segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Rendimento do trabalhador está estagnado desde 2003

Já afirmei várias vezes que o governo de Lula tinha OBRIGAÇÃO de ser melhor do que o de FHC. Isto aliás deveria ser uma imposição natural, muito mais por méritos do ex-presidente, do que propriamente por méritos de Lula. O tucano recebeu um país despedaçado, enfrentou turbulências internacionais que muito mais prejudicaram os países emergentes do que as nações mais ricas. Inflação fora de controle, desemprego em alta, desequilíbrio fiscal permanente, instituições em frangalhos, país sem rumo e sem prumo. Pois bem, Lula recebeu o país arrumado, com a economia equilibrada e pronta para dar seu salto de qualidade, e num período de bonança da economia mundial como jamais vista nos últimos 50 anos.

Assim, se o país estava pronto para decolar, pergunta-se por que não o fez ! Quando o governo atual comemora por exemplo fantásticos superávits comerciais no comércio internacional questiono sempre quais atos do governo permitiram isto. Não há resposta, e pela simples razão de que os superávits foram conquistados muito mais pelo que o mundo nos proporcionou do que por ações concretos partidos do poder do Estado.

No que este governo poderia ter avançado, até pelo contrário, andou para trás. E não retrocedeu mais uma, porque a parte do país que trabalha e produz foi muito mais competente do que a incompetência federal. Nos aspectos de “conquistas sociais” Lula deveria agradecer publicamente ao trabalho que FHC lhe deixou pronto, pois não teria ido tão longe em popularidade não houvesse recebido a herança do governo anterior.

No plano institucional, contudo, o país desde 2003 tem andado para trás. No plano ético, então, chega a ser assombroso o quanto o Brasil regrediu com o governo Lula.

Apesar de toda a publicidade oficial arrotar ao contrário, estamos a cada dia perdendo espaço e competitividade em escala mundiais.

Já demonstramos aqui que os avanços dos indicadores sociais foram muito mais consistentes no período de FHC do que no período Lula. Neste artigo segue outra comprovação do quanto Lula e seus ministros mentem e enganam a população. A questão é, a renda do trabalhador aumentou ou cresceu mais com Lula ou FHC ?

Segue artigo do Fabiano Klostermann .Após a leitura, que o leitor tire suas próprias conclusões. Mas não se enganem: pelo país que um e outro receberam, e até pela situação da conjuntura internacional, não se tenha dúvida que fazer um governo melhor era uma obrigação pra o governo de Lula. E, apesar disto, o que se vê é que quanto muito esforço e boa vontade, o quadro é de alguns poucos avanços em pontos específicos onde a casa já estava arrumada, e piora onde o trabalho a ser feito demonstrou a incompetência e a falta de projetos do atual governo.
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O mercado de trabalho da região metropolitana de São Paulo está sendo afetado por um fenômeno que levou à estagnação do rendimento médio real dos trabalhadores a partir de 2004. Para analistas, as possíveis causas incluem a particularidade do tipo de crescimento apresentado pelo Brasil no período, o alto contingente de desempregados e a maturidade do mercado paulistano.
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Segundo dados da pesquisa de emprego e desemprego (PED) da Fundação Seade e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o comportamento do mercado em São Paulo difere dos demais pesquisados, que apresentaram recuperação a partir do mesmo ano.

A PED 2007 mostrou que a região metropolitana da maior cidade do País foi a única entre as pesquisadas que não teve alta no nível do rendimento médio real, apresentando baixa de 0,2% entre 2006 e 2007, para R$ 1.140. As demais apresentaram ganhos: Recife (alta de 1,5%, para R$ 658), Belo Horizonte (alta de 4%, para R$ 987), Porto Alegre (alta de 2,5%, para R$ 1.028), Salvador (alta de 4,3%, para R$ 822) e o Distrito Federal (alta de 5,7%, para R$ 1.521).

Em 1998, um trabalhador assalariado na capital paulista ganhava, em média, R$ 1.626, contra os R$ 1.202 de hoje. O valor mais baixo da série foi registrado em 2003, quando o rendimento desta categoria atingiu média de R$ 1.188. De lá para cá, o salário do paulistano teve aumento de apenas 1,18%.

