segunda-feira, março 10, 2008

Vale acusa MST de invadir e depredar fazenda no MA

Agência Brasil

A Companhia Vale do Rio Doce divulgou hoje nota à imprensa em que acusa o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de invadir e depredar, nesta manhã, uma unidade da Ferro Gusa Carajás (FGC) em Acailândia, interior do Maranhão.

A Vale classifica a ação do MST como "de extrema violência" e diz que os "invasores" danificaram prédios e equipamentos da fazenda Monte Líbano, dedicada à produção de carvão vegetal.

"Um empregado da FGC foi cercado pelos invasores, ameaçado com foices e porretes e obrigado a entregar um máquina fotográfica com a qual registrava o ataque. O trânsito na rodovia Belém-Brasília foi interrompido pelos invasores com barreira de pneus e troncos de árvores, que foram incendiados", informa a nota.

A coordenadora do MST no Maranhão, Simone Silva, afirmou que o protesto na fazenda Monte Líbano fez parte de uma jornada nacional de luta das mulheres camponesas, mas negou que tenha havido depredação ou ameças a funcionários.

Simone informou que cerca de mil mulheres ocuparam a fazenda em protesto contra os problemas ocasionados pela fumaça da carvoaria em um assentamento vizinho, onde residem 200 famílias.

"Por causa da fumaça, temos crianças com problemas pulmonares e de visão, idosos com problemas respiratórios e está aumentando o número de ataques cardíacos no assentamento", disse a coordenadora do MST. "À noite a fumaça também cobre a pista da Belém-Brasília e traz risco de acidentes", acrescentou.

Segundo o presidente da FGC, Pedro Gutemberg, o incômodo causado pela fumaça gerada na carvoaria é "esporádico e de baixa intensidade". Ele garantiu ter sido feita a instalação de um equipamento que praticamente elimina a fumaça: "usaram uma questão pontual como pretexto para outra agressão à Vale". A carvoaria da fazenda Monte Líbano produz 45 mil t de carvão por ano. Cento e cinquenta pessoas trabalham na operação de 71 fornos.

O MST quer providências do governo estadual no sentido de impedir o funcionamento da carvoaria no local e também alega ter feito a ocupação da fazenda para protestar contra o milho transgênico.

No RS: MST bloqueia Tabaí-Canoas e tenta saquear caminhão
Um dia depois da Via Campesina invadir e depredar uma fazenda empresarial em Rosário do Sul, nesta quarta foi a vez do MST debochar das autoridades. Uma facção dos 'sem terra' bloqueou a BR-386, a Tabaí-Canoas, na altura do km-433, em Nova Santa Rita. A bagunça provocou congestionamento de quilômetros, e o tráfego foi interrompido nos dois sentidos. A polícia negocia a liberação da rodovia.

Desta vez, porém, os bandoleiros não se contentaram em transtornar a vida de quem trabalha, e não pode viver de migalhas do governo. Um caminhão que tentou furar o bloqueio foi atacado pelos militantes. Houve tentativa de saque da carga. A Brigada Militar conseguiu impedir e busca identificar os culpados. Os policiais, no entanto, lamentam que não podem agir com o rigor necessário porque, conforme confidenciou um deles, "quem encosta em um 'sem terra' acaba sendo processado".