
Claro que a intenção de desestabilizar a candidatura de José Serra é, neste momento, de grande importância para o PT. Segundo apontam as pesquisas, Serra ganha, no primeiro turno, disparado à frente de Aloísio Mercadante, o candidato petista que está patinando nos pífios 12/13% e não sai disso.
O preço da maldade do Fernando Rodrigues foi ter sido desmascarado e perder o restante de credibilidade que tinha junto a opinião pública. Jornalismo não tem por tarefa difundir mentiras e calúnias pelos veículos de que serve, sob pretexto do direito a informação. Atingir a integridade alheia com mentiras, por certo, não se enquadra neste contexto.
Rapidamente, os paulistas se puseram a campo e encontraram uma foto onde aparece o presidente Lula ao lado do então ministro Humberto Costa (este sim, atolado até o pescoço, nas investigações), num ato de entrega das famosas ambulâncias. E daí ? Prova que o presidente participava da máfia ? É lógico que não. O fato do presidente aparecer ao lado de Fidel Castro prova ou indica que nosso presidente seja ditador ? É claro que não. Até porque o que se investigava é desvio de dinheiro público, propinas, corrupção ativa e passiva, e não fotos de entrega de ambulâncias. Desmascarado, Fernando ainda deve uma explicação do seu intento desonesto, e a serviço de um grupelho partidário que ainda não percebeu o significado da expressão “ética”. O que também não significa que todo o PT seja desonesto.
A única coisa que se lê no blog do jornalista mau-caráter é o comentário a seguir:
"[Pomar-PT] [pomar@pt.org.br] [São Paulo]
Fernando, deu chabú as fotos do Serra que eu te mandei. A oposição descobriu que também tem foto do Lula entregando ambulância com sanguessuga. Mas valeu pelo serviço, sei que sempre posso contar com você e o Josias. Depois te mando mais orientações. Pomar/PT".
Elucidativo, não é mesmo?
O impressionante é que o PT quanto mais tenta se descolar da lama encontrada debaixo de seu tapete, mais se afunda. A seguir recolhemos uma notícia no blog do Cláudio Humberto:
Vedoin insinua envolvimento de Mercadante
O deputado Eduardo Valverde (PT-RO) terá muito a explicar aos companheiros de partido e, principalmente, ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato ao governo de São Paulo. Segundo revelou um senador a este site, durante o interrogatório do empresário Luiz Vedoin, sócio da Planam e um dos chefes da máfia dos sanguessugas, na Polícia Federal, Valverde empenhou-se em pressionar o depoente para que ele confirmasse o envolvimento parlamentares pefelistas e tucanos no esquema, como o senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB-TO). Insistiu muito. O problema é que Vedoin negava que essas pessoas estivessem envolvidas na compra superfaturada de ambulâncias para municípios carentes, mas, diante da insistência de Valverde, o empresário foi se irritando até sugerir que o deputado procurasse identificar "o senador muito influente de São Paulo" que conseguiu liberar milhões de reais, no Ministério da Saúde, para o esquema de corrupção. Vedoin deixou claro que não se referia a Romeu Tuma (PFL-SP), corregedor do Senado, presente ao depoimento, nem a Eduardo Suplicy (PT-SP). Sobrou Mercadante, o terceiro senador do Estado e um dos parlamentares mais influentes junto ao governo Lula.
É corrupção para tudo quanto é lado. Só para falar das mais recentes: Sanguessugas (roubo de dinheiro público que deveria ser usado na compra de ambulâncias), Operação Cerol (policiais federais e executivos de empresas presos no Rio na sexta-feira) e Operação Mão de Obra, que é a de hoje e está "rolando" em Brasília. Foram presos empresários e funcionários públicos acusados... adivinhe do quê? Acertou: de roubar dinheiro público. A Polícia Federal diz ter descoberto fraudes em licitações com empresas que se candidatam a limpar e a fazer a segurança de prédios públicos e prendeu até um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência, a Abin. A polícia diz que encontrou roubalheira nos Ministérios dos Transportes e da Justiça, no Senado e no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Não sobra ninguém? Pois é, os escândalos se sucedem que mal dá tempo de sabermos direito do que se trata cada um deles.
Portanto, jornalista Fernando Rodrigues, sua ação além de patética tanto quanto é mau-caráter, revela-nos o tom exato em que se caracterizou o atual governo: enquanto emprega o assistencialismo para comprar os votos da população pobre, se diverte no assalto ininterrupto aos cofres públicos. Será que para o seu jornalismo de araque, já não bastam tantas vigarices ? Será que a lama da corrupção crônica do governo Lula não enxovalhou o suficiente o Brasil ?
O que se lamenta, também, é a ação de militantes partidários que deveriam levantar sua voz de indignação para exigir que os culpados sejam julgados e punidos, ao invés, se prestam ao incentivo escancarado da impunidade.
E a gente pensava que quando Lula declarou que “No meu palanque corrupto não sobe. E no meu governo, corrupto não entra”, ele estivesse falando sério.