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Morreu neste sábado em Salvador, aos 91 anos de idade, a escritora Zélia Gattai. Após uma série de complicações, a autora não resisitiu a uma insuficiência circulatória aguda, e faleceu no Hospital da Bahia, onde estava internada há exatamente um mês. Desde o início do dia, um boletim médico informava que seu estado de saúde era extremamente grave, e piorou de forma irreversível na última noite.
O documento dizia que sua saúde "evoluiu com extrema gravidade e o quadro clínico de choque circulatório se mostra irreversível". Sedada, Zélia respirava por aparelhos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital.
Ainda em março, ela fora levada por familiares ao Hospital Aliança, com dores abdominais. De lá, foi transferida para o Hospital da Bahia, onde sofreu uma cirurgia para a retirada de um tumor que obstruía seu intestino. O tumor, depois confirmou-se, era benigno.
Viúva do escritor Jorge Amado (1912 - 2001), Zélia Gattai integra hoje a Academia Brasileira de Letras (ABL). Ela é dona da cadeira 23 – a mesma ocupada pelo marido até a sua morte. A mesma cadeira tem como patrono o escritor José de Alencar, e seu primeiro dono foi Machado de Assis. Em nota oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte da escritora.
Grande memorialista, Zélia também será lembrada pelo romance com Jorge Amado
Zélia Gattai nasceu em São Paulo no dia 2 de julho 1916. Filha de imigrantes italianos, estreou na literatura somente aos 63 anos, depois de praticamente uma vida inteira passada entre grandes intelectuais de seu tempo, e de mais de trinta anos ao lado de seu eterno parceiro – o escritor Jorge Amado, morto em 2001. Suas grandes obras não são romances, mas livros de memórias, em que ela narra importantes passagens de sua vida, tendo sempre como pano e fundo o mundo que a cercava.
O mais célebre e conhecido destes livros é justamente o primeiro, Anarquistas Graças a Deus, de 1979. Transformada em minissérie pela Rede Globo no começo dos anos 80, a obra narra a vida dos pais de Zélia, a realidade dos imigrantes italianos no Brasil e sua infância em São Paulo Città di Roma, outro volume de memórias da autora a freqüentar as listas de mais vendidos, trata de tema semelhante. O póprio título é uma alusão ao navio que trouxe seus pais, Angelina Da Col e Ernesto Gattai, ainda crianças, de Gênova até o Porto de Santos.
História de amor – A união com Jorge Amado, capítulo central de seus 91 anos de vida, foi tema de algumas de suas obras. Ela e o escritor se encontraram durante o Primeiro Congresso de Escritores Brasileiros, realizado em São Paulo, em 1945. Amado já era então um autor de renome nacional. "Ao conhecer Zélia, arriei a bandeira e pedi paz", contava o escritor. Os dois logo deram início a uma das grandes histórias de amor da literatura brasileira, uma união que durou pelo resto da vida, sem contratempos. O casal teve dois filhos, João e Paloma, cujo padrinho foi o famoso poeta chileno Pablo Neruda.
Gostavam muito de Paris, cidade onde viveram no fim dos anos 40. O romance entre os dois deu os primeiros passos na capital francesa. Em 1948, se mudaram para um hotelzinho no bairro do Quartier Latin. Eram fregueses de um restaurante chinês das proximidades e passeavam por sebos e livrarias. O toque de glamour advinha dos encontros com celebridades, como o filósofo Jean-Paul Sartre e o pintor Pablo Picasso.
Rio Vermelho – A presença de ilustres literatos sempre foi uma constante na vida de Zélia. Ainda na década de 30, tornou-se amiga de gente da estirpe de Oswald de Andrade, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade e Vinicius de Moraes. A casa do bairro do Rio Vermelho, em Salvador, para onde ela e Jorge se mudaram em 1965, também era freqüentada por grandes escritores – especialmente o amigo João Ubaldo Ribeiro
A casa, à qual Zélia dedicou um livro de recordações em 1999 – A Casa do Rio Vermelho –, não foi apenas o centro da vida familiar. Foi também uma espécie de centro de cultura. O casal gostava de receber amigos – e deixava a porta aberta para desconhecidos.
Em dezembro de 2001, Zélia Gattai imortalizou-se. Foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 23, que pertenceu a seu marido, Jorge Amado, e ao fundador da ABL, Machado de Assis.
Legado: As obras de Zélia Gattai
L
ivros de memórias:
Morreu neste sábado em Salvador, aos 91 anos de idade, a escritora Zélia Gattai. Após uma série de complicações, a autora não resisitiu a uma insuficiência circulatória aguda, e faleceu no Hospital da Bahia, onde estava internada há exatamente um mês. Desde o início do dia, um boletim médico informava que seu estado de saúde era extremamente grave, e piorou de forma irreversível na última noite.O documento dizia que sua saúde "evoluiu com extrema gravidade e o quadro clínico de choque circulatório se mostra irreversível". Sedada, Zélia respirava por aparelhos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital.
