sábado, setembro 08, 2007

Sobraram lugares na platéia

Karla Correia e Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

Longe da austeridade exibida durante o ano das eleições presidenciais, quando o Palácio do Planalto se cercou de cuidados para evitar que a festa do 7 de setembro fosse confundida com um comício, as comemorações do Dia da Pátria, este ano, custaram aos cofres públicos R$ 2,2 milhões - 41% a mais do que a solenidade do ano passado, orçada em R$ 1,4 milhão.

Mas se o gasto foi maior, o público ficou bem aquém do esperado. Cerca de 30 mil pessoas compareceram ao evento, programado para receber entre 45 mil e 50 mil pessoas na Esplanada dos Ministérios. A platéia do desfile militar foi mantida longe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As reforçadas grades de isolamento blindaram-no de eventuais vaias. Perto de Lula, apenas arquibancadas com convidados especiais do Planalto.

O comparecimento foi ainda menor do que em 2006, quando o governo evitou dar publicidade à festa. A maior extensão das cercas - 9,5 mil metros de extensão contra 7,5 mil metros, do ano anterior - foi o principal motivo alegado para o aumento dos gastos e, também, para a frieza do público em relação ao evento.

Um presidente Lula tranqüilo, acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, e de dois de seus filhos - Lurian e Sandro - assistiu ao desfile ao lado de ministros. Nas arquibancadas montadas para convidados, apenas um protesto: o comerciante Edson Matos, acomodado em frente à tribuna presidencial, vestia uma camiseta com os dizeres "ladrão, safado, enrolão e pilantra". Referia-se não a Lula, mas ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Às vésperas de ser julgado no plenário da Casa, Renan não compareceu ao evento e preferiu passar o feriado com a família.

- Não foi a pedido de ninguém. Acho que foi por decisão própria que ele não veio, para evitar constrangimentos - disse o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) depois do desfile.

- Não senti falta. Por que sentir falta? Ele não veio porque não quis - comentou, irônico, o ministro da Justiça, Tarso Genro.

No ano passado, Renan permaneceu durante todo o evento ao lado do presidente Lula. De acordo com informações do Ministério da Defesa, o desfile de 7 de setembro contou com a participação de 7,5 mil pessoas, das quais 4,5 mil integrantes das Forças Armadas.

O presidente Lula desfilou em carro aberto ao lado de dona Marisa. Passou em revista à tropa e, antes de subir à tribuna de honra para declarar oficialmente aberto o desfile, fez o sinal da cruz. O microfone falhou no momento em que Lula faria a declaração mas, mesmo assim, o militar que pedia autorização de cima de tanque militar, declarou que o desfile estava aberto. O vice-presidente, José Alencar, e o presidente de Moçambique, assistiram ao desfile ao lado de Lula. Entre os onze ministros presentes, Nelson Jobim, da Defesa, com uma faixa das Forças Armadas no corpo, contrastava com o ministro Mangabeira Unger, da Secretaria de Longo Prazo, que, de tão deslocado e ignorado pelos colegas do primeiro escalão, parecia um estranho no ninho.