terça-feira, setembro 30, 2008

CSN pode perder US$ 600 mi com câmbio, diz JPMorgan

Silvia Araujo e Natalia Gómez, da Agência Estado

Perdas seriam geradas por queda de 45% nas cotações dos papéis da empresa negociados nos EUA

SÃO PAULO - Assim como a Sadia, a Companhia Siderúrgica Nacional também deve registrar perdas com operações de derivativos. Segundo relatório do banco JPMorgan, a siderúrgica pode ter perdido US$ 600 milhões com contratos de derivativos relacionados com os preços das suas American Depositary Receipt (ADRs), papéis negociados nos Estados Unidos. Por serem atrelados ao dólar, estes papéis variam em função do câmbio.

No primeiro semestre de 2008, este tipo de operação rendeu à empresa ganhos de US$ 300 milhões. No entanto, a queda de cerca de 45% nas cotações das ADRs no terceiro trimestre deste ano poderão gerar as perdas de US$ 600 milhões, segundo o relatório. As ações da companhia operavam em queda de 17,05% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), antes de os negócios serem suspensos na Bolsa. Procurada pela reportagem, a CSN não se pronunciou sobre o assunto.

O problema com a Sadia e a Aracruz divulgad na semana passada pode ser o primeiro sinal de que a crise norte-americana chegou ao Brasil. Isso porque estas perdas são decorrentes da alta do dólar, motivada pela aversão ao risco que tomou conta dos mercados. Regra geral, em momentos de crise, os investidores buscam segurança em títulos da dívida norte-americana, o que provoca a valorização do dólar.

Tanto a Sadia quanto a Aracruz realizaram operações no mercado de derivativos de câmbio - a empresa se posicionava buscando ter lucro com a eventual manutenção da tendência de valorização do real ante o dólar, o que acabou não acontecendo devido ao agravamento da crise. A alta do dólar, que chegou a beirar os 18% em setembro, fez com estas operações resultassem em prejuízo.

Resposta
Em resposta ao relatório, a CSN afirmou, em fato relevante, que não possui operações alavancadas com derivativos de câmbio ou taxa de juros, e que "eventuais operações com derivativos de câmbio destinam-se somente a hedge da exposição cambial da companhia."

A siderúrgica explica que fez uma operação de equity swap que, em cinco anos, gerou um resultado financeiro em torno de US$ 845 milhões. O período da operação é de 2 de abril de 2003 a 26 de setembro de 2008.

"Nos termos da operação celebrada, a companhia é devedora à contraparte do swap pelo valor correspondente a uma taxa de juros baseada na taxa LIBOR aplicada sobre um valor de referência (nacional) correspondente ao preço médio de 'American Depositary Receipts' (ADRs) da companhia, enquanto contraparte deverá à companhia o valor correspondente à valorização dos respectivos ADRs e aos dividendos a eles atribuídos", explicou a empresa.

Ainda de acordo com a empresa, a exposição cambial da companhia ao longo do ano "manteve-se imaterial" no contexto das suas operações. No dia 26 de setembro, a disponibilidade de caixa livre da CSN era de cerca de US$ 1,7 bilhão.

O documento confirma, ainda que a CSN prossegue com as negociações para eventual alienação de participação societária e investimento na Nacional Minérios S.A. (Namisa), sua subsidiária.