Editorial do Correio Braziliense
.
Hugo Chávez, presidente da Venezuela, completou em fevereiro passado oito anos de poder. Longe de achar suficiente o período como chefe de Estado, garante que sua Revolução Bolivariana está apenas no começo e pretende ver aprovada no plebiscito de dezembro uma reforma constitucional para permitir reeleições presidenciais ilimitadas. Impulsionado pelo grande apoio eleitoral que ainda ostenta, Chávez tenta levar sua anacrônica reforma político-econômica à esfera moral e comportamental dos venezuelanos. Sob o argumento de que é preciso forjar o verdadeiro socialista e "homem novo" inspirado por Che Guevara, faz campanha contra carros de luxo, danças sensuais nas escolas, bebidas alcoólicas, cigarro, silicone e até a boneca Barbie.A cruzada contra o que considera supérfluos — como os jipes Hummer, sucesso nos Estados Unidos, e os uísques importados — visa derrubar hábitos de consumo capitalistas na Venezuela. Aos poucos, o país caminha para o mesmo destino de Cuba, onde a cota de alimentos de cada família é controlada com caderneta. Nos domínios de Chávez, empresários que não atendem aos preceitos do bolivarianismo são pressionados e ameaçados com intervenção federal. Sem liberdade, muitos abandonaram a pátria.
Hugo Chávez, presidente da Venezuela, completou em fevereiro passado oito anos de poder. Longe de achar suficiente o período como chefe de Estado, garante que sua Revolução Bolivariana está apenas no começo e pretende ver aprovada no plebiscito de dezembro uma reforma constitucional para permitir reeleições presidenciais ilimitadas. Impulsionado pelo grande apoio eleitoral que ainda ostenta, Chávez tenta levar sua anacrônica reforma político-econômica à esfera moral e comportamental dos venezuelanos. Sob o argumento de que é preciso forjar o verdadeiro socialista e "homem novo" inspirado por Che Guevara, faz campanha contra carros de luxo, danças sensuais nas escolas, bebidas alcoólicas, cigarro, silicone e até a boneca Barbie.A cruzada contra o que considera supérfluos — como os jipes Hummer, sucesso nos Estados Unidos, e os uísques importados — visa derrubar hábitos de consumo capitalistas na Venezuela. Aos poucos, o país caminha para o mesmo destino de Cuba, onde a cota de alimentos de cada família é controlada com caderneta. Nos domínios de Chávez, empresários que não atendem aos preceitos do bolivarianismo são pressionados e ameaçados com intervenção federal. Sem liberdade, muitos abandonaram a pátria.
A batalha contra os vícios talvez se justificasse caso o problema fosse crônico entre os venezuelanos, o que não corresponde à realidade. Para Chávez, a imposição de diretrizes morais está atrelada ao socialismo. O governo anunciou o aumento nos impostos sobre importação de vários tipos de bebida, carros esportivos e obras de arte. O preço final do cigarro também refletirá mais tributos. Alegando exagero no consumo registrado em bares, Chávez cogita proibir a venda de cerveja nas ruas.
Desde o primeiro mandato, o presidente costuma interromper a programação de canais privados para fazer pronunciamentos infindáveis. Neste ano, suspendeu a concessão da licença à RCTV, segunda emissora em audiência (30% em média), conhecida pelos programas de auditório e novelas. Em seu lugar, criou a Teves, que amarga, segundo registros recentes, meros 3,6% de audiência. O tempo dirá até que ponto Chávez está disposto a aborrecer seu eleitorado com artifícios desnecessários, medidas absolutistas inconseqüentes.
Depois de construir a imagem de revolucionário sustentado pelos petrodólares, que levaria a Venezuela à justiça social com a abolição do capitalismo e do intervencionismo norte-americano, ele tenta moldar a sociedade à sua maneira, enquanto fortalece sua política externa incômoda aos interesses brasileiros. Primeiro foi a parceria com Evo Morales na queda-de-braço sobre o preço da permanência da Petrobras na Bolívia. Agora, Caracas empurra para Brasília o peso da capitalização do Banco do Sul, instituição que teve Chávez como mentor e se destinará a financiar projetos de integração regional.
Maior economia sul-americana, o Brasil fatalmente será pressionado a tornar-se fonte primária de recursos para os cofres do Banco do Sul. Os maiores beneficiados pela instituição, contudo, serão as nações vizinhas onde a infra-estrutura primária é precária. Sem subjugar-se às intenções venezuelanas nem dar as costas aos países limítrofes, o Planalto deve encontrar seu espaço no desconfortável cenário sul-americano pintado por Chávez.