Antes que alguém saia por aí afirmando que a atitude do governo espanhol é um acinte, lembramos que, apenas entre 1° de maio a 8 de junho deste ano, ou seja, pouco mais de 30 dias, foram desbaratadas três quadrilhas de brasileiros que atuavam uma na França e duas na Espanha na falsificação de documentos, ação que visava a dar “legalidade” à imigrantes ilegais. Todos brasileiros. A diferença que na Europa, assim como sói acontece em países desenvolvidos, a infração às leis estabelecidas é rigorosamente punida, ao contrário do que acontece no Brasil.
Brasileiros aqui, embalados pela eterna impunidade tanto da classe política, esta principalmente, como também pela da “elite econômica”, se acham no direito de se portarem do mesmo modo em qualquer lugar do mundo. Se nós adotamos este comportamento selvagem, medieval, o mesmo não podemos esperar em países onde o império da lei fala mais alto até do que os próprios governantes. Lá, é o governante que deve seguir a lei, enquanto no Brasil, como se vê pelo governo organizado para o crime que nos desgoverna, a lei obedece ao capricho dos "donos" do poder. Lá, é a instituição da ordem, da civilidade, do respeito aos direitos e ao espaço de cada um. A ninguém é dado ultrapassar este espaço, sob pena de, ao ser flagrado, responder na Justiça pelo crime cometido. Não há concessões, por menor que seja o delito.
Aqui esta norma de se “relevar” pequenas "travessuras", sempre foi um incentivo ao comportamento delinqüente por parte de qualquer cidadão. Aqui, mensalões e dossiês simplesmente são considerados pequenos alopramentos companheiros. Ao contrário, nos países desenvolvidos colocariam na cadeia, com severa condenação, todos os seus protagonistas. E é isto que faz a diferença de entendimento entre o que a Comunidade Européia está fazendo, e o entendimento de parte de nossas autoridades. Regra geral nossos serviços diplomáticos, outrora de excelente padrão, hoje pouco ou quase nada assistem aos brasileiros em situação de risco. Uma ação mais rigorosa faria um bem enorme para todos os que necessitam viajar a negócios ou turismo, pelo menos não estigmatizaria nosso povo como anárquico e fora-da-lei.
Apesar de que em níveis muito menores, também no Brasil se combate a imigração ilegal. Portanto, o que as autoridades européias estão desencadeando em relação aos “ilegais” não deveria soar como estranho. O que se espera dos serviços consulares e das embaixadas brasileiras no exterior é apenas que o combate à ilegalidade não autorize atos que violem os direitos humanos, comuns a todos, ilegais ou não.
De qualquer forma, isto demonstra o prejuízo imenso que a classe política, a começar pela presidência da república, está provocando na formação de todos nós: a ação de impunidade, maléfica sob todos os sentidos e razões, está nos tornando refratários de qualquer noção de civilidade. Está mais do que na hora de acordarmos para esta triste realidade e corrigirmos o rumo.
A notícia sobre a “indenização” que será paga aos brasileiros em situação irregular, como forma de fazê-los retornarem ao Brasil, é da Tribuna da Imprensa. Segue o texto.
Lupi disse que o governo vai abrir um centro para dar apoio aos brasileiros em Madri
GENEBRA - A Espanha vai começar a pagar para que os brasileiros e outros imigrantes deixem o país. A partir do dia 1 de julho, os brasileiros que estejam desempregados poderão pedir incentivos financeiros para retornar ao Brasil. A medida tem como objetivo gerar o retorno de 1 milhão de imigrantes a seus países de origem, como forma de reduzir a tensão na busca por trabalho no país.
O Palácio do Planalto abrirá ainda neste ano um centro para atender os trabalhadores brasileiros que vivem na Espanha. Segundo o jornal "El País", um acordo com 19 países vai permitir que os espanhóis paguem o seguro desemprego, fundos de garantia e outros benefícios aos imigrantes que optem por deixar o país. Em troca, porém, o estrangeiro abdica de seu visto de residência e ainda não pode voltar à Espanha por pelo menos três anos.
A medida será válida apenas para os imigrantes legais, o que reduz de forma considerável o número de estrangeiros que poderão se beneficiar dos incentivos financeiros. Mesmo assim, os cálculos das autoridades espanholas indicam que a medida poderá retirar do país quase metade dos estrangeiros legalizados. Pelas contas do governo, existem cerca de 170 mil imigrantes que vivem de forma legal no país, mas que estão desempregados.
Na avaliação do governo, se cada um deles levar de volta sua família e a política for mantida por pelo menos dois anos, o resultado esperado seria o desaparecimento de quase metade dos 2,2 milhões de estrangeiros vivendo de forma legal na Espanha. Os que mais se beneficiariam seriam os marroquinos, com 37 mil desempregados vivendo na Espanha. 22 mil equatorianos também poderiam optar por deixar o país.
No caso do Brasil, seriam 72 mil trabalhadores vivendo com visto na Espanha. Cerca de 1,6 mil deles estão desempregados e poderiam retornar ao País com uma "bolada". O governo brasileiro já foi informado da iniciativa e o Itamaraty vem insistindo que os governos europeus precisam garantir o respeito aos direitos humanos desses Imigrantes.
Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o Brasil abrirá um centro para dar apoio aos emigrantes em Madri. "Não vamos questionar se são ou não legais. Não somos a polícia. Vamos informar os brasileiros quais são seus direitos", afirmou.
