domingo, julho 30, 2006

PESQUISA ELEITORAL

Por Raymundo Negrão Torres (*) em Mídia sem Máscara

A reeleição do presidente, para os americanos do norte, é a oportunidade de julgar o mandatário incumbente, rejeitando-o para um segundo mandato ou reelegendo-o. No Brasil, a julgar pelas pesquisas, isto parece correr o risco de não acontecer. Um governo incompetente, inoperante, sem um projeto de desenvolvimento nacional, corrupto e corruptor, parece bafejado por pesquisas favoráveis que o deixam mais arrogante e acenam com a entrega do governo, por mais quatro anos, a um presidente demagogo, falastrão e inescrupuloso, que viu auxiliares imediatos e de confiança serem postos na rua da amargura e afastados por graves irregularidades e mente descaradamente ao alegar completo desconhecimento dos crimes que ocorriam à sua volta.

Poder-se-ia pôr em dúvida o valor das pesquisas, feitas por institutos que vivem à sombra e dependentes das tetas do Erário. Realmente, quanto poderá representar a opinião de dois mil entrevistados para um eleitorado de mais de cem milhões de votantes, selecionados em apenas uma centena de municípios, em amostragem facilmente manipulada?

Além disso, todos sabemos que boa parte de nossa gente vota com o "estômago". Situação boa favorece o governo, embora, como agora, essa situação muito pouco tenha a ver com o que fez ou deixou de fazer o governo Lula. Tivemos no passado vários exemplos disso, como no estelionato eleitoral do Plano Cruzado, perpetrado pelo governo Sarney, e na euforia do Plano Real que elegeu e reelegeu FHC. No momento em que a ação da luta armada comunista impunha a mais pesada repressão aos terroristas e guerrilheiros, o governo Médici ostentava os mais altos índices de aprovação, graças aos bons ventos do "milagre brasileiro", o que levou o metalúrgico Lula a dizer que se houvesse eleição direta, Médici seria eleito com facilidade.

(Leia texto completo em http://argumentoeprosa.blogspot.com/)

COMENTANDO A NOTICIA:

Este foi o último artigo escrito pelo General Negrão Torres, cinco dias antes do seu falecimento.
Perfeito, o texto fala por si e o governo Lula confirma palavra por palavra, vígula a vírgula, tudo o que este excelente artigo produz. Ao morrer, morre um pouco de lucidez que ainda existe no Brasil. Contudo, é de se esperar que a sua leitura desperte um pouco a consciência que devemos ter para sabermos separar o verdadeiro estadista, e que por isso merece ser votado por todos, do aventureiro, demagogo e falastrão que merece ser varrido e impedido de entrar na vida pública para não contaminar as intituições com seu ranço e atraso. Que Deus o abençoe, Gen. Torres, e lhe dê a paz que merece, e que o seu texto traga uma pouco a luz do esclarecimento de que precisamos muito.