Ainda em março, ela fora levada por familiares ao Hospital Aliança, com dores abdominais. De lá, foi transferida para o Hospital da Bahia, onde sofreu uma cirurgia para a retirada de um tumor que obstruía seu intestino. O tumor, depois confirmou-se, era benigno.
Viúva do escritor Jorge Amado (1912 - 2001), Zélia Gattai integra hoje a Academia Brasileira de Letras (ABL). Ela é dona da cadeira 23 – a mesma ocupada pelo marido até a sua morte. A mesma cadeira tem como patrono o escritor José de Alencar, e seu primeiro dono foi Machado de Assis. Em nota oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou a morte da escritora.
Grande memorialista, Zélia também será lembrada pelo romance com Jorge Amado
Zélia Gattai nasceu em São Paulo no dia 2 de julho 1916. Filha de imigrantes italianos, estreou na literatura somente aos 63 anos, depois de praticamente uma vida inteira passada entre grandes intelectuais de seu tempo, e de mais de trinta anos ao lado de seu eterno parceiro – o escritor Jorge Amado, morto em 2001. Suas grandes obras não são romances, mas livros de memórias, em que ela narra importantes passagens de sua vida, tendo sempre como pano e fundo o mundo que a cercava.O mais célebre e conhecido destes livros é justamente o primeiro, Anarquistas Graças a Deus, de 1979. Transformada em minissérie pela Rede Globo no começo dos anos 80, a obra narra a vida dos pais de Zélia, a realidade dos imigrantes italianos no Brasil e sua infância em São Paulo Città di Roma, outro volume de memórias da autora a freqüentar as listas de mais vendidos, trata de tema semelhante. O póprio título é uma alusão ao navio que trouxe seus pais, Angelina Da Col e Ernesto Gattai, ainda crianças, de Gênova até o Porto de Santos.
História de amor – A união com Jorge Amado, capítulo central de seus 91 anos de vida, foi tema de algumas de suas obras. Ela e o escritor se encontraram durante o Primeiro Congresso de Escritores Brasileiros, realizado em São Paulo, em 1945. Amado já era então um autor de renome nacional. "Ao conhecer Zélia, arriei a bandeira e pedi paz", contava o escritor. Os dois logo deram início a uma das grandes histórias de amor da literatura brasileira, uma união que durou pelo resto da vida, sem contratempos. O casal teve dois filhos, João e Paloma, cujo padrinho foi o famoso poeta chileno Pablo Neruda.
Gostavam muito de Paris, cidade onde viveram no fim dos anos 40. O romance entre os dois deu os primeiros passos na capital francesa. Em 1948, se mudaram para um hotelzinho no bairro do Quartier Latin. Eram fregueses de um restaurante chinês das proximidades e passeavam por sebos e livrarias. O toque de glamour advinha dos encontros com celebridades, como o filósofo Jean-Paul Sartre e o pintor Pablo Picasso.
Rio Vermelho – A presença de ilustres literatos sempre foi uma constante na vida de Zélia. Ainda na década de 30, tornou-se amiga de gente da estirpe de Oswald de Andrade, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade e Vinicius de Moraes. A casa do bairro do Rio Vermelho, em Salvador, para onde ela e Jorge se mudaram em 1965, também era freqüentada por grandes escritores – especialmente o amigo João Ubaldo Ribeiro
A casa, à qual Zélia dedicou um livro de recordações em 1999 – A Casa do Rio Vermelho –, não foi apenas o centro da vida familiar. Foi também uma espécie de centro de cultura. O casal gostava de receber amigos – e deixava a porta aberta para desconhecidos.
Em dezembro de 2001, Zélia Gattai imortalizou-se. Foi eleita para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 23, que pertenceu a seu marido, Jorge Amado, e ao fundador da ABL, Machado de Assis.
Legado: As obras de Zélia Gattai
L
ivros de memórias:- Anarquistas Graças a Deus – 1979
- Um Chapéu Para Viagem - 1982
- Pássaros Noturnos do Abaeté, 1983
- Senhora Dona do Baile – 1984
- Reportagem Incompleta - 1987 (fotobiografia)
- Jardim de Inverno – 1988
- Chão de Meninos – 1992
- A Casa do Rio Vermelho – 1999
- Cittá di Roma – 2000
- Códigos de Família – 2001
- Jorge Amado: Um Baiano Sensual e Romântico – 2002
- Memorial do Amor - 2004
Romance:
- Crônica de Uma Namorada - 1995
Literatura infantil:
- Pipistrelo das Mil Cores – 1989
- O Segredo da Rua 18 – 1991
- Jonas e a Sereia - 2000
Fonte: ABL