Com a desaceleração da economia espanhola, um dos temores do governo é de que o desemprego comece a subir nos próximos meses. A retirada do contingente de estrangeiros, portanto, seria parte de uma estratégia de reduzir a pressão sobre o mercado de trabalho. Um dos problemas, porém, é que a medida não atacará um dos principais problemas, que é a imigração ilegal e os milhares de estrangeiros que trabalham ou tentam sobreviver sem documentos, sem conta bancária ou casa alugada em seus nomes.
Brasileiros aqui, embalados pela eterna impunidade tanto da classe política, esta principalmente, como também pela da “elite econômica”, se acham no direito de se portarem do mesmo modo em qualquer lugar do mundo. Se nós adotamos este comportamento selvagem, medieval, o mesmo não podemos esperar em países onde o império da lei fala mais alto até do que os próprios governantes. Lá, é o governante que deve seguir a lei, enquanto no Brasil, como se vê pelo governo organizado para o crime que nos desgoverna, a lei obedece ao capricho dos "donos" do poder. Lá, é a instituição da ordem, da civilidade, do respeito aos direitos e ao espaço de cada um. A ninguém é dado ultrapassar este espaço, sob pena de, ao ser flagrado, responder na Justiça pelo crime cometido. Não há concessões, por menor que seja o delito.
Aqui esta norma de se “relevar” pequenas "travessuras", sempre foi um incentivo ao comportamento delinqüente por parte de qualquer cidadão. Aqui, mensalões e dossiês simplesmente são considerados pequenos alopramentos companheiros. Ao contrário, nos países desenvolvidos colocariam na cadeia, com severa condenação, todos os seus protagonistas. E é isto que faz a diferença de entendimento entre o que a Comunidade Européia está fazendo, e o entendimento de parte de nossas autoridades. Regra geral nossos serviços diplomáticos, outrora de excelente padrão, hoje pouco ou quase nada assistem aos brasileiros em situação de risco. Uma ação mais rigorosa faria um bem enorme para todos os que necessitam viajar a negócios ou turismo, pelo menos não estigmatizaria nosso povo como anárquico e fora-da-lei.
Apesar de que em níveis muito menores, também no Brasil se combate a imigração ilegal. Portanto, o que as autoridades européias estão desencadeando em relação aos “ilegais” não deveria soar como estranho. O que se espera dos serviços consulares e das embaixadas brasileiras no exterior é apenas que o combate à ilegalidade não autorize atos que violem os direitos humanos, comuns a todos, ilegais ou não.
De qualquer forma, isto demonstra o prejuízo imenso que a classe política, a começar pela presidência da república, está provocando na formação de todos nós: a ação de impunidade, maléfica sob todos os sentidos e razões, está nos tornando refratários de qualquer noção de civilidade. Está mais do que na hora de acordarmos para esta triste realidade e corrigirmos o rumo.
A notícia sobre a “indenização” que será paga aos brasileiros em situação irregular, como forma de fazê-los retornarem ao Brasil, é da Tribuna da Imprensa. Segue o texto.
Lupi disse que o governo vai abrir um centro para dar apoio aos brasileiros em Madri
GENEBRA - A Espanha vai começar a pagar para que os brasileiros e outros imigrantes deixem o país. A partir do dia 1 de julho, os brasileiros que estejam desempregados poderão pedir incentivos financeiros para retornar ao Brasil. A medida tem como objetivo gerar o retorno de 1 milhão de imigrantes a seus países de origem, como forma de reduzir a tensão na busca por trabalho no país.
O Palácio do Planalto abrirá ainda neste ano um centro para atender os trabalhadores brasileiros que vivem na Espanha. Segundo o jornal "El País", um acordo com 19 países vai permitir que os espanhóis paguem o seguro desemprego, fundos de garantia e outros benefícios aos imigrantes que optem por deixar o país. Em troca, porém, o estrangeiro abdica de seu visto de residência e ainda não pode voltar à Espanha por pelo menos três anos.
A medida será válida apenas para os imigrantes legais, o que reduz de forma considerável o número de estrangeiros que poderão se beneficiar dos incentivos financeiros. Mesmo assim, os cálculos das autoridades espanholas indicam que a medida poderá retirar do país quase metade dos estrangeiros legalizados. Pelas contas do governo, existem cerca de 170 mil imigrantes que vivem de forma legal no país, mas que estão desempregados.
Na avaliação do governo, se cada um deles levar de volta sua família e a política for mantida por pelo menos dois anos, o resultado esperado seria o desaparecimento de quase metade dos 2,2 milhões de estrangeiros vivendo de forma legal na Espanha. Os que mais se beneficiariam seriam os marroquinos, com 37 mil desempregados vivendo na Espanha. 22 mil equatorianos também poderiam optar por deixar o país.
No caso do Brasil, seriam 72 mil trabalhadores vivendo com visto na Espanha. Cerca de 1,6 mil deles estão desempregados e poderiam retornar ao País com uma "bolada". O governo brasileiro já foi informado da iniciativa e o Itamaraty vem insistindo que os governos europeus precisam garantir o respeito aos direitos humanos desses Imigrantes.
Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o Brasil abrirá um centro para dar apoio aos emigrantes em Madri. "Não vamos questionar se são ou não legais. Não somos a polícia. Vamos informar os brasileiros quais são seus direitos", afirmou.
Com a desaceleração da economia espanhola, um dos temores do governo é de que o desemprego comece a subir nos próximos meses. A retirada do contingente de estrangeiros, portanto, seria parte de uma estratégia de reduzir a pressão sobre o mercado de trabalho. Um dos problemas, porém, é que a medida não atacará um dos principais problemas, que é a imigração ilegal e os milhares de estrangeiros que trabalham ou tentam sobreviver sem documentos, sem conta bancária ou casa alugada em seus nomes.