terça-feira, setembro 30, 2008

Não tenho razões para deixar de ser minoria

Adelson Elias Vasconcellos

Saiu hoje um novo índice de aprovação de Lula, desta vez pela pesquisa CNI/IBOPE e que, rigorosamente, confirma a da CNT/Sensus, divulgada na semana passada. A aprovação do presidente chega à marca de 80%. Ou seja, minha "minoria" está ficando cada vez menor, hein? Já dá para dizer que somos, os vinte por cento que desaprovam Lula, a "frente de resistência" do lulo-petismo. Espero que um dia possamos ser agraciados, também, com gordas indenizações, a exemplo do que ocorre com os "perseguidos da ditadura militar"...

Mas vamos lá. Tem que me pergunte por que sou contra e se não seria mais fácil"aderir" à corrente.

Pois é, a questão é que existem 4 razões sólidas para eu permanecer nadando contra a corrente do "a favor". São quatro elos de uma corrente chamada "qualidade de uma administração pública" e para as quais poucos se importam, mas que fazem muita diferença.

A primeira, é a institucional. Pergunto: avançamos ou regredimos neste quesito ? Claro que aqui sempre é bom observar de que lado se está: se for petista empedernido, logicamente que a resposta se inclinará para o progresso, porém, se for do tipo democrata sem concessões, então fica fácil concluir que regredimos e muito. E temo que até 2010, ainda recuaremos muito mais ainda. Basta ver no que foi transformado o Congresso Nacional, as constantes tentativas de cerceamento da liberdade de expressão, a bagunça em que se acha metida a ABIN e parte da Polícia Federal. Dentre tantas outras porcarias. Não, não há no plano institucional, seja em garantias individuais ou no aperfeiçoamento de nossa democracia com o respeito ao total estado de direito, , uma única e miserável ação deste governo. Muito pelo contrário. O autoritarismo acha-se presente cada vez mais com maior intensidade, sendo a maior de todas a de se pretender governar sem oposição (?) ...

O segundo aspecto é o que diz respeito à segurança pública. Mesmo com quatro ou cinco pacotaços, em cinco anos, os indicadores não mentem: pioramos. O terceiro é o que diz respeito à educação, e aí, meu amigo, não há mágica capaz de alterar os números. Nossos alunos do ensino básico, em 1996, pasmem, tiveram melhores avaliações do que os alunos de 2008...

Por fim, a saúde. Que tal compararmos a saúde pública de agora com a de 1998, por exemplo? Aqui não houve queda: simplesmente despencamos.

Se uma administração é julgada por seu resultados, não há como negar que nestes quatro aspectos estamos regredindo estupidamente.

Portanto, se tão alta aprovação é calcada sobre indicadores econômicos e sociais, então fica ainda mais evidentemente que temos 80% da população que deixaram de estudar história, porque, rigorosamente, seja na economia ou no "social", o que se tem aí é o que se tinha antes de Lula. Nada mais, nada menos.

Avaliações somente devem ser admitidas as que são feitas a partir de resultados concretos frutos de ações próprias do administrador. Não podemos nos deixar seduzir pela propaganda oficial cujo caráter tem,, por habita, distorcer fatos e manipular estatísticas.

Nossa estabilidade econômica tão decantada, está estruturada a partir de ações e medidas implementadas no governo anterior à Lula, ações e medidas estas que, na oposição, Lula foi contrário e se indispôs. No plano social, do mesmo modo, encontrou cinco programas bem montados com um cadastro de famílias pleno de dados e informações que lhe permitiu expandir, cuidando para que a expansão lhe lograsse um imenso curral eleitoral.

Assim, e enquanto naqueles quatro campos acima não houver progressos efetivos e medidos, permanecerei na minoria de 20%. Até porque, ser minoria não significa ter perdido a razão. Até pelo contrário... Nem sempre o bom senso pertence às grandes massas. Muitas vezes, a maioria fica sedada pelo popularesco, pelo discurso, pela propaganda mistificadora. Exemplos históricos? É só ver como o nazismo se fez na Alemanha... Ou o apoio popular que a Revolução Russa recebeu do povo russo em seus primeiros anos. Portanto, ser maioria não representa estar ou não com a razão. No caso presente, o baixo nível educacional e de informação do povo brasileiro explicam perfeitamente bem grande parte deste índice, ou o seu todo.