terça-feira, setembro 16, 2008

A prisão de Menezes e a herança maldita

Na Folha Online, por Gabriela Guerreiro:
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A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira o diretor-executivo da instituição, Romero Menezes por advocacia administrativa. Menezes ocupava o segundo cargo mais importante na hierarquia da PF atrás somente do diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa.

De acordo com informações da PF, foi o próprio Corrêa quem deu voz de prisão a Menezes, por volta das 10h, em Brasília. Na hora, Menezes estava acompanhado do diretor de inteligência policial da PF Daniel Lorenz. O lugar de Menezes deve ser ocupado temporariamente por Roberto Troncon, diretor de combate ao crime organizado da PF.

A PF vai dar uma coletiva ainda hoje para dar mais detalhes da operação, que é um desdobramento das investigações da operação Toque de Midas, realizada em julho deste ano contra fraudes em processo licitatório de concessão da estrada de ferro do Amapá.

No desdobramento de hoje a PF cumpriu mais dois mandados de prisão temporária e sete de busca e apreensão nos Estados do Amapá, Pará e no Distrito Federal.

Segundo a PF, as investigações identificaram indícios de crimes envolvendo um funcionário do grupo EBX --pertencente ao empresário Eike Batista-- e Menezes.

A Polícia Federal informou que os dois investigados ligados ao grupo buscavam facilidades junto à PF para proveito das empresas, como fraude na inscrição para curso especial de supervisor de segurança portuária e credenciamento para instrutor de tiro sem análise dos requisitos legais.Os presos são suspeitos de praticar os crimes de advocacia administrativa, corrupção passiva privilegiada e tráfico de influência.

Num primeiro momento parece que a PF estaria mostrando “serviço” ao enjaular seu próprio diretor executivo.

Mas só “parece”. Para quem pode extrair o verdadeiro sentido desta prisão na voz do delegado que substituirá Romero Menezes, que se diz ser “temporário”, Roberto Troncon, até então diretor de combate ao crime organizado da PF, pode perceber que o clima dentre a turma da PF azedou de vez. A mim pareceu, ao menos, que a prisão tem muito mais a ver com a rixa interna da corporação, dividida como se sabe em dois grupos, com um alinhado ao seu atual diretor geral, Luiz Fernando Côrrea, e outro ao antigo diretor da instituição, hoje na ABIN, Paulo Lacerda.

Eis o resultado mais perverso da politização de órgãos do estado, como Polícia Federal e Abin. E não se enganem: o objetivo final é sacudir Luiz Côrrea. A guerra, é inegável, está aberta e declarada, situação bastante previsível quando o processo de “balcanização” da PF foi intensificado de forma plena por Lacerda. A mesma situação agora se verifica na antes insossa ABIN, hoje mergulhada na baderna que se vê.

Ontem comentamos que um dos maiores prejuízos – quiçá o maior – provocados pelo governo atual ao país seja o processo de anarquia institucional que Lula e o PT mergulharam o Estado. Sair deste lamaçal não será tarefa das mais fáceis, diante do aparelhamento a que o Estado foi submetido. Desde já, está será, sem dúvida, a maior herança maldita deixada por algum presidente da República desde a redemocratização do país.