terça-feira, outubro 23, 2007

O terrorismo e as mentiras sobre a CPMF continuam

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

A ministra da Casa Civil, na sua estratégia de tornar-se herdeira de Lula em 2010, amaciou um pouco o seu discurso de candidata a candidata, e disse que confia no voto da oposição “responsável”. Na semana passada, o vice, José de Alencar, ameaçou com a volta da inflação, se a famigerada contribuição não for recriada. Mantega, inúmeras vezes tem dito que, sem a CPMF, o governo precisará reduzir investimentos e aumentar impostos, aliás, ou bem uma coisa ou outra, né ministro? Porque se reduzir o investimento, encaixará a despesa à receita. Ou, se quiser manter os investimentos, elevará a receita para cobrir a falta da arrecadação do imposto do cheque. O que não pode é ameaçar com dois castigos para um pecado apenas. E para fechar, o ministro da Saúde disse que o seu ministério vai ter de fechar, se a contribuição não for aprovada. Santo Deus, é o caos !

Mas vamos em frente. A semana começou com nova saraivada. Hoje, Dona Dilma, lá dos Estados Unidos, reenviou um recado sobre a CPMF: sabe que a oposição “responsável” irá aprovar o tributo, numa clara demonstração de que já está de posse do discurso de candidata, aquele que agrada a todos, tenta atrair simpatias, etc, mas que depois de eleito, ó! prôs trouxas que acreditaram. Já no Ceará, o governador Cid Gomes, irmão do marido da dona Patrícia Pilar, já foi mais enfático: afirmou com todas as letras de que o governo vai quebrar sem o imposto. E o ministro Mantega já subiu o tom do desespero: simplesmente mandou às favas a compostura e partiu para um “...País está 'perdido' se CPMF não for aprovada...”

Mãe de Deus, não sabia que o Brasil, por conta de “míseros” 36 bilhões de reais anuais pode quebrar, perder a estabilidade econômica e afundar no abismo. Incrível ! O que me preocupa é que tem gente que acredita neste discurso cretino. De quanto é mesmo a arrecadação total do governo ? E, antes da criação da CPMF, acaso o país não sobreviveu? E se a CPMF era para “salvar” a Saúde Pública, por que a arrecadação não é inteiramente dedicada a ela? Por que nada se destina da CPMF para a Saúde ? Por que os investimentos do PAC dependem de uma verba que é arrecadada com outra destinação, com outro propósito? Então, finalmente, por que não se gasta menos em outras coisas? Ah, não dá para gastar menos ? Uma ova, senhores ministros bisonhos!!! Dá sim, e em todas as esferas estaduais, municipais e federais há muito espaço para se reduzir despesas. O que não faltam são gorduras, e muita gordura pra queimar. Gordura do tipo adiposo, que faz mal à saúde do país.
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Por exemplo, por que não se desiste da tal tevê pública que consumirá projetados 350 milhões por ano? Por que não se reduzir um pouco os 23,0 mil cargos de apadrinhados de políticos, assessores de porra nenhuma que consomem fortunas sem retorno algum para a sociedade? E por que não se reduz as despesas com publicidades ditas oficiais, mas que no fundo são partidárias e ideológicas ? Por que não se gasta menos com tantas viagens de turismo, mas que insistem em dizer ser a trabalho, e que jogam no ralo milhões e milhões reais todos os anos? Um governo que, com inflação de 4,0% ao ano, eleva seus gastos em mais de 13,0% não tem moral para pedir “compreensão” da sociedade em mais sacrifícios, deixando-se ser assaltada por mais tributos que em nada melhoram sua vida, que muito pouco retorno recebe em troca. Nas três esferas federais, Executivo, Legislativo e Judiciário, tivessem todos eles respeito ao contribuinte, e por certo, encontrariam mil e uma maneiras de reduzirem seus gastos correntes. A começar pelo Judiciário, que consumirá a “bagatela” de R$ 1,2 bilhões em novas sedes, sendo que “...o presidente do Tribunal Regional Federal de Brasília terá um gabinete 4 vezes maior que o de Lula ...”, conforme vimos na reportagem da Folha de São Paulo que transcrevemos na edição de hoje !!! E o que se dizer dos bilhões que serão jogados no lixo, na aventura do tal Banco do Sul, apenas para alimentar a sanha megalomaníaca de um ditador latino? Sem falar dos bilhões que são repartidos entre as ONGs e MSTs, vagabundos e ordinários mamadores da picaretagem e pilantragem “social” ? Ora, convenhamos, o que não faltam são meios capazes de permitir ao país viver sem a arrecadação do imposto do cheque.

E se não bastassem tantos e tantos mais exemplos pelo lado das despesas, todas dispensáveis, inúteis, irresponsáveis, de pura ostentação e desperdício, ainda se poderia trazer ao debate os excedentes de arrecadação de impostos os quais, apenas no corrente ano, somarão impressionantes duas vezes mais o montante que a CPMF proporcionará!!!

Sem a CPMF, está mais do que visto, não apenas o País não vai quebrar, como também, talvez ensine o poder público a gastar com seriedade, com parcimônia. Já vimos várias vezes,e em diferentes setores da vida nacional, que nosso problema não se trata apenas de mais dinheiro, mas sim de competência gerencial para saber alocar de forma equilibrada e eficiente os recursos existentes. Se a sociedade não se levantar e dizer “basta” para tanto assalto, e permitir que o governo diante de sua ineficiência, ao invés de se corrigir continue a nos assaltar, estes “impostos provisórios” e vergonhosos não apenas se tornarão permanentes, mas se continuará a criar novas formas de extorquir recursos da sociedade sem a contrapartida de serviços públicos decentes.

Assim, este terrorismo cretino precisa ter um ponto final: precisamos forçar o mais que pudermos para que o Poder Público aprenda a respeitar aquilo que não é seu e para o qual ele não soma um único esforço para produzi-lo. O dinheiro suado que muitos conseguem ganhar fruto de seu trabalho, não pode continuar sustentando a incompetência de poucos, sem dispensar aí neste rolo os “desvios” de inúmeras formas criminosas que se pratica nos cofres do Tesouro. Chega de vagabundagem, roubo, corrupção, malversação, mentiras, mistificações e terrorismo. Acabe-se com a CPMF já, e que o governo trate de ser competente e gaste com responsabilidade, seriedade e zelo. Esta seria a melhor lição que poderíamos dar ao governante de agora e aos que o sucederem. Eles podem muito, mas não podem tudo.