O comportamento difere do apresentado pelo rendimento dos assalariados de Belo Horizonte, por exemplo. Na capital mineira, o salário médio estava em R$ 1.036 em 1998, caiu até R$ 890 em 2005, mas passou a se recuperar e fechou 2007 bem próximo do valor do início da série histórica: R$ 1.024, ou seja, um aumento de 15,05% desde o ponto mais baixo registrado pela PED.
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Ocupação de capacidade instalada
De acordo com o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, o crescimento apresentado pelo Brasil de 2004 para cá aconteceu principalmente com a ocupação de capacidade instalada. "Esses cargos são na maioria de auxiliares e assistentes, postos cuja remuneração paga está abaixo da média de mercado. A inclusão dessas pessoas puxa a remuneração média para baixo", afirmou. "O fenômeno é ainda mais explícito em São Paulo pelo alto número de indústrias já instaladas."
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Para o coordenador de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian, os grandes investimentos, que atraem mão-de-obra mais qualificada e com maiores salários, ainda são recentes e não se pode avaliar seus efeitos. "Esses novos empreendimentos, que exigem engenheiros e especialistas, começaram de um ano e meio para cá. Ainda não temos como saber as mudanças que vão provocar no mercado de trabalho", explicou.

A opinião é compartilhada pelo assessor econômico da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP), Guilherme Dietze. Segundo ele, o aumento na geração de empregos ainda acontece principalmente nos níveis salariais mais baixos.

"O Brasil está crescendo, outros Estados estão crescendo, e para São Paulo estão vindo os postos de trabalho com qualificação mais baixa, que, por conseqüência, baixam a média salarial", disse.

Para Alexandre Loloian, há ainda outro fenômeno em curso na capital paulista: a desmobilização de empresas, que buscam custos menores em outras cidades. "Pode parecer algo bom, descentralizando a produção, mas essas empresas não vão para longe e acabam se mudando para um raio de 100 km da capital, que é o grande mercado consumidor".

Para ele, essa mudança acaba "migrando" boa parte dos empregos com bons salários para cidades do interior. "Nessas localidades, as empresas tem custos menores com transporte e até com a alimentação de seus funcionários".
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Rotatividade e desempregados
Loloian e Lúcio também citam a alta rotatividade dos empregados para explicar a estagnação dos rendimentos. Segundo eles, o pouco tempo de permanência de uma pessoa em determinado emprego impede que tanto ela quanto a empresa estabeleçam "vínculos", sejam para fins de carreira como para melhoria salarial.

"É uma característica perversa do nosso mercado de trabalho. Impede que a pessoa avance enquanto profissional. Ainda há o mercado ofertante, com um grande estoque de desempregados, que não têm mais a escolaridade baixa como no passado. Então, eles atuam com uma pressão em quem está empregado. E as empresas sabem jogar com isso", explicou o coordenador de análise da Seade.

Ainda segundo ele, outro fenômeno é a substituição de funcionários com nível salarial mais elevado por outros que vão ganhar menos. "Segundo informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), a maioria dos empregos criados em São Paulo é para ganhar até dois salários mínimos. Isso é um sinal claro dessa substituição".

O assessor da Fecomercio-SP disse que a substituição não é um processo ainda identificado, mas concorda que a redução de custos acontece. "A tendência sempre é a redução de custos. Isso nas empresas é um fato", explicou.

De acordo com o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, outra característica do mercado paulista é a predominância do setor de comércio e serviços, que correspondem, segundo ele, a 70% dos empregos gerados. "Essas atividades tradicionalmente pagam menos que a indústria", disse.
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"Pólo"
Outra possível causa para a estagnação é a migração de pessoas com baixa qualificação para a cidade. Segundo a professora e coordenadora do grupo de pesquisa Economia, Trabalho e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Anita Kon, a capital paulista ainda é considerada um "pólo de crescimento" e por isso recebe muitos trabalhadores de outras partes do País.

"Nem sempre o aumento do nível de emprego corresponde ao aumento da força de trabalho - isso é típico de regiões pólo. O País cresceu muito pouco e nesses pólos se concentram as maiores dificuldades, porque neles está o maior número de desempregados", afirmou. Para ela, a combinação gera uma inevitável queda da renda média dos trabalhadores. "Em locais com excesso de trabalhadores e com poucos empregos, a tendência é o salário cair".