Enquanto a dengue corre solta no Rio de janeiro, o senhor Luiz Inácio, braveteiro e palanqueiro por natureza, arma seus circos de campanha no Nordeste, de onde, covardemente, ficando atacando as oposições na tentativa torpe de abafar o grito do desesperados, o barulho das lambanças promovidas nos porões do submendo com que se alimenta nos palácios de sua corte.
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Contudo, as almas de 54 brasileiros, a maioria dos quais crianças, infectadas pela dengue e que morreram não pela doença, mas pela falta de atendimento na rede pública de saúde, provavelmente, de onde estiverem não poderão mais receber bolsa família, não poderão mais participar de pesquisas de opinião, não mais pertencerão às estatísticas seja para contar os pobres que se tronaram classe média, tampouco dos novos consumidores por obra e graça da papinha.
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A estatística da qual farão parte, em difinitivo, será a das vítimas que o descaso, a omissão, a incompetência e a irresponsabilidade deste governo de delinqüentes tem criado desde 2003, e cuja lista cresce na medida em que se sucedem crise aérea, crise de segurança, crise de saúde pública, crise de dengue, crise educacional, crise de febre amarela, crise do trânsito, crise da crise, todas elas podendo ser unidas sob o signo de "vítimas da hipocresia do governo Lula". Tal estatística macabra já se conta em milhares, quebraram a barreira das centenas, coisa que nem os vinte anos de ditadura militar conseguiu superar.
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Porém, em tempo algum, juntou-se tanto descaso com covardia. Aquele cidadão que sobe em palanques armados em circos feitos para ser aplaudindo pela turba arrebanhada com transporte, carroça e quentinha, que forma um cortejo de segurança para impedir que os que protestam possam vaiá-lo, que posa para fotografia em poses tatrais e gestos rancorosos, que entona a voz estridente num monólogo cheio de rancor, ódio e recalque, que agride em gestos e palavras qualquer contrariedade rotineira de um país democrático, que não consegue respeitar a história, rasgada sem dó nem compaixão em todos os discursos demagógicos de auto-promoção cafajeste, diante da dor que as ações de seu governo bufão provoca, se acovarda, se apequena, foge em desenfreada corrida, escondendo-se das vozes agonizantes de suas vítimas que clamaram socorro num último suspiro.
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Nem diante das 360 vítimas dos dois maiores desastres aéreos da aviação comercial de nossa história, sequer levou solidariedade, tanto como agora em que o descaso já provocou milhares de infectados e dezenas de mortes. Em momento algum esboçou um gesto de compaixão, uma palavra de consolo. Temendo a gritaria e as vaias merecidas porque tais vítimas o são por culpa direta de sua administração, o covarde prefere esconder-se e, ao invés de estender mão, aumenta o tom de voz para bater, agredir e acusar, como se o berro pudesse calar sua própria culpa e transferir sua própria responsabilidade.
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Os gritos imbecis, na verdade, não são apenas para abafar a voz dos que se indignam, e sim para tentar não ouvir a voz de sua própria consciência culpada, que o acusa e lhe aponta os crimes. A grandeza de qualquer governante não se percebe no grito, nem nos palanques circenses armados para cooptar consciências. Nem tampouco para paparicar e siceronear capitães de mato do autoritarismo bugre e arcaico. É fazer-se presente nos momentos em que a sociedade se estremece diante de tragédias, calamidades e sofrimento.
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Tão logo o fatídico acidente com o Airbus da Tam, em São Paulo, deu a conhecer a pilha de cadáveres, deveria este covarde ter-se, imediatamente, dirigido ao país para, no mínimo, solidarizar-se com quantos foram atingidos, e na qualidade de dirigente da nação endereçado, humildemente, um pedido de desculpas às vítimas e seus familiares. Acovardou-se, apequenou-se e tratou de transferir culpas e atacou, bateu,mas não se assumiu, num gesto de arrogância e prepotência a macular mais ainda sua patética figura.
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Berrar e esbravejar numa febril demonstração de mau caratismo não o fará entrar para história como magânimo governante do Brasil. É preciso muito mais do que isso: é indispensável ter generosidade de caráter para moralmente comportar-se com superioridade, mesmo que exerça a mais humildes das tarefas.
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A história humana, contudo, é implacável: ela só consagra no altar dos grandes homens ,aqueles que se revestem dignamente e com humildade sincera, de presença constante na solidariedade fraterna com os seus semelhantes, mesmo que no campo político ou mesmo ideológico, lhe sejam desafetos. Não respeitar tal princípio é condenar-se, do mesmo modo como suas vítimas o condenam, do mesmo modo como sua própria consciência não o perdoa.
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No Rio de Janeiro hoje são mais de 45 mil brasileiros que estão à espera desta migalha de caráter do senhor Lula. Resta saber se ele ainda a tem., porque pior do que morrer por doença no corpo, é tentar viver com doença da alma.