Guilherme Fiúza, Época
O melhor emprego do Brasil é o do senador Paulo Paim (PT-RS). Ele se reelege há umas duas décadas fantasiado de defensor do salário-mínimo. Agora, o demagogo mais bem sucedido do Brasil ataca novamente.
Foi aprovado no Senado projeto do senador gaúcho que estende o reajuste do salário-mínimo a todos os aposentados e pensionistas do INSS, inclusive os que ganham acima de um salário-mínimo (contemplados com uma parcela do aumento). É uma dinheirama que vai chover sobre o povo.
Lula está, evidentemente, irritado com a aprovação desse projeto irresponsável, mas isso é problema dele. O presidente vai tentar barrá-lo na Câmara. Se conseguir, salva o equilíbrio fiscal, mas fica com o ônus perante a população. O único que não corre riscos, como sempre, é Paim. Se a lei não passar, ele se salva como samaritano injustiçado. No ano que vem arma outra pegadinha, arranja de novo bom espaço na imprensa, e a vida segue, eleição após eleição.
Ninguém sabe que contas são essas que Paim faz para fundamentar seus projetos. Nem ele. E não está nem aí, porque a caridade é com o chapéu alheio. Mais precisamente o seu, caro leitor contribuinte.
O salário-mínimo é baixo, e as aposentadorias do INSS são magras. Mas tiveram aumentos reais nos últimos 15 anos e fazem diferença no Brasil rural, onde representam em muitas cidades a maior fonte de renda. Há muitos projetos para a melhoria do sistema de previdência no Brasil, como a passagem para o regime de capitalização, como foi feito no Chile – mas que custa muito caro ao Estado num primeiro momento.
Isso seria no terreno das coisas sérias. Mas o Brasil gosta mesmo é de folclore. Tanto que Brizola por aqui foi um mito, e um político como Paulo Paim escapa há tanto tempo da guilhotina do ridículo.
É sintomático que a nova presepada populista de Paim aconteça no momento em que a inflação atinge seu maior índice em 12 anos. Paim é um viúvo da correção monetária, da economia indexada, que a pretexto de proteger o valor dos bens e dos salários destrói o valor do dinheiro e empobrece a população. O Brasil sabe bem o que é isso.
Eis o que é Paulo Paim: um gigolô da inflação e da carestia, disfarçado de bom samaritano. Em 1993, o Plano Real quase foi abortado por causa de um projeto seu, que reajustava mensalmente todos os salários do país e dava aumento real obrigatório ao salário-mínimo todo mês.
Por que esse homem-bomba continua à solta por aí? Não é culpa dele. É apenas sinal de que a sua demagogia ainda encontra eco. Um dos guetos onde ela ecoa é, quem diria, o famigerado PAC – que flerta envergonhado com a correção monetária, prevendo reajustes automáticos ao salário-mínimo.
Enquanto tiver gente para acreditar que isso tem alguma coisa a ver com aceleração do crescimento, haverá gente para votar em Paulo Paim. E garantir-lhe dezenas de salários-mínimos no melhor emprego do Brasil.