os relatos nos deram uma grande sensação de revolta e de indignação. Como pode um presidente da República, eleito pelo povo, inclusive pelo baiano, não tomar conhecimento desse drama, virar as costas para o povo e ainda por cima tripudiar dessa população desesperada ao se deliciar nas exuberantes praias catarinenses. É repugnante. Nojento. Dá náuseas. Em qualquer lugar decente, ele teria interrompido a farra na praia e tomaria providências. Mas aqui esse homem indecente não se comove, assim como não se comoveu com as mais de 619 mil mortes por Covid.
Que o presidente é negacionista, que ajudou a matar pessoas com o coronavírus, não apenas deixando de comprar as vacinas na hora certa, mas também desestimulando o uso de máscaras, fazendo pouco caso do distanciamento social, incentivando aglomerações e outras tantas atitudes criminosas, todos nós já sabemos. Isso ficou sobejamente comprovado durante a CPI da Covid, que o indiciou por dezenas de crimes cometidos. Um governo insensível e desumano, que deveria ser julgado até mesmo por genocídio no STF ou na Corte Internacional de Haia. Juristas importantes já defenderam isso. Mas o que ele vem fazendo em Santa Catarina é vilipendiar, desprezar pela vida das pessoas, que sofrem com as enchentes na Bahia. É doloroso ver o que estão sofrendo. De cortar o coração nesta época do ano em que todos deveriam comemorar dias melhores. Mas, sob o governo Bolsonaro, isso não é possível. Ainda viveremos tempos de horror até terminar o mandato dessa insensato.
Sarcasticamente, diz que não interromperá seu passeio no litoral catarinense, mordomias mantidas pelos cartões corporativos, com comida e bebida farta, paga pelos impostos de todos os brasileiros, inclusive dos moradores da Bahia, que paradoxalmente agora agonizam sob as cheias, mergulhados na mais dura miséria. O irresponsável e despreparado presidente diz ter enviado para o local das enchentes alguns ministros (o incompetente Queiroga, o obscuro Rogério Marinho e o insignificante João Roma). Ora, esses ministros são os mesmos que vão ao local das cheias na Bahia e liberam somente R$ 200 milhões, quando para seus projetos eleitoreiros são destinados bilhões e bilhões. Pior, dos R$ 200 milhões, apenas R$ 80 milhões serão destinados para todo o Nordeste, enquanto que outros R$ 70 milhões para o Norte e R$ 50 milhões para o Sudeste. É uma desfaçatez. Ação indigna de um desgoverno.
O governador da Bahia, Rui Costa, por exemplo, já disse que dos R$ 80 milhões para o Nordeste, apenas uma parte ficará para a Bahia e o estado está precisando muito mais para recuperar os prejuízos. O que Bolsonaro destinou para a região é uma esmola. Não vai dar para nada. Ora Bolsonaro, tire essa bunda gorda do jet ski e vá para a região ou para Brasília trabalhar por mais recursos. Sabemos que vossa senhoria nunca gostou de trabalhar, vagabundeia há anos, mas faça alguma coisa. Como é o Centrão que manda no caixa do governo e o senhor não manda mais em nada no governo, implore para o Arthur Lira liberar mais recursos das emendas do Orçamento para enviar mais dinheiro para a Bahia. Afinal, para que servem as emendas de relator que consumirão R$ 16 bilhões? Para que servem as emendas parlamentares de R$ 36 bilhões que o presidente e os deputados usam para desviar dinheiro do Orçamento em prol de seus apaniguados e que invariavelmente são usados para desvios e compras superfaturadas? Ora, peguem uma parte disso e socorram o povo. Se o presidente continuar insensível e apenas surfando nas belas praias catarinenses, certamente os eleitores saberão lhe dar uma resposta nas urnas em outubro. Mas nem assim Bolsonaro parecer estar preocupado. Está se lixando para o povo.