Adelson Elias Vasconcellos
Uma vez mais, o Brasil dá provas de, entre o discurso e a propaganda oficiais, e a realidade que vivemos, vai enorme diferença. Há poucos dias, ficamos sabendo que nosso índice de Desenvolvimento Humano é um dos piores do mundo. Estamos na 75° do ranking.
Agora, acaba de ser divulgado outro índice que nos situa nas últimas posições, e que, somado ao nosso IDH, põe por terra toda a mistificação de um governo em que a mentira se tornou um método de ação rotineira.
Organizado pela International Policy Network (IPN-Londres), o Índice avalia oito indicadores: Voz e Prestação; Estado de Direito; Liberdade de Imprensa; Corrupção; Fazendo Negócios; Competitividade; Liberdade Econômica.
O Brasil ocupa a 98ª posição no ranking do Índice de Qualidade Institucional 2009, divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e o Instituto Liberdade. Em 2008 o Brasil estava em 91º lugar. A Dinamarca aparece em primeiro lugar, seguida pela Suíça. No continente americano o Canadá lidera, seguido dos Estados Unidos. Na América do Sul, o Chile lidera, sendo o 24º no ranking geral.
Existem realidades que são incontestáveis e, por mais que se tente mascará-las, cedo ou tarde, elas acabam vingando. Quando falamos e demonstramos que as instituições democráticas no Brasil, ao longo do governo Lula perderam consistência, quando demonstramos que a liberdade de imprensa ainda é uma conquista a ser obtida, exemplo disto são os 100 dias em que o Estadão permanece amordaçado, afora a perseguição à mídia feita de forma sutil mas permanente, quando exibimos casos em que a liberdade econômica e as dificuldades criadas pelo poder público para se fazer negócios permanecem entravando o pleno desenvolvimento do país, o índice acima, no qual o Brasil desceu sete posições desde a última avaliação feita há um ano, dá bem uma mostra do quão certos estamos ao permanecermos no grupo dos 20% para quem o governo Lula está longe de receber aprovação. E, se adicionarmos aos ingredientes já citados umas pitadas de corrupção que, no governo atual, bateram todos os recordes republicanos, então, de fato, por mais boa vontade que se tenha não é possível bater palmas..
Infelizmente, esta notícia, que deveria servir de base de análise para muitos colunistas e analistas políticos, fica relegada a pequenos destaques na imprensa genuflexa ao poder do Estado. Como já se disse aqui muitas vezes, tanto o Brasil quanto a maioria dos países latinos, que adoram flertar com as esquerda, não fazem por merecer a liberdade de que ainda gozam.
É de esperar, ao menos, que não tenhamos que chegar ao fundo do poço da escuridão do autoritarismo doentio, para aprendermos a lição que insistimos em ignorar.