O Globo Online
Causou desconforto no Palácio do Planalto a primeira entrevista do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que disse ter aceitado o convite, "em tese", depois das garantias dadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Minc chegou a dizer que, se sua passagem por Brasília der errado, ele voltará para o Rio, já que tem mandato de deputado estadual. Na avaliação de um assessor de Lula, houve um tom arrogante nas declarações de Minc. É o que mostra reportagem de Gerson Camarotti e Chico de Gois na edição deste sábado em 'O Globo'.
A percepção no núcleo do governo é que Minc deveria ter sido mais cuidadoso na entrevista, dada antes mesmo da conversa pessoal com Lula, prevista para segunda-feira. Um interlocutor do presidente Lula chegou a atribuir as declarações de Minc "a seu jeito folclórico".
Nesta sexta, no Planalto, a entrevista chegou a ser comparada com a do ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, que, em sua primeira declaração à imprensa como integrante do primeiro escalão, defendeu que o Brasil tivesse o domínio da tecnologia da bomba atômica. Mas a estratégia do governo foi a de minimizar as declarações de Minc para evitar nova polêmica na área ambiental.
- Cada um tem seu estilo. Ele estava em Paris e deu uma declaração diferente. Mas não muda nada - disse ontem o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. - Fico feliz que esteja motivado. Marina enfrentou dificuldades e foi superando-as uma a uma.
As declarações de Minc irritaram ruralistas e agradaram a ambientalistas. Para o Greenpeace, o novo ministro, ao seu estilo, tentou marcar posição e combater uma possível sensação de vitória do agronegócio com a saída de Marina.
- Ele tem o seu estilo, mas impôs condições publicamente ao presidente Lula. Ele emparedou o presidente. Se ele chegasse ao cargo sendo visto como uma alternativa do lado de lá, teria muita dificuldade de liderar o ministério, que tem como função principal defender o meio ambiente, e não devastá-lo - disse Paulo Adário, coordenador de Amazônia do Greenpeace.
" Ele é um ecologista de Copacabana. O que se pode esperar de um sujeito que não conhece o Brasil? "
Para ruralistas, Minc parece disposto à pirotecnia. Eles afirmam que o novo ministro não pode ter preconceito nem atuar de forma ideológica, acusação comum à ex-ministra. Na entrevista, Minc disse que "não abrirá as pernas para a Amazônia virar um quintal". Os ruralistas criticaram principalmente "a falta de conhecimento" do ministro.
O deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), da bancada ruralista, foi ácido com Minc:
- Ele é um ecologista de Copacabana. O que se pode esperar de um sujeito que não conhece o Brasil?
Viana: é preciso estar aberto ao diálogo
O ex-governador do Acre Jorge Viana (PT), que chegou a ser cotado para o Ministério do Meio Ambiente, disse, nesta sexta-feira, em entrevista à Rádio CBN, que a função do futuro ministro Carlos Minc será a de "apertar o botão vermelho", ou seja, deve alertar para os riscos ambientais. Mas Viana advertiu:
Causou desconforto no Palácio do Planalto a primeira entrevista do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que disse ter aceitado o convite, "em tese", depois das garantias dadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Minc chegou a dizer que, se sua passagem por Brasília der errado, ele voltará para o Rio, já que tem mandato de deputado estadual. Na avaliação de um assessor de Lula, houve um tom arrogante nas declarações de Minc. É o que mostra reportagem de Gerson Camarotti e Chico de Gois na edição deste sábado em 'O Globo'.
A percepção no núcleo do governo é que Minc deveria ter sido mais cuidadoso na entrevista, dada antes mesmo da conversa pessoal com Lula, prevista para segunda-feira. Um interlocutor do presidente Lula chegou a atribuir as declarações de Minc "a seu jeito folclórico".
Nesta sexta, no Planalto, a entrevista chegou a ser comparada com a do ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, que, em sua primeira declaração à imprensa como integrante do primeiro escalão, defendeu que o Brasil tivesse o domínio da tecnologia da bomba atômica. Mas a estratégia do governo foi a de minimizar as declarações de Minc para evitar nova polêmica na área ambiental.
- Cada um tem seu estilo. Ele estava em Paris e deu uma declaração diferente. Mas não muda nada - disse ontem o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. - Fico feliz que esteja motivado. Marina enfrentou dificuldades e foi superando-as uma a uma.
As declarações de Minc irritaram ruralistas e agradaram a ambientalistas. Para o Greenpeace, o novo ministro, ao seu estilo, tentou marcar posição e combater uma possível sensação de vitória do agronegócio com a saída de Marina.
- Ele tem o seu estilo, mas impôs condições publicamente ao presidente Lula. Ele emparedou o presidente. Se ele chegasse ao cargo sendo visto como uma alternativa do lado de lá, teria muita dificuldade de liderar o ministério, que tem como função principal defender o meio ambiente, e não devastá-lo - disse Paulo Adário, coordenador de Amazônia do Greenpeace.
" Ele é um ecologista de Copacabana. O que se pode esperar de um sujeito que não conhece o Brasil? "
Para ruralistas, Minc parece disposto à pirotecnia. Eles afirmam que o novo ministro não pode ter preconceito nem atuar de forma ideológica, acusação comum à ex-ministra. Na entrevista, Minc disse que "não abrirá as pernas para a Amazônia virar um quintal". Os ruralistas criticaram principalmente "a falta de conhecimento" do ministro.
O deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), da bancada ruralista, foi ácido com Minc:
- Ele é um ecologista de Copacabana. O que se pode esperar de um sujeito que não conhece o Brasil?
Viana: é preciso estar aberto ao diálogo
O ex-governador do Acre Jorge Viana (PT), que chegou a ser cotado para o Ministério do Meio Ambiente, disse, nesta sexta-feira, em entrevista à Rádio CBN, que a função do futuro ministro Carlos Minc será a de "apertar o botão vermelho", ou seja, deve alertar para os riscos ambientais. Mas Viana advertiu:
- O ministro tem que estar aberto a dialogar, a construir uma saída. Não pode ser só o 'não pode, não pode', tem que apontar sempre o 'como pode'. Mas tem que ter o alerta, porque a questão ambiental não está visível.
De acordo com Viana, acender o botão vermelho é um dos papéis de qualquer ministro do Meio Ambiente:
- A área ambiental é muito complexa, é onde se estabelece um certo limite para as pessoas de empresas, de governo. É fundamental que a gente tenha alguém que aperte o botão de alerta, o botão vermelho, seja a Marina, seja o Minc ou outra pessoa. Acho que o Minc e qualquer outro ministro têm que cumprir esse papel, e não ficar preso a uma agenda negativa.
Mangabeira diz que Lula agiu certo ao lhe confiar a coordenação do PAS
O ministro do Núcleo de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, disse nesta sexta-feira que o presidente Lula agiu certo ao lhe confiar a coordenação do Plano Amazônia Sustentável (PAS). A decisão teria sido o estopim para a o pedido de demissão de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente.
- Quem acha natural que o desenvolvimento da Amazônia seja assumido por um Ministério do Meio Ambiente simplesmente não entende que a Amazônia é mais do que uma floresta. Um Ministério de Meio Ambiente carece dos instrumentos para lidar com todos os muitos problemas de transporte, energia, educação e indústria que são necessários para formular e implementar um programa abrangente de desenvolvimento.