terça-feira, agosto 08, 2006

Leitura recomendada - 5

Lula quer a Constituinte-peru

Sebastião Nery (Tribuna da Imprensa )

Na manhã de 14 de dezembro de 68, o Brasil acordou com o AI-5 sobre a cabeça e o ministro Gama e Silva com a ressaca na boca. E os presos começaram a chegar ao quartel da PE do Exército, em Brasília, recebidos pelo comandante Epitacio: jornalistas Carlos Castelo Branco e Otacilio Lopes, deputados Martins Rodrigues (Ceará), secretário-geral do MDB, Mario Covas (São Paulo) e Paulo Campos (Goiás), líder e vice-líder do MDB na Câmara.

E daí a pouco, protestando, esbravejando, arrastado e carregado, o bravo e venerando advogado Sobral Pinto, com 75 anos. Tinha sido preso, de madrugada, em um hotel de Goiânia, onde defendia o ex-governador destituído Mauro Borges, cassado por Castelo Branco desde julho de 66.
Sobral Pinto

O coronel do quartel goiano fez força para ser simpático:
- Doutor Sobral, afinal de contas nós dois pensamos igual.
- Nada disso. Eu não quero tirar a sua liberdade e o senhor está tirando a minha.
- Mas nós dois queremos a democracia, doutor Sobral.
- Também não, coronel. A democracia que eu quero é governo escolhido pela Nação. E a democracia que o senhor quer é governo escolhido pelos senhores e imposto à Nação.
- Já entendi. A diferença é que o senhor quer uma democracia como a dos outros países, liberal. E eu quero uma democracia à brasileira.
- Meu senhor, à brasileira só peru.
E voltou para seu canto e sua democracia, atrás das grades. Imediatamente foi levado para Brasília.
Texto completo aqui.