segunda-feira, julho 16, 2007

Argentinos pagam R$ 0,50 por gasolina da Petrobrás

Carlos Sardenberg, Portal G1
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Qual é a explicação da Petrobrás?

Sob pressão (ou apelos) do governo Kirchner, a Petrobrás e as demais empresas petrolíferas que operam na Argentina estão vendendo gasolina a preço de prejuízo. A Petrobrás oferece o litro de gasolina super a 1 peso (US$ 0,32 ou 60 centavos de real). A comum está saindo por 0,80 pesos (US$ 0,26 ou míseros 50 centavos de real). E hoje, a Petrobrás elevou para 220 o número de postos que vendem essa gasolina subsidiada para táxis, lotações, vans e pequenos veículos de carga.

A empresa atendeu apelo (ou pressão) do governo para vender gasolina ao mesmo preço do gás, para permitir uma economia maior neste combustível, usado também nas residências e nas empresas.

Agora à noite, o ministro do Planejamento argentino, Julio de Vido, depois de reunido com os executivos das três maiores petrolíferas, anunciou o programa emergencial “Energia Total”. As companhias vão oferecer às indústrias combustível líquido derivado de petróleo ao mesmo preço do gás natural, para facilitar a substituição desta fonte de energia. Segundo o ministro, a economia obtida no gás permitirá superar o atual “problema” de energia. Eles não admitem a palavra crise.

Agora, o caso é o seguinte: a Petrobrás estará vendendo gasolina e óleo a preço inferior ao custo, com prejuízo, portanto. Está oferecendo aos argentinos um preço até cinco vezes menor que o cobrado dos brasileiros. Quem vai pagar esse prejuízo?

O ministro De Vido disse que o governo argentino saberá “valorizar” o esforço e a cooperação das companhias. Mas o que significa “valorizar”? A Petrobrás seria indenizada posteriormente? Receberia alguma outra vantagem em troca?

Sendo uma companhia pública, estatal e com milhões de acionistas privados, a Petrobrás brasileira, a holding, precisa dar respostas. Em público, claro.

Qual a explicação da Petrobrás
Complementando a nota acima. Informações de Buenos Aires dizem que o governo argentino vai pagar cerca de US$ 100 milhões às companhias petrolíferas, inclusive a Petrobrás, pela venda subsidiada de gasolina e óleo diesel para as indústrias.

O mesmo esquema, seguem as informações, se aplica à venda de gasolina subsidiada (entre 60 e 60s centavos de real o litro) para táxis, vans e pequenos veículos de entrega. Em outras palavras, as empresas vendem abaixo do preço e cobram a diferença do governo.

Isso não elimina a necessidade de explicações da Petrobrás. A companhia brasileira tem o dever de mostrar o balanço das operações: seu custo, o tamanho do subsídio e o tamanho do ressarcimento.