sábado, junho 02, 2007

Reação ao totalitarismo de Chávez mobiliza estudantes

Estadão
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Milhares de estudantes venezuelanos saíram ontem às ruas, pelo terceiro dia consecutivo, para protestar contra o fechamento da RCTV, numa ação como não se via fazia oito anos. “É a primeira vez que vemos estudantes de instituições públicas e privadas unidos desde 1999, quando os atos de oposição ao presidente passaram a ser dirigidos principalmente por partidos e classes empresariais”, disse ao Estado o cientista político Oscar Reyes, da Universidade Católica Andrés Bello. Os protestos ocorreram em Caracas, San Cristóbal, Mérida, Valencia e outras cidades. Segundo a TV Globovisión, mais de cem manifestantes foram detidos em várias partes do país. Na capital, os estudantes entregaram na sede da Organização dos Estados Americanos um documento denunciando o autoritarismo e as ameaças à liberdade de expressão. À tarde, alguns deles voltaram a entrar em choque com a polícia. Na véspera, quatro estudantes foram feridos a tiros nos choques. “Não estamos aqui só pela RCTV, mas porque sabemos que este é só o começo de um ciclo de ataques à liberdade de expressão que sem dúvida chegará à universidade”, disse ao Estado Zuleica Gonsálvez, de 21 anos, da Universidade Simón Bolívar.
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Os estudantes chavistas também marcaram posição. Uma manifestação que acabou diante do Palácio de Miraflores celebrou o nascimento da Televisão Venezuelana Social, criada pelo governo para substituir a RCTV. O ato foi integrado principalmente por alunos da estatal Universidade Bolivariana e das “missões” educacionais do governo.
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Na Assembléia Nacional, onde os partidos governistas ocupam todas as cadeiras, alguns deputados surpreenderam e criticaram o fechamento da RCTV. “O pluralismo não pode ser só um discurso para nós (chavistas)”, disse o deputado Ismael García. “O caso da RCTV foi o primeiro a dividir os chavistas, e não só os políticos, mas a base de apoio do presidente. Muitos que votaram em Chávez se divertiam com novelas e programas da emissora”, diz Reyes.